quinta-feira, 2 de junho de 2011

O passado que não passa.

Publicado no site VI O MUNDO - O que você não vê na mídia, por Luiz Carlos Azenha (http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/roque-pinto-o-passado-que-nao-passa.html)
A volta dos que não foram: ainda sobre a universidade pública na Bahia
Roque Pinto*
Descrevendo o golpe de estado perpetrado por Napoleão III em 1851, Karl Marx observou que alguns eventos históricos se repetem duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa.
Aqui, na Bahia de hoje, sem a opulência nem o ornamento da perspectiva histórica, mas com a mesma ferocidade de sangue que move a roda da história, a tragédia do caudilho maior precede o seu arremedo, como burla. Dizem que Antônio Carlos Magalhães gostava de repetir, com um sorriso na boca: “para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei.” Mas o governador Jaques Wagner, sindicalista de ontem que se traveste do novo Malvadeza de hoje, nem mesmo a justiça respeita. Apenas dela tripudia. Pois vejamos.
Neste momento mais de 400 professores, estudantes e funcionários das 4 universidades estaduais, representando um contingente de cerca de 5.000 professores e 60.000 estudantes, estão acampados na Assembléia Legislativa da Bahia, em Salvador, para que o governo reabra as negociações sobre o impedimento aos docentes de requerer qualquer melhoria salarial até 2014 e sobre a alteração de um decreto reeditado em fevereiro, que na prática transforma as universidades em apêndices da administração direta do estado, quitando-lhes a autonomia outorgada pela Constituição do Estado da Bahia.
Com a deflagração da greve dos docentes das universidades estaduais há quase dois meses, o governo da Bahia – cujo mandatário é, ironicamente, filiado ao PT – respondeu com intolerância e truculência, cortando o salário dos professores, inclusive os dias trabalhados. Através dos desembargadores que julgaram as liminares de cada um dos sindicados, a justiça baiana ordenou o pagamento imediato dos salários:
http://www2.tjba.jus.br/diario/diarios/479/479_caderno1.pdf
http://www.adusc.org.br/
Mas o governo Wagner não cumpriu as determinações legais e mantém a suspensão do estipêndio dos professores universitários.
Claro está que para o novo Cabeça Branca, na sua irrefreável ânsia de poderes imperiais, as leis e as hierarquias legais são meros obstáculos que podem ser atropelados sem maiores problemas pelo rolo-compressor da máquina pública.
E, no seu afã pantagruélico de poder, desapega-se de qualquer pudor: enquanto estrangula financeiramente as universidades públicas e corta mais de um bilhão de reais do orçamento de 2010, cria mais quatro novas secretarias de estado para acomodar seus aliados, impacientes com o destino das verbas para a Copa do Mundo de 2014.
Considerando o descumprimento da liminar que obriga o governo do Estado da Bahia a pagar o salário dos professores, o sindicato dos docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb) entrou com uma nova ação no Tribunal de Justiça, no dia 31 de maio, requerendo uma multa diária de R$100 mil e o seqüestro no valor de R$ 4 milhões do orçamento do Estado, a fim de garantir o dito pagamento. Além disso, foi pedida a prisão do Secretário de Administração do Estado da Bahia, Manuel Vitório e do Reitor da Universidade, Paulo Roberto Pinto dos Santos.
E a Associação de Docentes da Universidade de Feira de Santana (Adufs) pediu a prisão dos secretários de Educação e Administração, respectivamente Osvaldo Barreto e Manoel Vitório, e do próprio governador, Jaques Wagner, em uma representação criminal encaminhada ao Ministério Público.
http://www.adusb.org.br/noticias_ver.php?cod=651
http://www.radiosociedadeam.com.br/portal/noticia.aspx?nid=74247
http://ibahia.com/detalhe/noticia/professores-de-feira-de-santana-querem-prisao-de-jaques-wagner/
Mutatis mutandis, o antropólogo inglês Adrian Mayer transcreve as palavras de um cabo eleitoral local, numa investigação sobre as eleições no distrito de Dewas, na Índia: “todo homem sangra: a questão é saber qual a veia que se deve abrir para que ele sangre mais”.
O atual governador do Estado da Bahia, cuja imagem pública forjou-se nas lutas sindicais do setor petroquímico, deve sabê-lo. Decerto não por leituras especializadas, mas pela vivência dos enfrentamentos na longínqua época em que militava a favor dos trabalhadores.
Talvez por isso, agora, militando em causa própria, põe em prática, com uma brutalidade sem paralelo na história baiana recente, as mesmas táticas que combatia.
Sim, um fantasma ronda a Bahia: o do passado que não passa.
E sim, tem razão o dito indiano: todo homem sangra. Diria mais: quem sangra não esquece. Todo político deveria saber disso.

*Doutor em antropologia, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz

Se escapar do castigo, Palocci poderá juntar em 17 anos todo o dinheiro do mundo

Se enriqueceu sem pecar, Antonio Palocci poderia ter esclarecido o caso da multiplicação do patrimônio no mesmo dia em que foi divulgado pela Folha de S. Paulo. Bastaria solicitar aos clientes da Projeto que, para livrar o chefe da Casa Civil de constrangimentos e poupar o país de outra crise política, abrissem mão da cláusula de confidencialidade e permitissem a divulgação de informações básicas. Todos certamente o autorizariam a revelar os nomes das empresas que contrataram seus serviços e dizer quanto cobrou de cada uma. A opção pelo silêncio que já dura 17 dias foi o primeiro indício veemente de culpa.
O segundo foi a contratação do advogado José Roberto Batochio sem ter virado réu oficialmente. A terceira evidência de que Palocci tem culpa no cartório ocorreu nesta quarta-feira, assim que circulou a notícia de que o ministro fora convocado para depor na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados (veja o vídeo abaixo). Apavorados com a rachadura na blindagem, os chefes da aliança governista prometem fazer coisas de que até Deus duvida para impedir o depoimento. É provável que Palocci escape da ameaça. Mas algum dia terá de explicar-se. E não há explicações plausíveis.
“A crise é de inteira responsabilidade do Palocci”, diz o senador Walter Pinheiro, do PT baiano. “Não é do governo nem do PT”. Talvez seja, sugere a inquietação dos parceiros da base alugada. Sabe-se que a Projeto ganhou pelo menos R$ 20 milhões em quatro anos. Desse total, R$ 7,4  milhões foram gastos na compra de um apartamento e um escritório. Sobram R$ 12,6 milhões. Onde estão? Guardados em bancos? Embaixo de colchões? Foram aplicados de alguma forma? Não sobrou nenhum centavo para o partido? Só depois das respostas a tais perguntas o senador baiano saberá se pode mesmo dormir sem sobressaltos.
A destinação do dinheiro é tão nebulosa quanto a origem. Na reunião com Dilma Rousseff e os senadores do PT, o médico sanitarista admitiu que ganhou muito dinheiro como consultor econômico e financeiro. Mas limitou-se a revelar um único trabalho pesadamente remunerado (recebeu R$ 1 milhão em troca de “consultas” a duas empresas interessadas em fundir-se) e o preço de cada palestra que andou ministrando: entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. É improvável que tenha conseguido como palestrante os R$ 19 milhões que faltam. Nos últimos quatro anos, dispôs de 1.040 dias úteis (incluídos feriados e feriadões). A conta só fecharia se, paralelamente às atividades de deputado federal, Palocci tivesse feito 633 palestras, duas a cada três dias, cobrando o preço máximo por apresentação.
Caso consiga safar-se das evidências de que subiu na vida como traficante de influência, o ministro terá consumado um segundo milagre de espantar os santos mais poderosos. O primeiro foi a própria multiplicação do patrimônio, comprova a nota divulgada pelo jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no jornal O Globo. Diz o seguinte: “A conta, de brincadeira, claro, é do consultor Maurício Hissi, o Bastter. Se Palocci multiplicasse seu patrimônio por 20 a cada quatro anos, bastariam 17 anos para acumular R$ 129 trilhões (ou US$ 80 trilhões) e ser dono de todo o dinheiro do mundo”.
É difícil entender o apego de Palocci ao emprego. Não vai recuperar o poder que tinha. Melhor aproveitar a vida e disputar a liderança do ranking dos homens mais ricos do planeta.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Adutora do São Francisco: 46 mil metros de tubulação já foram assentados

Escavação, assentamento de tubulação, inserção de anéis de borracha, aplicação de pasta lubrificante para fixação do anel, encaixe dos tubos, recobrimento do solo. Estas atividades fazem parte da intensa rotina de oito horas diárias dos cerca de 60 operários que estão trabalhando na primeira fase da implantação da Adutora do São Francisco, cujo andamento está avançado: Já são 46 mil metros de tubulação instalados entre Itaguaçu da Bahia e Xique-xique, de onde a Embasa vai captar água do São Francisco para abastecer a microrregião de Irecê.
Este é o trabalho mais pesado da primeira etapa da obra, que prevê a implantação de 61 mil metros de adutora de água bruta, entre o ponto de captação, na localidade de Nova Iguira, município de Xique-xique, e Itaguaçu, onde está sendo construída uma Estação de Tratamento de Água (ETA) com capacidade para tratar 250 litros por segundo. Ao todo, 100 trabalhadores estão atuando no empreendimento, cujo investimento, na primeira etapa, é de R$ 75 milhões. A obra prevê ainda a implantação de 15 mil metros de rede distribuidora na cidade de Itaguaçu, e de cinco estações de bombeamento.
Mais recursos – A obra da Adutora do São Francisco será realizada em três etapas: a primeira, em execução, deve ser concluída nos próximos meses. Para a segunda etapa da obra, a Embasa firmou contrato de financiamento com o BNDES, no valor de R$ 31,57 milhões. O projeto desta fase já está pronto e compreende o trecho de adutora entre a ETA e a cidade de Central, a 37 quilômetros de Irecê. A terceira etapa da obra prevê a implantação da adutora de água tratada entre Central e Irecê, e a interligação da tubulação ao Sistema Integrado de Abastecimento de Água – SIAA Irecê. Da captação no Velho Chico até Irecê, a água para ser distribuída à população da região vai percorrer 122 quilômetros. A Adutora do São Francisco foi a alternativa encontrada para o atendimento a esta região, que vem sofrendo com a diminuição continuada dos níveis do lago da Barragem de Mirorós, que abastece cerca de 350 mil pessoas desde 1994.


Fonte: ASCOM EMBASA

terça-feira, 31 de maio de 2011

Irecê comemora mais uma vez a data errada e agora para sempre.

A revisão da história do Brasil está em alta. Nada menos que três livros tratando do assunto estão na lista dos mais vendidos. Em primeiro “Guia politicamente incorreto da história do Brasil”; 2º “1822” e 3º “1808”. O Guia politicamente incorreto trata da derrubada de alguns mitos que nos foram ensinados nas escolas. Os outros dois trata da independência do Brasil e o terceiro da chegada da família real no Brasil. Em todos, uma visão iconoclasta dos fatos ali narrados. Conclui-se então que o brasileiro está interessado nos fatos reais, não naqueles edulcorados que nos foram repassados por professores indolentes, segundo a versão sancionada pelo MEC de sucessivos governos.
Somos nordestinos, baianos do Polígono das Secas, dominados por uma política clientelista onde ainda vige a república dos coronéis. Isso é tanto verdade que Morro do Chapéu cultua e até ergueu estátua para o seu mais famoso coronel. Aqui neste sertão as verdades estabelecidas não podem ser contestadas. Não podem e não devem. Experimente fazer uma crítica, minimamente que seja ao coronel Dias Coelho para ver a enxurrada de protestos que surgirá. Toda cidade precisa de um mito, de um herói a ser cultuado, já que a cota de heróis atuais parece ter se esgotado. O futuro é de total desesperança neste aspecto.
Enquanto a história do Brasil está sendo desmistificada, a nossa continua rígida e imutável. Nada menos do que quatro municípios da Chapada Diamantina comemoram suas emancipações em datas erradas, a saber: Jacobina, Morro do Chapéu, Irecê e Xique Xique. Tudo porque quando foram emancipados receberam a denominação de Vila. E vila, cidade, distrito, termo, comarca são denominações que deixam nossos pesquisadores em completa confusão. Num dos blogs aqui de nossa cidade, diz-se que Irecê comemora hoje sua data de elevação a cidade. Não é. Hoje Irecê comemora sua RESTAURAÇÃO a município.
Assim como a de Morro do Chapéu, tudo na história de Irecê está errado. Diz-se que ele foi elevado a categoria de distrito em 1906 quando na verdade isso ocorreu em 1910. Em 1926 Irecê foi DESMEMBRADO de Morro do Chapéu elevado que foi a categoria de município. Agora que vem a confusão: elevado a categoria de município com a denominação de Vila? Isso mesmo. Vila era a SEDE do município e não o município todo. Até 1938, todo município criado tinha sua sede com a denominação de Vila. Antigamente o município tinha que satisfazer certas exigências para que sua SEDE fosse elevada a condição de CIDADE. A partir de 1938, por decreto do presidente Getulio Vargas, todos os municípios tiveram suas sedes elevadas a categoria de cidade. Veja que todos os municípios que foram desmembrados de Irecê, já tinham suas sedes como cidade. E agora que vem a data totalmente ignorada pelos ireceenses: Irecê passou a categoria de cidade em 30 de março de 1938.
Está difícil o entendimento?  Adiante.
Em 1931, não só Irecê como uma vasta relação de municípios voltaram a pertencer a seus territórios de origem. Mas preservaram sua área de quando passaram a município, tendo como administrador um sub-prefeito. Em 1933, por interesses políticos do governador Juracy Magalhães todos os municípios supressos recuperaram  sua independência. E é essa data que querem nos impingir ignorando as administrações de Aristides Rodrigues Moitinho e Teotonio Marques Dourado Filho, intendente e prefeito que foram em 1926/1927 e 1927/1931. Trata-se de um esbulho que ficará eternizado, vez que o prefeito (ironicamente um Dourado) resolveu oficializar a data.
Irecê é um caso perdido. Morro do Chapéu pelo menos discute-se o assunto. Falaremos da emancipação do nosso município no próximo post.  

Prefeitura abre crédito especial de R$ 2.250.000,00 para obras.

Lei nº. 927, de 16 de maio 2011
"Autoriza o Poder Executivo Municipal a abrir Crédito Especial e dá outras providências"
O PREFEITO MUNICIPAL DE MORRO DO CHAPÉU, Estado da Bahia, no uso de suas atribuições e em conformidade com a Lei Orgânica Municipal.
Faço saber que a Câmara de Vereadores aprova e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei.
Art. 1º.
Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a abrir Crédito Especial de até R$ 2.250.000,00 (dois milhões, duzentos e cinquenta mil reais) para Pavimentação de Ruas nos Bairros da Pedra Grande, Ferro de Engomar e da Capelinha na sede do Município, bem como, recuperação de Estradas Vicinais nas Regiões do Gaspar, Barriguda e Lagoa do Cazuza, além de perfuração de cinco Poços Artesianos no interior do Município.
Art. 2º.
O Crédito Especial que trata o artigo anterior será aberto mediante a utilização dos recursos provenientes dos Convênios firmados com os Ministérios das Cidades e da Agricultura, PAC-2 e CODEVASF.
Art. 3º.
A divisão de contabilidade fará a devida classificação da despesa, na forma prevista na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964.
Art. 4º.
Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º.
Revogam-se as disposições em contrário.
GABINETE DO PREFEITO, 16 de maio de 2011.
Cleová Oliveira Barreto
Prefeito Municipal

História de Morro do Chapéu III

Estrada de Jacobina a Rio de Contas – a Estrada Real.

No século XVIII, Jacobina e Rio de Contas eram os maiores produtores de ouro na Bahia. A fim de cobrar o quinto de todo o mineral extraído, o rei de Portugal determinou a Pedro Barbosa Leal, que já edificara as vilas de Jacobina, no Saí, e Rio de Contas, no sopé da serra das Almas, a tarefa de abertura da estrada de ligação dessas duas vilas mineradoras, por onde, mais rapidamente, se deveria deslocar o ouro extraído.
    Leal concluiu sua obra em 1725, como atesta a carta do vice-rei e capitão-general do Brasil, Conde Sabugosa, Vasco Fernandes César de Menezes ao rei D. João V, para dar conta da abertura de um caminho de ligação de Jacobina ao Rio de Contas e da criação de uma vila para cobrar e arrecadar os quintos das minas. Portanto, a cobrança do quinto e o efetivo escoamento do ouro com a segurança e a rapidez possíveis. Por ter sido uma obra determinada pelo rei de Portugal, a primeira estrada aberta no interior da Bahia, ligando as duas minas, ficou conhecida como Estrada Real.
     Na construção das estradas coloniais, em geral, utilizavam-se técnicas rudimentares, apenas de terraplanagem de uma estreita faixa, para o deslocamento, sem embaraços, de cavaleiros e tropas. O sertanista Joaquim de Quaresma Delgado, empreendeu uma viagem por essa essa estrada que caracterizada pelos detalhes, permite identificar praticamente todo o seu curso e a maioria das referências geográficas, das fazendas e povoações, dos caminhos vicinais. Trata-se, pois, de preciosa fonte para o estudo da história colonial da Capitania da Bahia, em particular das regiões mineradoras de Jacobina e Rio de Contas.
   
Roteiro empreendido por Joaquim Quaresma Delgado, respeitando-se a grafia original.

Da Jacobina à Fazenda da Motuca. Da Jacobina à Lagoa dos Padres da Missão da Jacobina uma légua, desta ao pé das serras do Tombadouro2 2 léguas e aqui está uma casa com sua roça desta acima do Tombadouro ao Sorvedouro um quarto de légua e está um poço formado da natureza, cujo fim não se tem ainda vasado e está a direita da estrada debaixo de umas árvores que o cobrem, desate à fazenda de gado cavallar por nome a Motuca um quarto de lágua e fica esta a parte esquerda da estrada. Tem água e pastos.
                
OJatubá3, fazenda do dito gado e 2 léguas. Das Motuca ao Jatubá há 2 léguas e fica esta em direitura da estrada, tem pastos e água pela banda de detraz da fazenda à parte do sudoeste.

Ao meio da Catinga das Flores4 4 léguas. De Jatubá ao meio da Catinga das Flores há 4 léguas, não tem pasto nem água em toda a jornada, somente aqui tem algum pasto antes de chegar a uma porteira que aqui tem e por força se deve fazer esta viagem.

Da fazenda das Flores à fazenda da Volta e o rio Jacuipe5. Das porteiras ao meio da catinga a fazenda das Flores duas léguas, desta à fazenda da Volta pouco menos de 1 légua e mais adiante cousa de meio quarto de légua rancho ao pé do rio Jacuipe. Estas duas fazendas crião gado cavallar e em qualquer dellas se apode arranchar que pasto e água.

A fazenda do Coronel das Estradas  João Peixoto6, districto já do Morro do Chapéo7 4. Do rio Jacuipe à fazenda do coronel João Peixoto há 4 léguas e não há água, mas não falta pasto, mas é conveniente ir a dita fazenda que tem água e pastos e cria gado vacum e cavallar.

Á Boca da Catinga. Desta fazenda à Boca da Catinga são 2 léguas e 1 quarto aqui à parte esquerda fica o Morro do Chapéo e entre elle e o rancho que é ao pé da estrada de uma catinga, fica aguada em um alagadiço.

A Lagoinha 3. da Boca da Catinga em distancia de 1 légua, descendo para baixo, se dá em uma várzea que em tempo de água há de ter água e bons pastos mas agora não tem e d´aqui uma légoa se dá uma várzea grande que aqui chamam Lagoinha e fica a parte direita da estrada ao despedir de uma catinga baixa e aqui se vê o rancho também a parte direita mais agora não tem nem uma acousa nem outra e por força se há de descançar aqui.

Ao Riacho das Pedras9 cinco léguas. Desta Lagoa Riacho das Pedras há cinco léguas e aqui descendo para baixo em uma varzinha como Riacho ao pé a parte direita e o Rancho debaixo de uma grande árvore. Aqui tem pasto e água, mas agora na seca tem água em Caldeirão e pasto nenhum, mas quando o tem se vai por um caminho que fica para a parte do sul pela catinga dentro e um bocado de caminho que fica para a parte do sul pela catinga dentro e um bocado de caminho se dá em cima de um monte sem matto aonde cria capim.

A estrada prossegue passando por várias localidades que depois se tornariam municípios, mas optamos encerrar a descrição até aqui, pois nosso objetivo é descrever a história de Morro do Chapéu, portanto a estrada chegou ao limite do município com Cafarnaum.

1         Pedro Barbosa Leal, baiano, filho de um coronel de ordenança homônimo e de Antonia Maria de Vasconcelos, capitão de infantaria em 1691, senhor de engenho, sesmeiro entre os rios Sergipe e Japaracuba. Por determinação do governador geral João de Lancastre (1694-1702), procurou Belchior da Fonseca Saraiva, o Moribeca, para se  informar sobre minas de prata que o seu bisavô teria descoberto no interior da Bahia. Com pequena expedição, palmilhou os montes de Picaraçá e  Jacobina, até as margens do São Francisco, onde descobrira ametistas e salitre. De Itabaiana regressou a Salvador. Em 1697, voltou a Jacobina, depois de nomeado por Lancastre administrador do salitre de Curaçá, onde permaneceu até 1702. no ano seguinte, descobriu ouro em Jacobina e, em seguida, acompanhou Lancastre em inspeção à fábrica de salitre de Curaçá. Decepcionado por não conseguir sesmarias no rio de São Francisco, pleiteou e obteve terras entre o rio Doce e Itacambira onde pesquisou minerais e guerreou contra populações nativas. Por determinação do vice-rei, em 1720 edificou Jacobina, em 1724, Rio de Contas, e em 1725, a estrada de interligação dessas vilas pioneiras nos sertões da Bahia. Nesse mesmo ano, comunicou ao vice-rei Vasco Fernandes César de Menezes (1720-1736), a descoberta por Antonio Carlos Pinto, das minas do rio Paramirim (FRANCO, 1989:207).

2         Ramificação da cordilheira do Espinhaço que atravessa o municipio de Jacobina de norte a sul, no qual se desenvolveu a atual povoação de Tombadouro do Araújo.

3         Atual povoado de Praça do Jatobá, na serra do Tombadouro, nascente do Itapicuru-Mirim.

4         Atual povoado de Flores, no município de Morro do Chapéu.

5         Curso d´água que nasce nas cercanias de Morro do Chapéu e deságua na Bahia de Todos os Santos.

6         João Peixoto Viegas, neto do português de Viana do Castelo, de nome idêntico, e Bárbara Fernandes; filho de Francisco de Sá Peixoto e Ângela Bezerra. Combateu índios no Paraguaçu com Antonio Veloso da Silva e Francisco Alves Correia, em 1727, quando se feriram no ataque à aldeia de João Amaro. Cinco anos depois, com André da Rocha Pinto e Manoel Queiroz Sampaio explorou ouro em Rio de Contas (CALMON, 1985: 491-494; FRANCO, 1989:438).

7         Municipio criado em 1864, com território da freguesia de N. S. das Graças do Morro do Chapéu, desmembrado de Jacobina e da freguesia de N. S. da Conceição  de Mundo Novo, que se emancipou de Monte Alegre, atual Mairi. Em 1880, a freguesia de Mundo Novo se reincorporou a Monte Alegre.

8         Povoação do município de Morro do Chapéu, limítrofes do atual município de Cafarnaum.

9         Atual povoado de Lagoa das Pedras, no município de Cafarnaum.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Alemanha será 1ª potência a renunciar à energia atômica

O governo alemão prometeu fechar seus últimos reatores nucleares até 2022
Ao anunciar que vai desligar todas as suas usinas nucleares até 2022, a Alemanha passa a ser a primeira potência industrial a renunciar à energia atômica.
Queremos que a eletricidade do futuro seja segura e, ao mesmo tempo, confiável e econômica"
Angela Merkel
Ao anunciar que vai desligar todas as suas usinas nucleares até 2022, a Alemanha passa a ser a primeira potência industrial a renunciar à energia atômica. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo ministro do Meio Ambiente do país, Norbert Röttgen, após acordo da coalizão de governo liderada pela chanceler Angela Merkel.
Além de parar de usar a energia nuclear, a Alemanha também planeja reduzir o uso de eletricidade em 10% até 2020 e dobrar a participação de fontes renováveis de energia para 35% no mesmo período, segundo um documento do governo obtido pela agência de notícias Reuters. Dos 17 reatores alemães, 14 não estarão mais em serviço no fim de 2021 e os três últimos - os mais novos - serão utilizados até 2022 no mais tardar, explicou o ministro, enfatizando que a decisão é "irreversível".
"Nosso sistema energético tem de ser mudado fundamentalmente e pode ser mudado fundamentalmente. Queremos que a eletricidade do futuro seja segura e, ao mesmo tempo, confiável e econômica", destacou a chanceler a jornalistas nesta segunda-feira. Merkel não deu mais detalhes do plano, mas o documento afirma que a meta alemã de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em 40% até 2020 está mantida.
Instalações - A Alemanha tem 17 reatores nucleares, sendo que oito deles já estão desconectados da rede de produção de energia elétrica. Conforme destacou o ministro, estas oito instalações não serão reativadas. O país tem mais onze anos para encontrar uma forma de cobrir 22% de suas necessidades em termos de energia elétrica, atualmente atendidas pelas centrais nucleares.
A decisão pode ser até mais ambiciosa do que a saída da energia nuclear planejada pela coalizão entre sociais-democratas e verdes quando estavam no poder em 2000, mas ainda pode enfrentar oposição de empresas do setor. A chanceler alemã conseguiu aprovar no fim de 2010 uma prorrogação de 12 anos em média para a duração legal da exploração dos reatores do país. Por ser contra a opinião pública alemã, a medida provocou uma explosão do sentimento antinuclear na Alemanha.
Após a catástrofe da central nuclear japonesa de Fukushima em março, no entanto, Merkel interrompeu imediatamente o funcionamento das centrais mais antigas do país e iniciou um debate sobre o abandono da atividade nuclear civil, que deve resultar em uma decisão formal no conselho de ministros de 6 de junho. Em 23 de março, a chanceler declarou que, quanto antes for abandonada a energia atômica, melhor.
Protestos - Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas no sábado em diversas cidades da Alemanha para reivindicar o abandono da energia nuclear. No domingo, um grupo de ativistas da ONG Greenpeace voltou a protestar em Berlim, pedindo que o prazo fosse antecipado para 2015. A maioria dos eleitores na Alemanha é contra a energia atômica, que fornecia 23% da energia do país antes de sete unidades antigas serem fechadas em março