sexta-feira, 3 de junho de 2011

‘Brasil não pode abrir mão da energia nuclear’, afirma presidente da EPE

Maurício Tolmasquim reafirmou que as obras de Angra 3 não vão parar.
Para ele, energia eólica não é mais 'alternativa', mas uma 'realidade'.

Bernardo Tabak Do G1 RJ
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, ressaltou, nesta sexta-feira (3), que o “Brasil não pode abrir mão da energia nuclear, pois pode ser útil no futuro”. A afirmação foi feita durante uma palestra dele sobre energia eólica, no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), no Centro do Rio de Janeiro. Em defesa da energia nuclear, Tolmasquim ponderou que “nunca foi uma questão de suprimento energético para o Brasil, mas de domínio da tecnologia”.
“É natural que exista uma apreensão”, afirmou Tolmasquim, em referência ao recente acidente nuclear na cidade de Fukushima, no Japão, após um terremoto e uma tsunami que atingiu o país. “É preciso acompanhar o que está sendo discutido no mundo, e ver as medidas que vão ser tomadas”, complementou.
O presidente da EPE reafirmou o que já havia dito durante o Fórum Mundial Econômico da América Latina, realizado no fim de abril, no Rio, onde enfatizou que as obras da usina nuclear de Angra 3 não vão parar. “Angra 3 vai continuar. Após as obras terem sido retomadas, após um longo tempo paradas, não faz sentido parar de novo. Agora, tem que se tomar todas as precauções com relação à segurança e a rotas de fuga”, disse. Ele destacou que, a esta altura, os prejuízos econômicos seriam grande caso a obra seja novamente interrompida.
Maurício Tolmasquim afirmou que “não está descartada” a construção de quatro novas usinas nucleares, e que o assunto vai ser discutido no Plano Nacional Energético (PNE), onde será elaborada a previsão energética para o país até 2035. Entretanto, ele destacou por várias vezes que a questão nuclear vai passar por um amplo debate, não só no Brasil, mas em todo o mundo. “Podemos construir quatro usinas, ou menos, ou mais”, afirmou. “Não podemos é perder o trem da história e, daqui a 20 anos, ter desaprendido tudo o que sabemos hoje. O Brasil tem a sexta reserva de urânio do mundo e domina a tecnologia para produzir energia”, enfatizou.
Sobre a decisão da Alemanha de fechar todas as usinas nucleares, Tolmasquim preferiu não emitir opinião a respeito: “A situação da Alemanha é diferente da do Brasil. Não posso comentar as decisões de outros países. Eles têm as razões políticas, econômicas e energéticas deles, e nós temos as nossas.”
Energia eólica é ‘realidade’
O presidente da EPE afirmou que a energia eólica já não pode mais ser chamada de “alternativa”, pois já está se tornando uma das principais fontes energéticas em vários países. “A energia eólica já está no ‘mainstream’. É uma realidade, e vai crescer muito ainda ao longo do tempo”, frisou, acrescentando que, hoje, a energia eólica já é tão competitiva em termos econômicos quanta a que é produzida por usinas térmicas, apesar de ainda não poder ser equiparada com o que é produzido pelas hidrelétricas.
De acordo com Tolmasquim, de 2005 para 2011, o Brasil saltou de uma para quatro empresas instaladas no país, produzindo ou em vias de produzir energia a partir do vento. “Algumas pesquisas indicam que o potencial de energia eólica no Brasil chega a 300 mil megawatts (MW) por ano. Para efeito de comparação, a Usina Hidrelétrica de Itaipu tem uma capacidade instalada de 14 mil MW”, afirmou ele. “A previsão é que, em 2020, devemos chegar a 11 mil MW de capacidade instalada de energia eólica, o que equivale ao que vai ser produzido pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte”, finalizou

Dilma Roussef lança programa Brasil Sem Miséria;

A presidente Dilma Rousseff disse em discurso nesta quinta (2), no Palácio do Planalto, que o programa Brasil sem Miséria “é o estado brasileiro chegando, é o estado brasileiro dizendo que está pronto para combater a pobreza”. O objetivo do programa é retirar 16,2 milhões de brasileiros da condição de extrema pobreza. Na cerimônia de lançamento do programa, a presidente afirmou que haverá uma “busca ativa” dos que necessitam de auxílio do estado e não o contrário. Segundo ela, o governo vai buscar identificar quem não tem bolsa-família, acesso à rede elétrica, à água encanada ou à saúde, a fim de fornecer esses serviços. “Não mais vamos esperar que os pobres corram atrás do estado brasileiro. O estado brasileiro deve correr atrás da miséria”, declarou.
Dilma anunciou uma campanha de mobilização para engajar a sociedade no combate à pobreza extrema. “Vamos fazer uma campanha de mobilização sem apelos emocionais gratuitos e sem dramatizar a miséria”, afirmou. Ela afirmou que será necessária a participação de governadores e prefeitos. Precisamos de vocês, de cada prefeito, para que a gente possa fazer esse plano avançar”, declarou. A presidente disse não aceitar o “fatalismo” que, segundo ela, apregoa que a pobreza sempre existiu e sempre existirá em todas as sociedades. “Isso não é fatalismo, é cinismo”, declarou. Dilma afirmou que se a “porta [do combate à miséria] tivesse sido aberta pelo menos na última década do século passado”, o país estaria mais próximo de eliminar a pobreza.
“Ao longo da nossa história, nosso país abriu muitas portas para o futuro, mas deixou muitas portas fechadas e outras entreabertas. Hoje, estamos abrindo a grande porta de entrada do século 21. Se fosse aberta antes, hoje, estaríamos bem mais próximos de realizar nosso sonho de eliminar a pobreza”, declarou.

O programa
Os principais pontos do programa Brasil sem Miséria são a ampliação do Bolsa Família, a criação do Bolsa Verde, a capacitação de trabalhadores e a construção de cisternas, que são reservatórios de água. A implementação de um programa de combate à miséria é uma das promessas de campanha da presidente Dilma. Em seu discurso de posse, no Congresso Nacional, Dilma afirmou que “a luta mais obstinada” de seu governo seria “a erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos”.
A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campelo, foi a primeira a discursar no evento de lançamento do programa. Ela disse que o programa foi “construído” em um “tempo recorde” de cinco meses. A ministra classificou o programa como uma proposta complexa, consistente e de difícil execução. Segundo a ministra, dos 16 milhões que vivem em extrema pobreza, 70% se concentram no Norte e Nordeste. “O Brasil sem Miséria unirá o Brasil que cresce com o Brasil que ainda não pode aproveitar essas oportunidades”, disse.
Para alcançar a meta do programa, o governo vai trabalhar com três diretrizes: transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva. O programa prevê o aumento de três para cinco do limite de benefícios de famílias com filhos que integram o Bolsa Família. Com isso, a previsão é incluir 1,3 milhão de crianças e adolescentes no programa de transferência de renda. O valor do benefício por filho a famílias de baixa renda é R$ 36.
O programa prevê ainda a localização de possíveis beneficiários do Bolsa Família que não estejam cadastrados. A estimativa do governo é que 800 mil pessoas atendem as exigências para receber a renda mensal.

Bolsa Verde
Para estimular a proteção ao meio ambiente, o novo programa do governo Dilma cria ainda o Bolsa Verde, que prevê o pagamento de R$ 300 a cada trimestre para famílias pobres que promovam ações de conservação ambiental no local onde vivem ou trabalham. O Brasil sem Miséria também prevê capacitação de 1,7 milhões de pessoas entre 18 e 65 anos até 2015, através de programas de acesso a escolas técnicas, trabalhos de reciclagem, entre outros.
Ainda com foco na conservação ambiental, o governo dará apoio à organização produtiva de catadores de materiais recicláveis. Cerca de 60 mil catadores serão capacitados e 280 mil terão infraestrutura viabilizada. Outra medida é a construção de cisternas (reservatórios de água) para plantio, que deverão atender 60 mil famílias rurais. A criação de cisternas de água para consumo humano atenderá 650 mil famílias em dois anos e meio. Dilma prevê ainda acesso a energia elétrica para 257 mil famílias até 2014.

Agricultura familiar
O governo anunciou ainda a inclusão de 189 mil de agricultores familiares no Programa de Aquisição de Alimentos, que prevê financiamento a juros baixos. Com isso, subirá de 66 mil para 255 mil até 2014 o número de produtores rurais em extrema pobreza contemplados pelo programa.No total, entre produtores pobres e com renda média, o número de contemplados pelo PAA subirá para 445 mil até o final do mandato de Dilma.
Para acompanhar os agricultores, haverá uma equipe de 11 técnicos para cada mil famílias. O plano prevê ainda o fomento de R$ 2,4 mil por família, ao longo de dois anos, para apoiar a comercialização e produção de alimentos. O pagamento será efetuado por meio do cartão do Bolsa Família. Além disso, 253 mil famílias receberão sementes e insumos, como adubos e fertilizantes.
Haverá ainda um programa de microcrédito produtivo orientado, para população de baxa renda. O governo quer aumentar a parcela de recursos disponíveis nos bancos públicos destinada a empréstimos com consultoria sobre as possibilidades de aplicação do dinheiro. O objetivo é fazer com que as pessoas utilizem o crédito para consumo sustentável, como financiamento de casa própria.

Linha de pobreza extrema
O governo definiu a linha de pobreza extrema em R$ 70 per capita com base nas informações preliminares do Censo 2010, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o instituto, 11,4 milhões declararam ao censo ter renda de até R$ 70 per capita por mês.
A partir dos dados do IBGE, o governo identificou ainda 4,8 milhões de pessoas que vivem em área urbana ou rural e não têm banheiro exclusivo, acesso à rede geral de esgoto, ligação à rede de distribuição de água, poço artesiano ou nascente na propriedade. Somando o contingente com renda inferior a R$ 70 e sem acesso à água e rede de esgoto, o governo definiu o número de 16,2 milhões de pessoas a serem atendidas pelo Brasil sem Miséria. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, o programa tem como principal objetivo a “promoção da inclusão social e produtiva da população considerada extremamente pobre”.

Sinal verde para o PSD - TSE abre brecha para saída de partido rumo a novas siglas

Por Felipe Seligman, na Folha Online:

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) criou nesta quinta-feira uma janela possibilitando que políticos migrem para um novo partido em um prazo de até 30 dias, a contar de sua criação formalizada pela Justiça Eleitoral, sem que corram o risco de perderem o mandato por infidelidade partidária. A medida beneficia diretamente o PSD, sigla criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que ainda está em processo de formação. Esse novo partido já fez o registro civil em cartório, mas ainda não teve o registro aprovado pelo TSE.
Todos os políticos que já se associaram ao PSD poderão, portanto, mudar de partido sem que sejam considerados infiéis. A decisão, contudo, valerá para todos aqueles que quiserem mudar de partido no prazo estabelecido, mesmo que não tenham participado de atos anteriores à sua criação formal.
Ao responder a uma consulta formulada pelo deputado federal Guilherme Campos (DEM-SP), os ministros do tribunal entenderam, na noite desta quinta-feira, por unanimidade, que um político que migrar a uma nova sigla “estará acobertado pela justa causa para se desfiliar da legenda pela qual foi eleito”. A resolução do TSE que definiu as regras da fidelidade partidária, editada em 2007, estabeleceu três exceções para a troca de partidos: perseguição, mudança ideológica da legenda e a mudança para um novo partido.
O tribunal decidiu incluir nesta resolução o prazo de 30 dias a partir da formalização pelo TSE para que essa troca ocorra. Para que essa formalização seja requerida ao TSE, a nova sigla tem que ter ao menos 101 associados, já ter aprovado os dirigentes e publicado o estatuto, além de ter feito o registro civil da legenda em cartório. Além disso, o novo partido tem que apresentar um documento com o apoio de cerca de 490 mil eleitores –cerca de 0,5% dos votos válidos para o cargo de deputado federal espalhados por pelo menos 1/3 dos estados brasileiros.

A privatização dos aeroportos mostra que Dilma foi obrigada a aprender o que o governo FHC ensinou no século passado

Augusto Nunes
Como reagiriam as tropas do PT se José Serra ganhasse a eleição e, no quinto mês do mandato, anunciasse a reestatização da telefonia? Certamente exigiriam que o novo presidente, ajoelhado no milho e aos berros, pedisse perdão a Lula pelo equívoco monumental cometido por Fernando Henrique Cardoso. Pois bem: a reestatização das empresas telefônicas representaria para o PSDB o que representa para o PT a privatização dos três maiores aeroportos, anunciada nesta terça-feira por Dilma Rousseff. O que esperam os tucanos para escancarar a prova definitiva de que o palavrório sobre a “herança maldita” foi apenas uma pilantragem eleitoreira difundida pela seita que Lula conduz?
Para evitar o colapso dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, a superexecutiva que Lula promoveu a gerente de país tratou de assimilar às pressas a lição ministrada por FHC no fim do século passado: como a iniciativa privada é muito mais ágil, eficaz e competente que o mamute estatal, é preciso livrar certos setores da economia das garras federais. Durante quase 15 anos, a cegueira ideológica proibiu o PT de enxergar as incontáveis vantagens da privatização. Durante oito, a maioria dos caciques do PSDB fingiu não enxergá-las por miopia oportunista.
De costas para milhões de brasileiros que sempre compreenderam a relevância do legado da Era FHC, os candidatos José Serra e Geraldo Alckmin caíram no conto da “herança maldita” em três campanhas presidenciais sucessivas. Em 2010, caso fosse acusado por Lula e Dilma de planejar a privatização dos aeroportos, Serra certamente prometeria transferir a capital para Guarulhos. Depois desta terça-feira, talvez descubra que deveria ter repetido o que FHC escreveu num artigo publicado pelo Estadão em 2009.
“Lula se esqueceu dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares”, replicou o ex-presidente a mais uma agressão do sucessor . “Esqueceu que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal. Esqueceu que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada. Esqueceu que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país”.
Como Serra preferiu recitar declarações de amor à Petrobras, Dilma Rousseff, sem ser contraditada, atravessou a temporada eleitoral enfileirando falatórios que acabou de jogar no lixo. “Eu não entrego o meu país”, disse, por exemplo, em 10 de abril de 2010. “Não vou destruir o Estado, diminuindo seu papel. Não permitirei que o patrimônio nacional seja dilapidado e partido em pedaços”. Reeditou a falácia em 7 de outubro: “Nós somos contra a forma, o conteúdo e o sentido das privatizações”.
Uma semana depois, no programa eleitoral do PT, garantiu que FHC e Serra, juntos “venderam dezenas de empresas brasileiras e agora estão querendo voltar ao poder, já pensando em privatizar mais”. O eleitorado deveria optar pela candidata de Lula “para o Brasil seguir não privatizando”. O que espera Serra para exigir da presidente explicações para a abrupta mudança de rota?Dilma decerto dirá que a Infraero vai controlar 49% das ações e que o governo seguirá monitorando os aeroportos. Mentira. A estatal precisa dessa fatia para, daqui a alguns meses, ser também privatizada com algum lucro. Hoje não vale nada.
Fernando Henrique Cardoso merecia adversários menos boçais e aliados mais valentes, escrevi num post de 2010. Há algo de muito errado com um país em que um grande governante tem de recordar ele próprio o muito que fez. Desde janeiro de 2003, patrulheiros federais se valeram da meia verdade ou da falsificação grosseira para transformar em “herança maldita” um legado de estadista. A cada avanço dos vendedores de fumaça, os generais do PSDB se renderam sem combate.
A oposição oficial sempre comprou como verdades milenares as mentiras que o governo vende. A mais recorrente transformou a privatização no Grande Satã parido pelo neoliberalismo. Nesta terça-feira, Dilma tirou o demônio para dançar. O PT sabe que perdeu. Os líderes oposicionistas precisam saber que venceram ─ mas venceram sem luta. Talvez se animem a desfraldar a bandeira que, durante oito anos, mantiveram arriada por falta de altivez, visão política e coragem

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O passado que não passa.

Publicado no site VI O MUNDO - O que você não vê na mídia, por Luiz Carlos Azenha (http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/roque-pinto-o-passado-que-nao-passa.html)
A volta dos que não foram: ainda sobre a universidade pública na Bahia
Roque Pinto*
Descrevendo o golpe de estado perpetrado por Napoleão III em 1851, Karl Marx observou que alguns eventos históricos se repetem duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa.
Aqui, na Bahia de hoje, sem a opulência nem o ornamento da perspectiva histórica, mas com a mesma ferocidade de sangue que move a roda da história, a tragédia do caudilho maior precede o seu arremedo, como burla. Dizem que Antônio Carlos Magalhães gostava de repetir, com um sorriso na boca: “para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei.” Mas o governador Jaques Wagner, sindicalista de ontem que se traveste do novo Malvadeza de hoje, nem mesmo a justiça respeita. Apenas dela tripudia. Pois vejamos.
Neste momento mais de 400 professores, estudantes e funcionários das 4 universidades estaduais, representando um contingente de cerca de 5.000 professores e 60.000 estudantes, estão acampados na Assembléia Legislativa da Bahia, em Salvador, para que o governo reabra as negociações sobre o impedimento aos docentes de requerer qualquer melhoria salarial até 2014 e sobre a alteração de um decreto reeditado em fevereiro, que na prática transforma as universidades em apêndices da administração direta do estado, quitando-lhes a autonomia outorgada pela Constituição do Estado da Bahia.
Com a deflagração da greve dos docentes das universidades estaduais há quase dois meses, o governo da Bahia – cujo mandatário é, ironicamente, filiado ao PT – respondeu com intolerância e truculência, cortando o salário dos professores, inclusive os dias trabalhados. Através dos desembargadores que julgaram as liminares de cada um dos sindicados, a justiça baiana ordenou o pagamento imediato dos salários:
http://www2.tjba.jus.br/diario/diarios/479/479_caderno1.pdf
http://www.adusc.org.br/
Mas o governo Wagner não cumpriu as determinações legais e mantém a suspensão do estipêndio dos professores universitários.
Claro está que para o novo Cabeça Branca, na sua irrefreável ânsia de poderes imperiais, as leis e as hierarquias legais são meros obstáculos que podem ser atropelados sem maiores problemas pelo rolo-compressor da máquina pública.
E, no seu afã pantagruélico de poder, desapega-se de qualquer pudor: enquanto estrangula financeiramente as universidades públicas e corta mais de um bilhão de reais do orçamento de 2010, cria mais quatro novas secretarias de estado para acomodar seus aliados, impacientes com o destino das verbas para a Copa do Mundo de 2014.
Considerando o descumprimento da liminar que obriga o governo do Estado da Bahia a pagar o salário dos professores, o sindicato dos docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb) entrou com uma nova ação no Tribunal de Justiça, no dia 31 de maio, requerendo uma multa diária de R$100 mil e o seqüestro no valor de R$ 4 milhões do orçamento do Estado, a fim de garantir o dito pagamento. Além disso, foi pedida a prisão do Secretário de Administração do Estado da Bahia, Manuel Vitório e do Reitor da Universidade, Paulo Roberto Pinto dos Santos.
E a Associação de Docentes da Universidade de Feira de Santana (Adufs) pediu a prisão dos secretários de Educação e Administração, respectivamente Osvaldo Barreto e Manoel Vitório, e do próprio governador, Jaques Wagner, em uma representação criminal encaminhada ao Ministério Público.
http://www.adusb.org.br/noticias_ver.php?cod=651
http://www.radiosociedadeam.com.br/portal/noticia.aspx?nid=74247
http://ibahia.com/detalhe/noticia/professores-de-feira-de-santana-querem-prisao-de-jaques-wagner/
Mutatis mutandis, o antropólogo inglês Adrian Mayer transcreve as palavras de um cabo eleitoral local, numa investigação sobre as eleições no distrito de Dewas, na Índia: “todo homem sangra: a questão é saber qual a veia que se deve abrir para que ele sangre mais”.
O atual governador do Estado da Bahia, cuja imagem pública forjou-se nas lutas sindicais do setor petroquímico, deve sabê-lo. Decerto não por leituras especializadas, mas pela vivência dos enfrentamentos na longínqua época em que militava a favor dos trabalhadores.
Talvez por isso, agora, militando em causa própria, põe em prática, com uma brutalidade sem paralelo na história baiana recente, as mesmas táticas que combatia.
Sim, um fantasma ronda a Bahia: o do passado que não passa.
E sim, tem razão o dito indiano: todo homem sangra. Diria mais: quem sangra não esquece. Todo político deveria saber disso.

*Doutor em antropologia, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz

Se escapar do castigo, Palocci poderá juntar em 17 anos todo o dinheiro do mundo

Se enriqueceu sem pecar, Antonio Palocci poderia ter esclarecido o caso da multiplicação do patrimônio no mesmo dia em que foi divulgado pela Folha de S. Paulo. Bastaria solicitar aos clientes da Projeto que, para livrar o chefe da Casa Civil de constrangimentos e poupar o país de outra crise política, abrissem mão da cláusula de confidencialidade e permitissem a divulgação de informações básicas. Todos certamente o autorizariam a revelar os nomes das empresas que contrataram seus serviços e dizer quanto cobrou de cada uma. A opção pelo silêncio que já dura 17 dias foi o primeiro indício veemente de culpa.
O segundo foi a contratação do advogado José Roberto Batochio sem ter virado réu oficialmente. A terceira evidência de que Palocci tem culpa no cartório ocorreu nesta quarta-feira, assim que circulou a notícia de que o ministro fora convocado para depor na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados (veja o vídeo abaixo). Apavorados com a rachadura na blindagem, os chefes da aliança governista prometem fazer coisas de que até Deus duvida para impedir o depoimento. É provável que Palocci escape da ameaça. Mas algum dia terá de explicar-se. E não há explicações plausíveis.
“A crise é de inteira responsabilidade do Palocci”, diz o senador Walter Pinheiro, do PT baiano. “Não é do governo nem do PT”. Talvez seja, sugere a inquietação dos parceiros da base alugada. Sabe-se que a Projeto ganhou pelo menos R$ 20 milhões em quatro anos. Desse total, R$ 7,4  milhões foram gastos na compra de um apartamento e um escritório. Sobram R$ 12,6 milhões. Onde estão? Guardados em bancos? Embaixo de colchões? Foram aplicados de alguma forma? Não sobrou nenhum centavo para o partido? Só depois das respostas a tais perguntas o senador baiano saberá se pode mesmo dormir sem sobressaltos.
A destinação do dinheiro é tão nebulosa quanto a origem. Na reunião com Dilma Rousseff e os senadores do PT, o médico sanitarista admitiu que ganhou muito dinheiro como consultor econômico e financeiro. Mas limitou-se a revelar um único trabalho pesadamente remunerado (recebeu R$ 1 milhão em troca de “consultas” a duas empresas interessadas em fundir-se) e o preço de cada palestra que andou ministrando: entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. É improvável que tenha conseguido como palestrante os R$ 19 milhões que faltam. Nos últimos quatro anos, dispôs de 1.040 dias úteis (incluídos feriados e feriadões). A conta só fecharia se, paralelamente às atividades de deputado federal, Palocci tivesse feito 633 palestras, duas a cada três dias, cobrando o preço máximo por apresentação.
Caso consiga safar-se das evidências de que subiu na vida como traficante de influência, o ministro terá consumado um segundo milagre de espantar os santos mais poderosos. O primeiro foi a própria multiplicação do patrimônio, comprova a nota divulgada pelo jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no jornal O Globo. Diz o seguinte: “A conta, de brincadeira, claro, é do consultor Maurício Hissi, o Bastter. Se Palocci multiplicasse seu patrimônio por 20 a cada quatro anos, bastariam 17 anos para acumular R$ 129 trilhões (ou US$ 80 trilhões) e ser dono de todo o dinheiro do mundo”.
É difícil entender o apego de Palocci ao emprego. Não vai recuperar o poder que tinha. Melhor aproveitar a vida e disputar a liderança do ranking dos homens mais ricos do planeta.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Adutora do São Francisco: 46 mil metros de tubulação já foram assentados

Escavação, assentamento de tubulação, inserção de anéis de borracha, aplicação de pasta lubrificante para fixação do anel, encaixe dos tubos, recobrimento do solo. Estas atividades fazem parte da intensa rotina de oito horas diárias dos cerca de 60 operários que estão trabalhando na primeira fase da implantação da Adutora do São Francisco, cujo andamento está avançado: Já são 46 mil metros de tubulação instalados entre Itaguaçu da Bahia e Xique-xique, de onde a Embasa vai captar água do São Francisco para abastecer a microrregião de Irecê.
Este é o trabalho mais pesado da primeira etapa da obra, que prevê a implantação de 61 mil metros de adutora de água bruta, entre o ponto de captação, na localidade de Nova Iguira, município de Xique-xique, e Itaguaçu, onde está sendo construída uma Estação de Tratamento de Água (ETA) com capacidade para tratar 250 litros por segundo. Ao todo, 100 trabalhadores estão atuando no empreendimento, cujo investimento, na primeira etapa, é de R$ 75 milhões. A obra prevê ainda a implantação de 15 mil metros de rede distribuidora na cidade de Itaguaçu, e de cinco estações de bombeamento.
Mais recursos – A obra da Adutora do São Francisco será realizada em três etapas: a primeira, em execução, deve ser concluída nos próximos meses. Para a segunda etapa da obra, a Embasa firmou contrato de financiamento com o BNDES, no valor de R$ 31,57 milhões. O projeto desta fase já está pronto e compreende o trecho de adutora entre a ETA e a cidade de Central, a 37 quilômetros de Irecê. A terceira etapa da obra prevê a implantação da adutora de água tratada entre Central e Irecê, e a interligação da tubulação ao Sistema Integrado de Abastecimento de Água – SIAA Irecê. Da captação no Velho Chico até Irecê, a água para ser distribuída à população da região vai percorrer 122 quilômetros. A Adutora do São Francisco foi a alternativa encontrada para o atendimento a esta região, que vem sofrendo com a diminuição continuada dos níveis do lago da Barragem de Mirorós, que abastece cerca de 350 mil pessoas desde 1994.


Fonte: ASCOM EMBASA