terça-feira, 7 de junho de 2011

Sem perdão

O brasileiro não perdoa os bem sucedidos. Veja-se os casos de Fernando Henrique Cardoso, revista Veja, Rede Globo, Pelé que estão entre os mais notórios, e a caça implacável que se faz em busca de algum vestígio de queda ou decadência deles.
Mas ninguém dissecou melhor o caráter do brasileiro neste aspecto do que J. R. Guzzo. Transcrevemos o artigo publicado por ele.

Sem perdão

    O que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso poderia ter feito de tão ruim assim em sua vida, pública ou particular, para ser tão malquisto nessa escura nebulosa que é o mundo político brasileiro? O fato é bem conhecido já faz bom tempo, mas tende a ficar mais evidente em épocas de campanha eleitoral. Seus adversários, no PT e no governo do presidente Luiz Inácio da Silva, tentam demonstrar diariamente que Fernando Henrique continua sendo, oito anos após deixar a Presidência, o inimigo número 1 do povo brasileiro. Quase todos os que deveriam estar do seu lado fazem tudo o que podem para esconder que têm, ou tiveram, alguma coisa em comum com ele, qualquer que seja. Por que isso? A hipótese mais provável é talvez a mais simples: o que não se perdoa ao ex-presidente é o seu sucesso. O Brasil, por força de teimosa tradição, em geral não convive bem com o êxito; na célebre definição do compositor Tom Jobim, sucesso, por aqui é “insulto pessoal”, tanto para inimigos como para amigos de ocasião. Em vez de admiração, provoca ressentimento. Em vez de afeto, atrai inimizades. Produz inveja, despeito, rancor, mesquinharia – enfim, põe em modo operacional toda uma coleção de traços que estão entre os menos atraentes da personalidade humana.
     Falar mal de Fernando Henrique Cardoso tornou-se, ao longo dos últimos anos, um esporte nacional, sobretudo entre os que se chama de “elite brasileira”. É um dos passatempos preferidos da maioria dos nossos mais lustrosos capitães de indústria (ou de comércio, ou de finanças), fornecedores do estado ou empreiteiros de obras públicas – algo que transparece, aliás, nas doações de quase 45 milhões de reais feitas entre janeiro e julho para a candidatura oficial, mais do que o dobro do que se deu à oposição. A popularidade do ex-presidente é igualmente baixa entre os colossos do nosso mundo político, a começar pelos que têm as quilometragens mais longas, e os prontuários mais grossos, nesse tipo de ocupação. Não gostam dele, de modo geral, professores universitários, cientistas políticos, analistas de imprensa, economistas, grandes vultos da cultura nacional – e possivelmente, como diria a socialite-celebridade Eleonora Rosset, o resto da intelligentsia brasileira, “de Marilena Chaui a Hebe Camargo”. O desapreço por Fernando Henrique, enfim, acabou se tornando um fenômeno interpartidário. Começou com o PT e o “Fora FHC”, por questões de estratégia e marquetagem política – era preciso “desconstruí-lo”, pois era ele o inimigo a abater. Com o tempo, os seus próprios aliados passaram a acreditar no que dizia o PT – e, por questões de estratégia e marquetagem política, decidiram afastar-se dele, convencidos de que “FHC custa votos”. Resulta que estamos na terceira campanha eleitoral seguida em que a prioridade do PSDB é fazer de conta que não tem nada a ver com Fernando Henrique. Ele foi o único presidente que o partido elegeu até hoje – já no primeiro turno, por sinal, das duas eleições que disputou e justamente contra o atual presidente Lula. Mas desde janeiro de 2003 não serve mais; tornou-se, politicamente, uma espécie de portador de doença contagiosa.
    Os pecados dos quais Fernando Henrique é acusado pelos que sempre foram seus inimigos políticos e pelos que deixaram de ser amigos são numerosos demais para caber numa mera página de revista. Há alguma coisa errada no Brasil? Deu problema? Está com defeito? A culpa é dele, e ainda não deu tempo para consertar. Entende-se melhor o espírito da coisa quando se verifica que a acusação talvez mais repetida descreve o ex-presidente como “arrogante” ou “vaidoso” – uma escolha realmente infeliz de palavras, pois comparado ao seu sucessor nesse quesito, justo nesse, o homem chega a parecer um monge trapista. Mais que tudo, porém, foi vendida e comprada a lenda segundo a qual ele deixou o país “em ruínas” e passou um “herança maldita” para o presidente atual. Mas o que aconteceu no mundo dos fatos foi exatamente o contrário. A verdade é que pouco do que existe de positivo no Brasil de hoje não está ligado, de alguma forma, aos dois períodos de Fernando Henrique na Presidência. Não é preciso complicar as coisas. Foi seu governo que finalmente encarou e venceu a inflação no Brasil – ou teria sido algum outro? Em cima desse alicerce, no qual não se mexeu em nada, foi construído a casa que está de pé até hoje, a começar pelos aumentos reais de renda que tiraram milhões de brasileiros da pobreza e que agora são descritos como a maior conquista da história nacional.
    Para isso não há perdão.

‘A reforma política já chegou’

CRÔNICA PUBLICADA NO GLOBO DESTE DOMINGO
João Ubaldo Ribeiro
Suspeita-se na ilha que a propalada operação de safena a que se submeteu recentemente Zecamunista foi na verdade um implante criado pela diabólica medicina da União Soviética, que, quando não mata, como foi o caso de Zeca, injeta tamanha dose de energia no indivíduo que ele sozinho vale por todo um Politburo, coisa braba mesmo, do tempo do camarada Stalin Marvadeza e da NKVD. Não sei se os rumores procedem, mas de fato Zeca, exibindo a cicatriz do peito por trás de uma correntinha com uma foice e um martelo e umas contas de Xangô (quando uma vez eu perguntei a ele que mistura era essa, ele me deu um sorriso de desdém e respondeu apenas que não era materialista vulgar), está mais elétrico do que nunca. Na hora em que o peguei, ele ainda recebia abraços e apertos de mão pela palestra que acabara de fazer no bar de Espanha, esclarecendo a todos sobre o sistema político brasileiro. Infelizmente, perdi a palestra, mas ele, muito modestamente, me disse que não tinha sido nada de mais.
- Foi o bê-á-bá – disse ele. – Comecei pela questão da soberania.
- Ah, sim, a soberania popular. Todo poder emana do povo, etc., isso é muito bonito.
- Bonito pode até ser, mas não é verdade. Foi isso que eu disse a eles. Expliquei que soberania é o direito de fazer qualquer coisa sem dar satisfação a ninguém. E quem é que aqui tem o direito de fazer o que quiser, sem dar satisfação a ninguém, é o povo? Claro que não. É, por exemplo, o deputado, que se cobre de todos os tipos de privilégios e mordomias, se trata melhor do que o coronel Lindauro tratava as mucamas e, quando alguém reclama, ele manda esse alguém se catar, isso quando dá ousadia de responder, porque geralmente não dá. Todos eles fazem o que querem e não têm que prestar contas, a não ser lá entre eles mesmos, para ver se algum não está levando mais do que outro, nisso eles são muito conscienciosos. Fiz que nem Marx, botei a história de cabeça para baixo. Não foi o rei Luís XIV que disse que o Estado era ele? Pois aqui não, aqui o Estado é o governo, é grana demais para um rei só, tem que dar para todos os governantes, cada um com seu quinhão. O Estado são eles e é deles, tem que meter isso na cabeça e parar de pensar besteira. Antes de qualquer postura abestalhada, vamos encarar a realidade objetivamente, não tem nada de povo, povo não é nada, tem mais é que botar o povo pra comprar bagulho sem entrada e sem juros e cuidar do que interessa ao País.
- E o que é que interessa ao País?
- Ô inteligência rara, o que interessa ao País é o que interessa a eles. Que todos eles continuem se locupletando numa boa, não tem nada que mexer em time que está ganhando. Você viu isso muito claramente no caso do Palocci, não viu? Não se mexe em time que está ganhando.
- Que caso do Palocci, o caso do caseiro?
- Que caso do caseiro, cara, deixe de ser leso, o caso do caseiro já entrou para as piadas de salão do PT. Estou falando no caso do dinheiro que dizem que ele ganhou por cultivar bons contatos. Você viu, pegou mal, ficou aquele mal-estar e aí o que é que aconteceu? Exatamente isso que você vai dizer, mas deixe que eu digo. Aconteceu que era mais um trabalho para o Super-Lula! Eu vou ter que dar a mão à palmatória, o bicho não é inteligente, não, ele é um gênio, gênio. Você viu como, com dois beliscões aqui e três cascudos ali, ele enquadrou todo mundo e tudo entrou nos eixos? Mas, ainda mais que isso, muito mais que isso, ele fez a reforma política! Ele fez a reforma política e, como se diz nas operações policiais, sem disparar um único tiro!
- Pode me chamar de leso outra vez, porque não entendi que reforma.
- O bipresidencialismo! Dois presidentes, em lugar de um só! E isso sem precisar mudar nada na Constituição, já está aí, já está em operação, não é preciso alterar lei nenhuma, esse cara é um gênio mesmo. É por isso que ela faz tanta questão de ser chamada de presidenta, eles já deviam ter combinado isso desde o comecinho da campanha eleitoral. Presidente é ele, presidenta é ela. Governante é ele, governanta é ela. O entrosamento é perfeito. Ele não suporta trabalhar e aí o trabalho todo de despachar, ler, discutir, assinar etc., ela faz. Das jogadas políticas, dos discursos, das viagens e das mensagens na TV ele cuida. E de mandar sancionar ou vetar o que for necessário, claro. Fica perfeito, como com o casal que não briga pelo pão porque um só gosta do miolo e o outro da casca. Ele criou – e ainda por cima com os votos do otariado todo – o bipresidencialismo, que já veio com ele de fábrica, ele é um gênio!
- E você acha que isso vai funcionar mesmo?
- Já está funcionando. Trouxa será aquele que, querendo coisa graúda do governo, não vá falar com ele primeiro. E mais trouxa será quem o contrariar. Caso perfeito para quem acha que não se mexe em time que está ganhando. Não mudou nada, tudo continua na mesma, só que agora o presidente não apenas conta com uma supergovernanta para cuidar do trabalho chato, como continua mandando, e ainda com a vantagem de ter alguém para levar a culpa, se alguma coisa der errado, pois, como diziam os antigos, a vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã, quem mais sabe disso é ele.
- Zeca, você realmente está muito inspirado hoje. Esse bipresencialismo que você sacou está muito bem pensado, ele continua mandando mesmo e deixando isso bem claro. Mas eu me lembro de você dizendo, antes da eleição, que, se ela ganhasse, em pouco tempo nem mais o cumprimentaria.
- Bem, eu subestimei a governantabilidade dela. E, além disso, beija-mão não é bem um cumprimento

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma geração de predadores

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio - 3 de junho de 2011

Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano. Não posso medi-lo pela produção literária, que veio rareando até tornar-se praticamente inexistente num país que já teve alguns dos melhores escritores do mundo. Meço-a pelas teses universitárias que me chegam, cada vez mais repletas de solecismos e contra sensos grotescos, pelos comentários de jornal, pelos pronunciamentos das chamadas “autoridades” e, de modo geral, pelas discussões públicas. Em todo esse material, o que mais salta aos olhos não é o vazio de ideais, não é a estupidez dos raciocínios, não aaé nem mesmo a miséria da linguagem: é a incapacidade geral de distinguir entre o essencial e o acessório, o decisivo e irrelevante. Não há problema, não há tema, não há assunto que, uma vez trazido ao palco – ou picadeiro -, não seja infindavelmente roído pelas beiradas, como se não tivesse centro, um significado, um sentido em torno do qual articular uma discussão coerente. Cada um que abre a boca quer externar apenas algum sentimento subjetivo deslocado e extemporâneo, exibir bom-mocismo, angariar simpatias ou votos, como se tratasse de uma rodada de apresentações pessoais num grupo de psicoterapia e não de uma conversa sensata sobre – digamos – alguma coisa. A coisa, o objeto, o fato, o tema, este, coitado, fica esquecido num canto, como se não existisse, e depois de algum tempo cessa mesmo de existir. A impressão que me sobra é a de que toda a população legente e escrevente está sofrendo de síndrome de déficit de atenção. Ninguém consegue fixar um objeto na mente por dez segundos, a imaginação sai logo voando para os lados e tecendo, embevecida, um rendilhado de frivolidades em torno do nada.
Se me perguntarem quais são os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade:
1) A matança de brasileiros, entre quarenta e cinqüenta mil por ano.
2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer país vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a liberação do narcotráfico – o maior prêmio que as Farc poderiam receber por décadas de morticínio.
3) A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de nações bem mais pobres; num país, mais ainda, onde se aceita como ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra “cabeçalho” porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema escolar é ensinar às crianças as delícias da sodomia – sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada das partes anatômicas envolvidas.
4) A falta cada vez maior de mão-de-obra qualificada de nível superior, que tem de ser trazida de fora porque das universidades não vem ninguém alfabetizado.
5) A dívida monstruosa acumulada por um governo criminoso que não se vexa de estrangular as gerações vindouras para conquistar os votos da presente, e que ainda é festejado por isso como o salvador da economia nacional.
6) A completa impossibilidade da concorrência democrática num quadro onde governo e oposição se aliaram, com o auxílio da grande mídia e a omissão cúmplice da classe rica, para censurar e proibir qualquer discurso político que defenda os ideais e valores majoritários da população, abomináveis ao paladar da elite.
7) A destruição completa da alta cultura, num estado catastrófico da favelização intelectual onde a função de respiradouro para a grande circulação de ideais no mundo, que caberia à classe acadêmica como um todo, é exercida praticamente por um único individuo, um último sobrevivente, que em retribuição leva pedradas e cuspidas por todo lado, especialmente dos plagiários e usurpadores que vivem de parasitar seu trabalho.
Se me perguntarem a causa desses oito vexames colossais, digo que é coisa mais óbvia do mundo: quarenta anos atrás, as instituições que se gabam de ser as maiores universidades brasileiras lançaram na praça uma geração de pseudo-intelectuais morbidamente presunçosos, que na juventude já se pavoneavam de ser “a parcela mais esclarecida da população”. Hoje essas mentes iluminadas dominam tudo -, moldando o país à sua imagem e semelhança. Matança, dívidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, é tudo mérito de um reduzido grupo de cérebros de péssima qualidade intoxicados de ideais bestas e vaidade infernal. Dentre todas as gerações de intelectuais brasileiros, a pior, a mais predatória, a mais destrutiva.
Se querem saber agora por que os temas fundamentais não podem ser enxergados e discutidos na sua essência, por que as atenções são sempre desviadas para detalhes laterais e por que, em suma, nenhum problema neste país tem solução, a resposta também não é difícil: quem molda os debates públicos, por definição, é a elite dominante, e esta não permite que nada seja discutido exceto nos moldes do seu vocabulário, dos seus interesses, da sua agenda, da sua ambição megalômana, da sua auto-adoração abjeta.
Enquanto vocês não perderem o respeito por essa gente, nada de sério se poderá discutir no Brasil.



Cientista denuncia viés da ONU pelo alarmismo ambientalista


Quando nossos amigos “verdes” da ONU perceberão que não é boa idéia fazer predições de desastres vindouros?, indagou o cientista Patrick Michaels, do CatoInstitute, em seu blog em Forbes.
De fato, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) em 2005 predisse que em 2010 haveria 50 milhões de “refugiados climáticos”
‒ população que emigra por causa do mau clima. O UNEP até elaborou um mapa mostrando exatamente de onde emigrariam todos esses milhões.
Nos censos recentes se verifica que foi um erro mortal, diz Michaels. Pior ainda, a população está crescendo rapidamente onde o UNEP dizia que iria emigrar.
O realejo “verde” insistia que fluxos de refugiados sairiam das ilhas tropicais de nível pouco acima do mar, por causa dos furacões cada vez piores e mais freqüentes.


O caso de figura deveria ser as Bahamas que têm mais ciclones que qualquer outro lugar da terra. Entretanto a população aumentou 14% desde o ano 2000. E as ilhas Salomão se saíram melhor: mais 20%. Nas Seychelles os habitantes cresceram 9%.
Para o cientista, a história recente revela que os órgãos da ONU funcionam como uma central sistemática de desinformação climática.
Michaels aponta alguns dos exageros inverossímeis, aliás já desmentidos, espalhados pelo Painel Intergovernamental para as mudanças climáticas
‒ IPCC, e seu autoproclamado e inexistente consenso na ciência climática.
Quando o governo da Índia desmentiu a fantasia do IPCC segundo a qual desapareceriam os glaciares do Himalaia que alimentam o rio Ganges, o chefe do IPCC, o indiano Rajenda Pachauri, respondeu que o governo indiano apelava a uma “ciência vudu”.
Mas, agora, diz Michaels, verifica-se que o grande aprendiz de vudu é a ONU e seu órgão, o IPCC.
No mesmo relatório, o IPCC sustentava que 55% da Holanda já estavam abaixo do nível do mar. Ainda defendeu que em nove anos o crescimento da vegetação tropical diminuiria pela metade em virtude de um massivo declínio das chuvas anuais.
Todos estes erros se devem a um azar? perguntou Michaels.

Os cientistas são humanos e podem errar. Mas, responde Michaels, o esquisito é que as gafes da ONU têm sentido único. Nunca se encontra um erro na outra direção, quer dizer, subestimar as mudanças climáticas.
Em cada “erro”, o IPCC apelou para literatura que não foi conferida no sistema “peer-review”.

Num trabalho sem viés ideológico deveria haver possibilidades mais ou menos iguais de erro num sentido ou num outro. E o modo de corrigir os erros seria dar liberdade aos cientistas para agir normalmente.
Qual é a probabilidade de que uma moeda caia do mesmo lado seis vezes sucessivas? É 0,015%.
Porém, os cientistas da ONU consideram que um nível de 0,05% de probabilidade é um nível suficiente para achar que uma hipótese pode ser aceita, conclui Michaels.
E com esse grau de probabilidade de estarem certos pretendem reformar o mundo e pô-lo de ponta cabeça!

domingo, 5 de junho de 2011

Carta do padre Camilo Torrend escrita em 1932 pedindo uma estrada à Gruta dos Brejões

   
Em 1932, o Cel. Teotônio Dourado Filho, “figura de relevo no município de Irecê”, foi a Salvador a fim de conseguir com o então interventor federal, Ten. Juracy Magalhães, a construção de estradas ligando Irecê à capital baiana e ao São Francisco. Na oportunidade, o Padre Torrend dirigiu-lhe uma carta, na qual lhe pedia “a feitura de uma estrada ligando a Gruta dos Brejões à capital, bastando para isso a construção de um pequeno trecho”.
     A carta, que transcrevemos na íntegra, respeitando a ortografia da época, é a seguinte:
    
Collegio Antonio Vieira, aos 10 de Setembro de 1932.
    
Prezado amigo Cel. Theotonio Dourado Filho.
     Com grande prazer soube que o meu amigo está empenhado em sulcar o município de Morro do Chapéo com estradas de rodagem, uma dellas para Chic-Chic e o São Francisco, e a outra para a zona diamantina, Lençóis e Andarahy. Assim, devido especialmente a seus esforços e a sábia coadjuvação do governo atual, pode-se atingir a Barra do São Francisco em dois dias e meio.
     Tomo porém a liberdade de lembrar a meu bom amigo que nos seus traçados de estradas novas não deve esquecer a Gruta dos Brejões nas margens da Vereda Romão Gramacho, mais conhecida com o nome de rio Jacaré.
     Com effeito tenho a impressão que seria um grande erro se, ao traçar essas estradas, não se pensasse em tornar accessível aos turistas bahianos, brazileiros e estrangeiros uma das maiores maravilhas em Speleologia do mundo inteiro.
     Sem dúvida existem grutas innumeras na velha Europa ou nos Estados Unidos mais extensas que a Gruta dos Brejões, por exemplo a Mammouth Cave com 112 kilometros de comprimento. A própria gruta de Mangueira, em Ituassu, conforme ouvi contar, pois não a conheço de vista, tem uma extensão de cerca de uma légua. Existem outras grutas mais abundantes em águas subterrâneas como as da Terra Ronca e do rio Angélica em Goyaz, visitadas por nós; outras, na Europa com lagos interiores, barcos, electricidade e todo o conforto para passeios e distrações variadas, mas nenhuma que eu saiba, é tão imponente pela entrada, e pelos salões gigantescos de dentro, sem falar nos rendilhados de suas estalactites e estalagmites que tomam os feitios mais bizarros, de balaustradas, mesas redondas, tremias ocas em forma de enormes tinas photographicas, etc. etc.
     Logo que houver facilidade de acesso estou certo que muitos amantes da Natureza irão admirar aquellas maravilhas, e os desfiladeiros das serras adjacentes, talhados na rocha calcárea, nos tempos idos, fins da era terciária ou princípios da quaternária, pelo rio Jacaré, então possante e caudaloso, quando os seus esforços titânicos de embate contra a serra em “cul de sac” ou becco sem sahida, se por um lado, num movimento de recuo, talhava um leito espaçoso num Valle lateral, por outro lado, conseguindo enfim abrir uma furna na immensa muralha que lhe embargava a rectidão do curso, acabou por atravessar a montanha por legoa e meia, em curso subterrâneo e a 30 metros de altura acima do nível actual.
     No seu traçado de estradas nas vizinhanças da gruta não convem esquecer tão pouco aquelle leito secundário do rio Jacaré, hoje completamente secco, onde elle corria antes da perfuração da serra, ou mesmo depois, quando a furna não dava vasante às enchentes que se accumulavam à entrada della.
     Julgo que de Mucambo até Brejões o próprio leito antigo do rio poderia servir de estrada, numa extensão de mais de uma légoa, estrada alias que seria extremamente pittoresca, não só por ter sido cavada pela natureza, mas ainda mais pela beleza peregrina das columnas de erosão, restos da rocha calcárea, que lhe servem de parapeito.
     Allias Mucambo é interessante por muitos motivos. Em primeiro logar por que ahi termina a gruta, e uma série de grutas derivadas da principal, por onde jorravam as águas depois de seu percurso subterrâneo; em segundo logar por que ainda hoje ahi brota outra vez à luz o actual rio Jacaré, perdido num sumidoiro na entrada da gruta, embora reduzido a proporções minúsculas em comparação das correntes formidáveis que nas eras longínquas brocaram a serra calcárea por uma extensão de legoa e meia; enfim é também em Mucambo que se offerecem os documentos mais insophismáveis que conhecemos sobre as bandeiras do famoso Robério Dias, pois numa pequena gruta do lado opposto à saída da grande gruta, se encontram numerosas inscripções dos bandeirantes portuguezes, e entre ellas as iniciais bem viziveis do seu chefe mais famoso, ROB. D. Aliás, a 4 légoas do Morro do Chapéo, como o meu amigo sabe melhor do que eu, se encontra o logar, ainda hoje chamado Izabel Dias, nome da irmã de Roberio Dias, com numerosas inscripções e monogramas de Belchior e Roberio Dias, que seu saudoso filho, Dr. Ottacilio, e meu discípulo no collégio Antonio Vieira, tinha cuidadosamente copiado. Tudo isso parece indicar que Roberio Dias, a sua irmã Izabel e seu pae Belchior moraram naquellas grutas solitárias ou faziam dellas o centro preferido de suas excursões, sem contudo, terem notícia da entrada da gruta dos Brejões, pois uma extensa matta virgem lhe tapava a entrada. Creia-me sempre seu dedicado amigo – PADRE CAMILLO TORREND, s. j.”
    
    

Pagamento de professores em greve é garantido pelo STF

Davi Lemos
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cézar Peluzo, negou o pedido de suspensão de liminar impetrado pelo Governo do Estado, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), e fica mantida a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que determina o pagamento dos salários dos professores das universidades estaduais baianas, em greve desde o dia 26 de abril.
A decisão do STF foi tomada no final da tarde de sexta-feira (3), segundo informação do membro da Associação dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia (Aduneb), o professor Sander Prates Viana. O processo consta da página do Tribunal e está registrado sob o número “SL 523”. Em contato com a assessoria de imprensa da PGE, A TARDE apurou que a decisão deve ser comunicada ao governo estadual só a partir de segunda-feira (6).

A PGE reiterou informação divulgada na edição do A TARDE (página A4) deste sábado, segundo a qual cumpriria a decisão judicial, mesmo a que já havia sido determinada, por liminar, pelo TJ-BA, segundo parecer do desembargador Gesivaldo Britto, em 17 de maio. A TARDE teve a informação de que o pagamento só não foi já realizado por conta de “problema técnico-operacional” que impediu o cumprimento da liminar do TJ-BA.

Com a folha já fechada, a Secretaria de Administração (Saeb) não teve como gerar nova folha. A reportagem tentou contato, por celular, com a assessoria de imprensa da Saeb, para confirmar a versão, mas não obteve êxito.
Pressão - Ainda assim, os professores das universidades estaduais mantêm pressão sobre o governo estadual, mesmo com o acordo firmado sexta-feira – o governo não mais vetaria os aumentos salariais pelos próximos quatro anos, mas apenas incorporaria a gratificação por condições especiais de trabalho (CET) ao salário nos próximos dois anos.
 
Por conta do descumprimento da liminar do TJ-BA, os docentes fizeram reforço no pedido, comunicando o fato ao Tribunal. “Ocorreu crime de desobediência de decisão judicial, que poderia gerar pena de prisão ao governador ou  bloqueio das contas públicas. Além disso fizemos uma representação junto à Assembleia Legislativa para que seja investigada improbidade administrativa e crime de responsabilidade do governo”, disse Sander Prates Viana, professor de curso de Direito na Universidade do Estado da Bahia, Campus de Jacobina.

sábado, 4 de junho de 2011

Mais uma da pasta de Haddad, o incansável - MEC gasta R$ 14 milhões para imprimir 7 milhões de livros e ensinar que 10 menos 7 são 4


O Ministério da Educação pagou R$ 13,6 milhões para ensinar que dez menos sete é igual a quatro a alunos de escolas públicas da zona rural do país. No segundo semestre de 2010, foram distribuídas com erros graves 200 mil exemplares do Escola Ativa, material destinado às classes que reúnem alunos de várias séries diferentes.
Foram impressos ao todo 7 milhões de livros - cada coleção do Escola Ativa contém 35 volumes. Os erros foram detectados no início do ano, e um grupo de especialistas contratados pelo ministério julgou que eles eram tão graves, tão grosseiros e tão numerosos que não bastava divulgar uma “errata” à coleção.
Os livros com erros foram distribuídos a 39.732 classes multisseriadas da zona rural, presentes em 3.109 municípios e todos os Estados do país. Segundo publicação do MEC, essas classes atendem 1,3 milhão de alunos.
Provocado pelo Estado, o ministro da Educação, Fernando Haddad pediu à Controladoria-Geral da República (CGU) a abertura de sindicância para apurar o tamanho do prejuízo e os responsáveis por ele. Ao mesmo tempo, mandou uma carta aos coordenadores de escolas da zona rural recomendando que os livros do Escola Ativa não sejam usados em sala de aula. A coleção foi retirada do ar também na internet.
“O número de erros é razoável, isso não se resolve com errata”, disse Haddad ao estado, na tarde desta sexta-feira. A reportagem busca informações do MEC sobre o destino da coleção Escola Ativa desde segunda-feira. “Houve uma falha de revisão, essa revisão foi muito malfeita”, admitiu o ministro, insistindo que se trata de um material de apoio às classes multisseriadas no campo. “A interrupção do uso não vai comprometer o ensino, porque esse é um material de uso opcional”, completou.
A última versão da coleção do Escola Ativa teve a impressão encomendada à gráfica e editora Posigraf, de Curitiba. Segundo registro no Portal da Transparência, site mantido pela Controladoria-Geral da União, o trabalho custou aos cofres públicos exatos R$ 13.608.033,33.
O dinheiro seria suficiente para a construção de 36 escolas de educação infantil, segundo cálculo usado recentemente pelo próprio ministério. As 200 mil coleções foram impressas e distribuídas no segundo semestre do ano, sem que percebessem as falhas na edição.
Erros primários. O MEC informou não ter toda a coleção disponível para a consulta em Brasília. Mas, entre os exemplos que condenaram a edição, os erros de matemática são os mais notáveis. Na página 29 do Guia 4 de Matemática, o Escola Ativa convida os alunos a fazer descobertas com números, na companhia dos personagens Joana e Pedro. A página apresenta uma tabela na qual, na qual 10-7=4.
A página 138 do Guia 3, também de Matemática, apresenta tabelas de adição e subtração, para que os alunos confiram os resultados de operações com números entre 9 e 18. Nas tabelas, o Escola Ativa, o aluno da zona rural aprende que 16-8=6 e 16-7=5.
A pedido do MEC, a Controladoria-Geral da República deve abrir sindicância nesta segunda-feira para investigar o caso. O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC à época da contratação era André Lázaro, atual secretário executivo da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Na última segunda-feira ele disse que a coleção ficara indisponível “para pequenas correções”. Na sexta, não respondeu à reportagem.