domingo, 7 de agosto de 2011

Casas entregues por Dilma na Bahia são do tipo que… DESABA!!! Ah, também não havia água!

06/08/2011
às 6:29

Por Letícia Linas, no Globo:

Os primeiros moradores do Residencial São Francisco, conjunto habitacional do “Minha Casa Minha Vida” inaugurado nesta sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Juazeiro (BA), encontraram na entrada de cada bloco de prédios uma placa advertindo para que não façam reformas, sob risco de “danos à solidez”. É que os prédios foram construídos com a tecnologia “alvenaria estrutural”, que os levou a serem conhecidos no Nordeste como “prédios-caixão” - sem pilotis e com alicerces em alvenaria, mas de estabilidade discutível.
O sistema é muito adotado na Região Metropolitana de Recife, mas tornou-se um problema para os mutuários e para o governo do estado. Na Grande Recife, existem dez mil prédios do tipo “caixão”, mas estudos acadêmicos revelam que cerca de 60% deles apresentam algum tipo de risco. Destes, 12 já desabaram, inclusive fazendo vítimas fatais.
Um diagnóstico recente feito pelo governo de Pernambuco indicou que 340 desses imóveis estão com alto risco de desabamento, e dezenas foram interditados, a maior parte nos municípios de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, os mais importantes da Região Metropolitana.
A Secretaria das Cidades de Pernambuco realiza atualmente um levantamento para saber se é possível recuperar algum desses imóveis. Muitos terão que ser demolidos. Quase todos foram financiados pelo governo, via Caixa Econômica Federal, como ocorre com o “Minha Casa Minha Vida”, que está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
No residencial inaugurado nesta sexta-feira - que, segundo a prefeitura de Juazeiro, é o maior conjunto habitacional do “Minha Casa Minha Vida” -, há vários avisos: “Os edifícios que compõem o empreendimento foram construídos em alvenaria estrutural, não podendo ser feitos nenhuma abertura ou rasgo em qualquer parede do edifício, muito menos remoção de parte ou totalidade de qualquer parede. O descumprimento dessas orientações poderá causar danos na solidez ou segurança do edifício”.
O conjunto custou mais de R$ 61 milhões ao governo federal. E nesta sexta-feira a presidente assinou ordem de serviço no valor de R$ 49,78 milhões, para financiar mais 1,2 mil moradias, dentro do novo PAC-2.
O conjunto inaugurado nesta sexta-feira, com 1,5 mil apartamentos, também apresentou um outro problema para os primeiros moradores, que chegaram lá na última terça-feira. Desde então, falta água nas torneiras, como relataram alguns moradores.
A manicure e dona de casa Soraya Silva, de 25 anos, três filhos e grávida do quarto, que morava na favela Ipiranga II, no município de Juazeiro, a 500 quilômetros de Salvador, sem água e sem esgoto, estava andando mais de 300 metros para buscar água com vizinhos e já havia apelado uma vez para o caminhão-pipa: “Tomar conta de casa com três meninos no seco é difícil”.
A Caixa negou que os imóveis estivessem sem água, mas o problema foi detectado pelo GLOBO e confirmado nos poucos apartamentos já habitados. O diretor do Sistema de Abastecimento de Juazeiro, Joaquim Neto, afirmou que os novos moradores precisam requisitar ligações individuais para que tenham o abastecimento regularizado.

Flagrado, lobista espanca jornalista de VEJA e faz ameaças à sua família. É inútil! A revista continuará a fazer o seu trabalho


Corruptos não gostam de jornalistas como Rodrigo Rangel e de uma 
revista como VEJA, mas os leitores e o Brasil gostam
Corruptos não gostam de jornalistas como Rodrigo Rangel e de uma revista como VEJA, mas os leitores e o Brasil gostam

Reproduzo, abaixo, a “Carta ao Leitor” da VEJA desta semana. Ela relata as agressões do “doutor” Júlio Fróes contra o editor Rodrigo Rangel. Agora eles não querem mais “controlar” mídia; decidiram que é o caso de espancar os jornalistas.
*
Ao longo de quase 43 anos de existência, VEJA teve de driblar a censura da ditadura militar, foi ameaçada por extremistas de direita e de esquerda e tornou-se alvo de campanhas difamatórias promovidas por mercenários da escrita bancados pelo governo petista. Na semana passada, em Brasília, o ataque deu-se no nível da agressão física a um jornalista de VEJA. No fim da tarde da última quinta-feira, o editor Rodrigo Rangel, da sucursal da revista na capital do país, cumpria uma das obrigações elementares do bom jornalismo: ouvir o outro lado da história. A história em questão tem como personagem principal o lobista Júlio Fróes. Como revela a reportagem que começa na página 64 desta edição, Fróes montou sua base de operações no Ministério da Agricultura. Ali, manipulava licitações para beneficiar empresas e subornava funcionários públicos com “pacotes de dinheiro”. Tudo com o aval e o conhecimento dos graúdos que cercam o ministro Wagner Rossi. O lobista, embora não tenha nenhum vínculo formal com o Ministério da Agricultura, gozava de tratamento vip, como usar a entrada e o elevador privativos do ministro. Na repartição, era conhecido como “doutor Júlio”.
O jornalista de VEJA foi entrevistar o “doutor” num restaurante, para tentar entender a origem de tantos privilégios. A conversa durou trinta minutos. Confrontado com os fatos apresentados por Rangel, o lobista Fróes, sem poder refutá-los, passou a fazer ameaças. Perguntou se o jornalista tinha mulher e filhos. Nesse ponto, Rangel achou mais prudente dar a entrevista - integralmente gravada - por encerrada. Quando ele se levantou da mesa, porém, Fróes puxou-o pelo braço, aplicou-lhe uma gravata e joelhadas na barriga e no rosto. Rangel foi jogado contra uma mesa. Antes de fugir, o “doutor” ainda roubou o bloco de anotações do repórter. A agressão, testemunhada por mais de uma dezena de clientes e funcionários do restaurante, foi comunicada à polícia. O jornalista, com um dente quebrado, fez exame no Instituto Médico Legal. Ao longo de quase 43 anos de existência, VEJA ultrapassou toda sorte de obstáculo para exercer sua missão de fiscalizar o poder e denunciar os que subtraem a nação. Não será a violência física do “doutor Júlio” que mudará essa história.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Política não é para amadores

Houve um tempo em Antonio Carlos Magalhães elegia quem ele queria, como Lula hoje. É claro que os petistas e afiliados odeiam relembrar isto. Em 1982 Clériston Andrade era o candidato de ACM ao governo do Estado da Bahia. Eram favas contadas. Mas houve um acidente de helicóptero e Clériston foi uma das vítimas. Quem ACM escolheria para substituí-lo? Era a pergunta que se fazia. E o escolhido foi João Durval Carneiro, carlista de quatro costados. O resultado é conhecido. ACM era imbatível e elegia quem indicasse.  Agora João Durval está de volta ao noticiário e em circunstância vexaminosa, como viram. Há um elemento asqueroso aí que gosta de chamar todo mundo de baba ovo quando detecta algum apoio ao prefeito. Como se chamaria então, a atitude de João Durval? Enquanto alguns bobalhões ficam aí berrando impropérios, a política segue seu curso normal. Lá é como cá. E estamos conversados.

Senadores retiram assinaturas e comprometem criação da CPI do Dnit

Por AdrianaVasconcelos, Maria Lima e Luiza Damé, no Globo:
No segundo dia de funcionamento do Congresso e exatamente um mês após o início da crise nos Transportes, que já resultou na demissão de quase 30 pessoas no Ministério e no Departtamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a oposição conseguiu nesta terça-feira as 27 assinaturas necessárias para a criação de uma CPI no Senado. Mas a instalação da CPI ainda é uma incógnita. Ainda nesta terça-feira à noite, o Palácio do Planalto usou a força do poder e conseguiu retirar a assinatura do senador João Durval (PDT-BA) e deveria convencer também o senador Reditario Cassol (PP-RO) a fazer o mesmo. Do outro lado, a oposição buscava apoio de outros descontentes da base aliada.
O senador João Durval (PDT-BA) integra a base governista e foi um dos quatro senadores que assinaram o pedido nesta terça-feira, permitindo que a oposição alcançasse as 27 assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI. Sem Durval, sobram 26 assinaturas, número insuficiente, mas a oposição ainda se movimenta para garantir a CPI. O governo também está em campo para convencer mais senadores a retirar seu apoio.
Mais cedo, a oposição havia conseguido a última assinatura que faltava para criar a CPI do Dnit, que vai investigar denúncias de corrupção na área de transportes. O 27º senador a assinar o requerimento de criação da CPI foi Reditario Cassol (PP-RO), suplente de Ivo Cassol (PP-RO). Para criar uma CPI é necessário o apoio de um terço dos senadores, que são 81 no total.
Ainda nesta terça-feira, outros três senadores assinaram o requerimento para criação da CPI do Dnit : Zezé Perrella (PDT-MG), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e João Durval (PDT-BA). O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse ainda que vai buscar mais uma adesão para dar mais segurança à criação da CPI.
Ao todo, desde o início da crise no Ministério dos Transportes, 28 pessoas já foram demitidas ou afastadas de suas funções.
Nesta terça-feira, mais três exonerações de diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) foram publicadas no Diário Oficial da União. Foram demitidos José Henrique Coelho Sadok de Sá, diretor executivo, Geraldo Lourenço de Souza Neto, diretor de Infraestrutura Ferroviária, e Herbert Drummond, diretor de Infraestrutura Aquaviária. Além deles, também foi exonerada Nadja Tereza Monteiro de Oliveira, coordenadora-geral de Cadastro e Licitações. Aqui

Os EUA iam acabar em 1861

Elio Gaspari 
Folha de São Paulo

Os Estados Unidos iam acabar. Não nesta semana, mas há exatos 150 anos, depois que as tropas do Sul venceram em Manassas a primeira grande batalha da Guerra Civil. Grandes políticos ingleses, bem como “The Economist” e “The Times” (pré-Murdoch), achavam que o presidente Lincoln forçara a mão com o Sul. Quatro anos e 620 mil mortos depois, a União foi preservada e acabou-se a escravidão.
Passou pouco mais de meio século e, de novo, os Estados Unidos iam acabar. A Depressão desempregou 25% de sua mão de obra e contraiu a produção do país em 47%. A crise transformou fascismo e nazismo em poderosas utopias reacionárias. De Henry Ford a Cole Porter, muita gente se encantou com o ditador italiano Benito Mussolini. Dezesseis anos depois, as tropas americanas entraram em Roma, Berlim e Tóquio.
Em 1961, quando os soviéticos mostraram Yuri Gagarin voando em órbita sobre a Terra, voltou-se a pensar que os Estados Unidos iam se acabar. Em 1989, acabou-se o comunismo.
A decadência americana foi decretada novamente em 1971, quando Richard Nixon desvalorizou o dólar, ou em 1975, quando suas tropas deixaram o Vietnã. O dólar continua sendo a moeda do mundo, inclusive para os vietnamitas.
A última agonia, provocada pela exigência constitucional da aprovação, pelo Congresso, do teto da dívida do país, foi uma crise séria, porém apenas uma crise parlamentar. Para o bem de todos e felicidade geral das nações, não só os Estados Unidos não se acabam, mas o que se acaba são os modelos que se opõem ao seu sistema de organização social e política.
No cenário de hoje, o ocaso americano coincidiria com a alvorada de progresso e eficácia da China. Lá, o teto da dívida jamais será um problema. Basta que o governo decida. Como lá quem decide é o governo, nos últimos cem anos o Império do Meio passou por dois períodos de fome que geraram episódios de antropofagia. Hoje a China não tem os problemas dos Estados Unidos, afinal, nem desastre de trem pode ser discutido pela população.
Guardadas as proporções, o sistema político brasileiro seria melhor que o americano, porque não haveria aqui a crise parlamentar provocada pelo teto da dívida. Se houvesse, o Brasil não teria quebrado nos anos 80 por ter tomado empréstimos dos banqueiros que ajudaram a criar a encrenca que hoje atormenta Washington.
Aquilo que parece uma crise da decadência é uma simples e saudável manifestação do regime democrático. Quando os negros americanos foram para as ruas, marchando em paz ou queimando quarteirões, também temeu-se pelo futuro do país. O que acabou foi a segregação racial.
Se hoje há uma crise nos Estados Unidos, ela não está nas bancadas republicanas ou mesmo na influência parlamentar do movimento Tea Party. Eles defendem o que julgam ser o melhor caminho para o país. A crise está em outro lugar, na negação, por um tipo de conservadorismo extremado, dos valores que fizeram da nação americana o que ela é. Quando o governo Bush sequestrou suspeitos pelo mundo afora, levando-os para centros de tortura, e viu-se obrigado a soltar alguns deles porque não eram o que se pensava, aí sim, os Estados Unidos estavam em perigo

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capitalismo

H. L. Mencken
   Os impostores e charlatões que se servem atualmente dos cochos públicos de Washington parecem ter concordado numa coisa, e numa coisa só: na ideia de que o sistema capitalista está nas últimas e que, em pouco tempo, dará o lugar a algo mais nobre e científico. Não há, naturalmente, um pingo de verdade nisto. Não há a menor razão para se acreditar que o capitalismo esteja em colapso ou que qualquer alternativa a ser proposta pelos mágicos em voga seja melhor. O máximo que se pode dizer é que o sistema capitalista está sofrendo transformações, algumas das quais penosas. Mas estas mudanças servirão para reforçá-lo, embora pareçam enfraquecê-lo.
      Devemos a ele quase tudo que atende hoje pelo nome de civilização. O extraordinário progresso do mundo desde a Idade Média não se deveu ao mero dispêndio de energia humana, nem mesmo aos vôos do gênio humano, porque os homens vem dando duro desde os tempos mais remotos e alguns deles tinham intelectos insuperáveis. Não, o progresso se deveu à acumulação de capital. Esta acumulação permitiu que o trabalho se organizasse economicamente em larga escala, o que aumentou enormemente a sua produtividade. Forneceu o maquinário que gradualmente diminuiu o trabalho escravo e libertou o espirito do trabalhador, o qual, até então, mal se distinguia do de uma mula. Mais do que tudo, tornou possível uma preparação melhor e mais longa para o trabalho, de forma a que as artes e ofícios alargassem o seu raio de ação e alcance, criando com isto milhões de novas e complexas habilidades.
    Devemos ao capital o fato de que a profissão médica, por exemplo, está agora realmente a serviço da humanidade, quando, até há pouco, só era útil para os curandeiros que a praticavam. Foi preciso o capital acumulado para permitir o longo treinamento que a medicina começou a exigir, sair da sordidez em que chafurdava e transformar-se numa digna ciência e arte – dinheiro para manter o jovem apenas estudando e o professor para ensina-lo, e mais dinheiro ainda para pagar pelas instalações e instrumentos de que necessitavam. Quase todo esse dinheiro saiu dos bolsos capitalistas. Mas, mesmo que tenha vindo do tesouro público, não deixou de ser o capital – ou seja, sempre foi parte do lucro acumulado. Nunca poderia ter surgido dos ganhos de uma sociedade não capitalista com uma mão na frente e outra atrás.
    Quando os bolcheviques, uma chusma de bestas quase comparável aos homens que pensam por nós, tomaram o controle dos negócios na Rússia, tiveram que jogar no lixo imediatamente uma das regras cardeais do seu credo ostensivo. Segundo esta regra, todos os males do mundo se deviam ao fato de que, sob o capitalismo, os trabalhadores tinham perdido a propriedade dos seus meios de produção. Todas as autoridades clássicas do socialismo, de Marx e Engels para baixo, enfatizaram essa perda, e, na Utopia que eles vislumbravam, o trabalhador receberia estes meios de volta, iria se tornar um produtor independente, trabalhar apenas para si e não dar nada de sua produção para um capitalista cretino. Mas, no momento em que tomaram o poder, os bolcheviques devolveram tudo isto para a prateleira e, desde então, não se tocou mais no assunto, exceto por uns simplórios americanos. Ansiosa por administrar a Rússia como seu quintal particular, aquela equipe esperta de chicanistas viu instantaneamente que sua principal função seria a de acumular capital, para que metade de suas vítimas não morresse de fome. O velho capital tinha sido devorado pela guerra. Uma maneira fácil de consegui-lo seria tomar emprestado de outros países, mas, como ninguém abria a mão, os bolcheviques tiveram de acumular o seu próprio capital fresco.
    O que conseguiram pondo os trabalhadores russo para suar de uma maneira jamais vista antes na terra ou, pelo menos, nos tempos modernos. Os trabalhadores resistiram, especialmente os camponeses e, quando em consequência aconteceram as duas grandes fomes, o chapéu teve de ser passado entre os países capitalistas para alimentar os famintos. Depois, chacinando os camponeses rebeldes à coletivização e organizando os desempregados num gigantesco exército, os bolcheviques conseguiram dominar todos os trabalhadores como prisioneiros forçados, com mais ou menos os mesmos salários. Todo o produto de seu trabalho, pouco acima do nível de subsistência necessário aos ratos, vai para os cofres dos bolcheviques. Com isso, estes acumularam uma bela soma de capital novo, que usam não apenas para construir fábricas cada vez maiores – infestadas de operários que nada possuem, exceto duas mãos -, como também para construir luxuosas mansões para si próprios, inclusive uma embaixada em Washington, tão extravagante que faz inveja a todos os banqueiros da cidade.
    Assim, um dos princípios fundamentais do marxismo foi reduzido ao absurdo na casa dos seus supostos discípulos. Podem não passar de uns patifes, e sem dúvida o são, mas tem também uma considerável esperteza para perceber que nada que se possa chamar de uma civilização moderna pode prescindir do capital. E, por capital, quero dizer precisamente o mesmo que eles quando o atacam para consumo externo – ou seja, o lucro acumulado, não nos bolsos dos trabalhadores, mas no das pessoas que lhes fornecem os meios de trabalho; não sob o controle daqueles que o produzem, mas sob o controle daqueles que o dominam. Os políticos desprezíveis, os pedagogos pueris e os advogados desocupados que não param de cacarejar em Washington desde 1933 (começo no New Deal (N.T.) fariam a mesma coisa se pudessem. Alguns deles talvez sejam realmente estúpidos para acreditar que o mundo poderia continuar sem o capitalismo, mas outros devem enxergar o suficiente para ver o que se passou na Rússia. Mas, sejam eles simples idiotas ou espertos trapaceiros, todos se julgam com autoridade para falar sobre a decadência do capitalismo, e mesmo aqueles que alegam estar tentando salvá-lo referem-se a ele como se estivesse nas últimas. Para silenciar o seu oco blábláblá, basta dar-lhes um emprego no governo.
      Não há sentido na coisa. O mundo moderno pode dispensar tanto o capital acumulado quanto pode dispensar a polícia ou as ruas pavimentadas. A maior transformação imaginável foi a que aconteceu na Rússia – a transferência do capital, que passou dos proprietários particulares para os políticos profissionais. Se você pensa que isso faria algum bem ao individuo, basta perguntar a qualquer carteiro americano. Ele trabalha para um supercapitalista chamado Tio Sam – e terá prazer com contar-lhe o que tem de suar e dar duro para cada mísero níquel que ganha.                              
 - 1935

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sucesso eleitoral da Assembleia de Deus é maior que o do PT

A Assembleia de Deus, maior denominação evangélica pentecostal no Brasil, comemora seu centenário em 2011, e sua bancada, que lidera a Frente Parlamentar Evangélica na Câmara, representa 22,5 milhões de brasileiros.
Antes das eleições de 2010, o deputado federal Ronaldo Fonseca (PR-DF) reuniu-se com José Wellington Bezerra, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, para escolher pastores e lideranças da igreja com bom potencial eleitoral. Fecharam a lista em 30 nomes. Conseguiram eleger 22 deles, um percentual assombroso de 73,3% de sucesso.
Não há partido político no Brasil com tamanho êxito: o PT, por exemplo, dono da maior bancada da Câmara, lançou 334 candidatos a deputado federal e elegeu 88 deles (26,3%). Dos 73 deputados que compõem a bancada evangélica, os assembleianos são um terço. Seu presidente, o deputado federal João Campos, é seguidor da igreja.
Com seu eleitorado cativo, os parlamentares ligados à Assembleia de Deus podem se dar ao direito de contrariar a orientação partidária quando convém ao seu grupo. Segundo Fonseca, presidente subdivisão ligada à igreja na Câmara, "temos um acordo com nossos partidos: se o que está em pauta na Casa atentar para alguma questão moral, temos independência. Foi assim que derrubamos o kit gay".
O deputado se refere à suspensão da produção e distribuição do kit anti-homofobia, produzido pelo Ministério da Educação para distribuição nas escolas. À época, os parlamentares chegaram a ameaçar adesão à CPI, movida pela oposição, contra o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, acusado de súbito enriquecimento.
Quase toda a bancada evangélica, 63 parlamentares, faz parte de partidos da base do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). "Os partidos sabem que não tem como segurar esses deputados. Falou em aborto, descriminalização da maconha ou casamento gay, os evangélicos votam contra. O PSC é base do governo Dilma, mas nem adianta pedir apoio nessas questões", afirmou o vice-presidente do PSC, pastor Everaldo Pereira.
Para o segundo semestre, os evangélicos devem, novamente na esteira de atuação dos adeptos da Assembleia de Deus, encampar duas pautas. Uma é a elaboração de versão "alternativa" ao projeto de Lei 122, sob relatoria da senadora Marta Suplicy (PT -SP), que criminaliza a homofobia.
"Queremos que o empregador possa estabelecer critérios para não contratar alguém. Inclusive por diferenças de religião ou opção sexual", disse Fonseca. "Se você não quiser me contratar por eu ser pastor, tudo bem. Mas quero ter o direito de, caso eu tenha uma empresa só com homens, não contratar gay."
A outra é promover um plebiscito nacional que substitua a aprovação do STF (Supremo Tribunal Federal), que julgou constitucional a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A reivindicação dos deputados evangélicos ganhou fôlego e substância após a divulgação, na semana passada, de pesquisa do instituto Ibope Inteligência, que revelou que 55% dos brasileiros são contra a união estável para casais homossexuais. O percentual de contrários sobe para 77% entre evangélicos.
Por ora, os assembleianos se dizem satisfeitos com a presidente Dilma: "Ela não nos 'peitou' quando fomos pra cima, no caso do kit gay. Então está bom", disse Fonseca. "Agora, precisa nos receber. Passaram-se seis meses e a gente só conversa com o Gilberto Carvalho [ministro da Secretaria-Geral da Presidência]", destacou o pastor Everaldo.
Rondônia é o Estado que abriga mais parlamentares ligados à Assembleia de Deus, em termos absolutos e proporcionais: três de seus oito deputados federais pertencem à igreja. O PSC, com oito deputados, é o partido preferencial. Na sequência, aparece o PR, com quatro deputados --a sigla tem em suas fileiras muitos evangélicos, mas a maioria é de presbiterianos, como o deputado federal Anthony Garotinho (RJ).
Essencialmente, os parlamentares da Assembleia de Deus recorrem a três estratégias na hora de arrecadar fundos para a campanha eleitoral: doações em quantias menores, vindas de simpatizantes; empenho de recursos próprios; ou doações dos próprios partidos, um recurso para escamotear recursos vindos de empresas.
Um dirigente partidário, sob a condição do anonimato, explicou: "Tem muito preconceito contra o evangélico. Então, as empresas ajudam, mas preferem não serem vinculadas diretamente ao candidato. Doam para o partido e a gente repassa".
Destaca-se entre os recebedores de pequenas quantias o deputado federal Paulo Freire (PR-SP), filho do pastor José Wellington: das 350 doações que recebeu na campanha de 2010, 304 eram em valores de até R$ 400, segundo sua prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Zé Vieira (PR-MA) foi quem mais empenhou dinheiro do próprio bolso, nada menos que R$ 310 mil dos R$ 333 mil de sua receita. O campeão em recebimento de repasses partidários foi o deputado federal Filipe Pereira (PSC-RJ).
Dos R$ 3,2 milhões que recebeu, R$ 9.000 foram doados pelo presidente regional do PMDB no Rio, Jorge Picciani. O resto veio do PSC. Foi também o maior arrecadador do grupo, cuja média de receita nas eleições foi de R$ 575,2 mil.