terça-feira, 5 de junho de 2012

Professores rejeitam proposta do governo e mantêm greve na BA

GRACILIANO ROCHA DE SALVADOR

Os professores da rede estadual de ensino da Bahia rejeitaram a proposta feita pelo governador Jaques Wagner (PT) e vão continuar em greve. A paralisação já dura 56 dias. 

Ontem o governo apresentou uma proposta para antecipar para novembro deste ano um aumento de 7,29% para os professores com licenciatura plena que passarem por qualificação e mais 7% em abril do próximo ano. 

Em assembleia na manhã de hoje, os professores, que reivindicam um aumento de 22,22%, rejeitaram a proposta do governo sob alegação de que ela exclui aposentados e que os termos foram os mesmos oferecidos em abril, já rejeitados pela categoria antes da deflagração da greve. 

O governo baiano alega que não tem caixa para bancar um aumento maior e diz que o percentual pedido pelos professores levará o Estado a ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal porque já concedeu reajuste linear de 6,5% a todo o funcionalismo. 

Ontem o governador fez um apelo, em entrevista, para que os professores aceitem a proposta e voltem ao trabalho.

‘Gilmar Mendes desinfeta o esgoto’, um artigo do publicitário Neil Ferreira

PUBLICADO NO DIÁRIO DO COMÉRCIO DESTE DOMINGO NEIL FERREIRA
 Até a cumpanherada mensaleira abertamente acha que o Cara pisou na maionese; a zelite aposta que desta vez nem o teflon, que é a sua primeira pele, salva o Cara. A oposicinha, ora a oposicinha, caladinha da silva. Manchete histórica deste DC, referindo-se ao Ministro Gilmar Mendes: “O 1º brasileiro a impor a Lei a Lula”. Declaração histórica de Gilmar Mendes: “Lula ajuda bandidos que querem melar o mensalão”. Atitude histórica de Gilmar Mendes: jogou lula no ventilador. Os pés de barro se desmancharam em lama. Meu pronunciamento histórico: Gilmar Mendes para Presidente, primeirão a falar. 

Nunca antes nestepaíz se viu tanta lula voando. Nem no mensalão a coisa ficou tão afradescendenta para o Cara e malcheirosa para todos nós. Tapo o nariz e, sôfrego, leio os jornais independentes, que cumprem a obrigação de publicar tudo o que o público tem direito de saber, duela a quem duela. 

Sentido-se ameaçado por ação nefasta praticada à sorrelfa pelo Cara, Gilmar Mendes, talvez sem querer querendo, abriu a tampa do esgoto e tratou de desinfetá-lo, ao exercer seu legítimo direito de defesa. 

Você sabe de todos os detalhes do havido em Brasília, no escritório de Jobim, o Alter Ego de Deus. Alegadamente, seria uma inocente tricotagem entre comadres: o dono da casa, Nelson Jobim, e os special guest stars, o Cara e Mendes. Não era inocente. 

Aonde o Cara vai há tudo menos inocência; há de haver ao menos um pingo d´água para nele dar nó de olho fechado; havia. O pingo d´água da vez sob o risco de levar o nó era Mendes; levou e deu o troco. 

Durante a tricotagem, o Cara, melífluo, suavemente, sugeriu-lhe comportar-se assim e assado no processo do mensalão, no STF. Senão… Mendes sentiu-se pressionado e chanteageado. 

A coisa vazou e frequentou churrascarias, restaurantes chiques, happy hours, botecos de chope, mesas de bilhar e redações de jornais, acrescida do boato de uma viagem de Mendes a Berlim, paga por Cachoeira, e encontros suspeitos com Demóstenes, aquele que “alcagueta eu não sou” e “carola eu sou”. Quando até a molecada da Escolinha de Aprendizes de Mensaleiros já palrava sobre o tema, Mendes recebeu de “fontes confiáveis” a informação de que vazamento e boato voaram de sob as asas do Cara e por ele foram espalhados aos ventos. Mendes confirmou à Veja a pressão e a chantagem, que podem mandar o Cara para a cadeia, se provadas. 

Na minha opinião ─ e esta página é de “Opinião” ─ acredito no Mendes: o que ele fala do Cara balança o rabo como cachorro, coça pulga como cachorro e não larga o osso como cachorro: portanto, cachorro é. 

Até a cumpanherada mensaleira abertamente acha que o Cara pisou na maionese; a zelite aposta que desta vez nem o teflon, que é a sua primeira pele, salva o Cara. A oposicinha, ora a oposicinha, caladinha da silva. Silêncio é ouro, reza a vox populi vox Dei. 

Desta vez não cola o habitual “num vi nada, num iscuitei nada, num sei di nada”, nem bancar a vítima e colocar a culpa no colo da “mídia”, esperteza por demais praticada e que não engana mais nem “o país dos mais de 80%”, esses moços, pobres moços, ah se soubessem o que sei. 

A “mídia” é como os lulopetistas chamam a imprensa independente, pensando que a estão injuriando. Não estão. Não sabem o que falam; Pai, não perdoai a ignorância pandêmica no lulopetismo. A imprensa é um segmento da “mídia”, que é plural de “medium”, meio. 

O meio supradito não é a metade de um e nem é o meio ambiente. O ambiente inteiro acabou de acabar. O ambiente é meio mesmo, metade, porque já detonaram mais da metade das florestas e dos bichos; não há galho para macaco se pendurar e o chamar de seu, nem macaco há. “Cada macaco no seu galho”, nem pensar. Meio, neste caso, é como se convencionou chamar “meio de comunicação”, na língua falada no Brasil. 

“Mídia”, filhote nascido de conluio matrimonial fora do matrimônio com a palavra latina “media”, está no Aurélio. “Media” sem acento não é nem prima distante da média com acento, delícia feita de café com leite na xícara grande. Escoltada por pão com manteiga na chapa, é acepipe encontradiço nas melhores padarias da esquina, saboreado em pé, umbigo no balcão. “Medium”, sem acento, deu “meio”, que também está no Aurélio, uma linha acima da palavra “médium”, com acento, que Chico Xavier era. “Medium” sem acento é “meio para a transmissão de uma mensagem”. Se duvidar faça uma coisa antiga, mas eficiente: abra o Aurélio ─ se não for para enriquecer seu vocabulário, pelo menos treina teu muque com o levantamento do peso dele. 

Mendes reafirma o que afirmou. Jobim soltou um “dois pra lá dois pra cá”, dizendo que aquilo não foi bem isso. O Cara disse que não disse o que disse; era melhor ter ficado quieto e mandado o Advogado dos Diabos, doutor Thomaz Bastos, produzir uma explicação, do tipo “essa foi uma conversa não contabilizada”. Mas que está voando lula do ventilador, está. 

GIRMÁ MENDE, TU É NÓIS, NÓIS É TU.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Se algum ministro do Supremo absolver mensaleiros, quem vai acreditar na sua independência? Eis a grande obra de Lula, o intocável!

Para Armando do Bradesco e João de Ludigarde, inimigos do ministro Gilmar Mendes 

Alas do PT e a rede suja do subjornalismo, financiada com dinheiro público, estão numa campanha frenética — já escrevi a respeito — para que o ministro Gilmar Mendes, do STF, se declare impedido de julgar o caso do mensalão. E o que determinaria esse impedimento? O seu suposto prejulgamento. Trata-se, obviamente, de uma piada. Mendes apontou a atuação de gângsteres, que ficam plantando mentiras na rede para desmoralizá-lo e a quantos considerem não ser fiéis ao partido, mas não entrou, é evidente, no mérito do caso. A pressão é ridícula e dá conta do modo como opera essa gente. 

O PT poderia ter em mãos uma coleção de evidências demonstrando a má vontade do ministro com o partido: “Vejam aqui: nas situações X e Y, ele nos perseguiu; fez questão de nos implicar…”. Ocorre que não tem. Ao contrário até: em três situações em que figurões do partido poderiam se enrolar, o ministro deu votos favoráveis a estrelas petistas, como sabem Antonio Palocci, Luiz Gushiken e Aloizio Mercadante. Discordei nos três casos e escrevi a respeito, o que desmoraliza outra tolice: a de que sempre endosso posições defendidas por Mendes. Nos julgamentos de Raposa Serra do Sol, das cotas raciais e do aborto de anencéfalos, também estávamos em campos distintos. E isso não me impede de considerá-lo um dos ministros mais preparados da Corte. 

O problema de boa parte dos petistas e de Lula em particular é que não estão preparados para a independência de um juiz. O problema de boa parte dos petistas e de Lula em particular é que não estão preparados para a independência do jornalismo. E não estão por quê? Porque isso fere a essência do que são o partido e seu líder. A independência significa a não adesão ao modelo que eles imaginam ter de transformação do Brasil. Em larga medida, essa posição lhes é ainda mais incômoda do que a de um eventual adversário feroz. No seu modelo, ou se é mocinho justiceiro (e, nesse caso, é preciso estar com eles) ou se é bandido — e, nesse caso, é preciso estar contra eles. Reparem: a lógica do mocinho e do bandido justifica as escolhas mais vis. O PT, como todos sabem, se dedica freneticamente a dois credos: castigar os malfeitos e praticá-los, de sorte que esse mal praticado, desde que seja pelos companheiros, busca o bem dos brasileiros. Haver quem se coloque de forma neutra nesse território e busque a orientação no texto legal lhes parece inaceitável. 

Nem o PT nem ninguém têm ideia da decisão de Gilmar Mendes. Atenção! Se a previsão pudesse ser feita com base no retrospecto de votos relacionadas a estrelas do partido, os que defendem que os mensaleiros vão para a cadeia — eu por exemplo — poderiam ficar pessimistas desde já. Ocorre que esse retrospecto também não tem validade nenhuma. Reitero: Gilmar não é um “caçador de petistas”. Trata-se apenas de um membro de nossa corte suprema que não se subordina a tiranetes. E, por isso, Dirceu e Lula não o querem julgando o mensalão. Como não querem, é bom que se anote aí, Cesar Peluzo e Ayres Britto. Se a votação ficasse para 2013, os dois estariam fora do tribunal. Os outros dois também seriam votos certos contra o PT? Os petistas não sabem, e isso os põe nervosos. 

Votar neste ano 
As únicas manifestações públicas, absolutamente pertinentes, de Mendes sobre o caso alertavam para a necessidade de julgar o caso ainda neste ano, sob pena de o tribunal se desmoralizar. E ele está certo — ainda que aquela gente possa ser absolvida. Aliás, anotem aí: o risco de que isso aconteça não é pequeno. Ocorre que Lula já andou deixando claro que não basta vencer por um voto. Ele quer uma ampla maioria. Só ela lhe daria o pretexto para dizer: “O mensalão nunca existiu”. E isso quererá dizer, caso logre seu intento, que jamais terão existido Marcos Valério, Delúbio Soares, os saques na boca do caixa, os laranjas… 

Lula foi com muita sede ao pote e tomou um porre de si mesmo. Conseguiu, com suas ações tresloucadas, transformar em suspeitos até mesmo eventuais votos de ministros dispostos a absolver mensaleiros por razões que considerem técnicas. Quem vai acreditar? Ao tentar criar um clamor público pela absolvição de seus rapazes, o ApeDELTA conseguiu pôr sob suspeição qualquer um que vote a favor da absolvição, ainda que de modo isento

sábado, 2 de junho de 2012

‘Derrotado pelo ego, Lula deixou-se vencer também pela raiva’, por Mauro Pereira

MAURO PEREIRA

Sempre temi a chegada do PT ao poder. Não só por conta de sua retórica barata, muito bem ensaiada nos grotões do retrocesso, que entoa a mesma arenga ─ desgastada pela credibilidade ─ que celebra as maravilhas de um socialismo redentorista chulo e ultrapassado que não resistiu às ruínas do Muro de Berlim. A principal razão do meu temor sempre foi a selvageria irresponsável e oportunista que marcou a atuação do partido enquanto esteve na oposição. 

Quem já teve o dissabor de enfrentar a violência empregada pelos cães de guerra petistas em campanhas eleitorais, inclusive em municípios minúsculos e teoricamente sem relevância estratégica, sentiu na pele os efeitos devastadores da mentira e da injúria, suas ferramentas preferidas de convencimento. E aprendeu que a arma menos contundente por eles utilizada é a da intimidação, em todas as formas concebidas pela canalhice. 

Não me surpreende, portanto, o cenário de premeditada desordem institucional protagonizado pela horda petista com o intuito de constranger ministros do STF às vésperas do julgamento do mensalão. Embora previsível, obriga-me a imaginar até que ponto Lula e seus sequazes estariam dispostos a apostar na tensão social como a saída derradeira para socorrer os mensaleiros de estimação e evitar que a biografia do ex-presidente seja para sempre maculada pela pecha de mentiroso. 

Depois de mais de trinta anos acompanhando a decomposição ética do partido, e de ter enfrentado cara a cara a ira petista, posso afirmar que eles não hesitariam em investir todas as suas fichas na instalação do caos, se necessário para alcançar seus objetivos. A sociedade brasileira não pode se iludir com a arenga lamurienta na encenação, mas rancorosa na finalidade, repetida pelos lulas, dirceus e genoínos. Nada nas hostes petistas ocorre por acaso. Cada movimento é planejado meticulosamente e ensaiado à exaustão. Tanto assim que a contra-ofensiva ao escândalo do mensalão, sustentada na balbúrdia, só não se consumou graças`à covardia de uma oposição que capitulou ao deixar de propor o impeachment de Lula. 

Como prometem agora, também em 2005 estavam preparados para mobilizar a turba enfurecida composta por sindicalistas apelegados, líderes estudantís regiamente recompensados, movimentos sociais financeiramente engajados, intelectuais embolorados ainda estacionados no sonho da “turma de 67″, blogueiros financiados pelo dinheiro público, emissoras de televisão agradecidas, mercenários em busca do melhor soldo e políticos aproveitadores que sempre viveram amparados na sujeição abjeta. 

Ao transformar a solenidade na Câmara de Vereadores que o homenageou com o título de cidadão paulistano em caixa de ressonância de sua insensatez, reafirmando que o mensalão nunca existiu e que tudo foi um ardil patrocinado pela imprensa e pelas zelites, Lula sabia que embarcara numa aventura perigosa e sem volta. Aferrado à tática de desqualificar quem não se subordeina à sua opinião, elegeu Brasília como o palco perfeito para atacar com ferocidade os jornalistas que não lhe prestam vassalagem. Deixou transparecer com nitidez que envelheceu apenas fisicamente. A alma guarda o mesmo frescor de trinta anos atrás. O ódio a preservou da ação do tempo. 

É triste assistir ao prelúdio do ocaso de um líder parido no ventre das massas populares, que tinha tudo para eternizar-se como o governante hábil e pacificador que uniu uma nação sob o manto da liberdade, da igualdade e da brasilidade. Derrotado pelo ego, arrisca-se a entrar para a história como um farsante que, consumido pelo rancor incontrolável, preferiu render-se aos encantos da notoriedade a arrebatar da subsistência precária milhões de famílias. 

Da mesma forma que lhe aguçou a inteligência, a raiva companheira lhe solapou a sabedoria. Perdeu o Brasil, perdemos nós. Infelizmente

Soninha Francine: ‘Imagine FHC dizendo no programa do Faustão que não podemos permitir que um petista dirija este país’

Soninha Francine, pré-candidata do PPS à prefeitura de São Paulo, enviou um comentário sobre o comício ilegal de 4o minutos transmitido pelo SBT que merece ser transcrito neste espaço. Confira: 

Imagine o que o PT faria em outros tempos se o apresentador de um programa popular e o detentor de uma concessão pública (TV…) montassem esse altar para que um ex-presidente abençoasse e cobrisse de glórias o seu candidato. E também fizesse troça com o partido de oposição… Imagine Fernando Henrique no programa do Faustão dizendo: “Não podemos deixar que um petista dirija este país”. Os petistas iriam à ONU, à OEA, à Corte de Haia. Centrais sindicais convocariam manifestações de protesto na Avenida Paulista. Contra a cumplicidade das elites, contra a mídia servil, contra o poder imperial dos meios de comunicação… E AINDA tem gente inteligente, bem informada, honestamente preocupada com o Brasil, que DEFENDE a conduta do PT até hoje. Céus, que devoção cega! Que desgosto.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Num país sério, os estupradores da lei eleitoral sairiam algemados do SBT

A captura do achacador de juízes do Supremo libertou o atropelador da legislação eleitoral. Nesta quinta-feira, com a cumplicidade militante do apresentador do Programa do Ratinho, Lula deixou em casa o chantagista a serviço da quadrilha do mensalão para incorporar num estúdio do SBT, durante 40 minutos, o animador de palanque a serviço de si próprio e de companheiros do PT. O que se viu na tela foi mais que propaganda eleitoral antecipada. Foi um comício ilegal estrelado por um pecador sem remédio nem limites, permanentemente empenhado em desmoralizar as normas que regem eleições no Brasil. 

Na primeira parte da afronta transmitida ao vivo, o protagonista do espetáculo do deboche deixou claro que transforma até câncer em instrumento de caça ao voto. O relato da temporada no hospital foi enfeitado por um fundo musical de teatrão, mensagens açucaradas, cenas do filme “Lula, o Filho do Brasil”, depoimentos lacrimosos e reportagens pautadas pela sabujice. “Ele foi um grande presidente para nós brasileiros, que o adoramos, o amamos”, derramou-se, por exemplo, o ex-jogador Ronaldo. Há poucos anos, o Fenômeno aposentado só achava que “ele bebe pra caramba”. 

Num dos vídeos que escancararam o crime premeditado, a locutora caprichou no fecho glorioso, ilustrado por imagens do herói que acabara de nocautear a doença: “Parecia a fênix renascendo das cinzas. O homem está de volta. E com a corda toda”. Ratinho deu-lhe mais corda ainda: por que a saúde não é tão boa?, quis saber o anfitrião da farra eleitoreira. Por culpa da oposição, garantiu Lula sem ficar ruborizado. Se o imposto do cheque não tivesse acabado, mentiu, os pacientes do Sírio Libanês hoje estariam morrendo de inveja dos fregueses do SUS. 

Animado com a sintonia da dupla, Ratinho fez a proposta ao vivo: “Vamo montá um programa de entrevistas, Lula? Teve um monte de jornalista que bateu em você, vamo dá o troco neles”. O convidado gostou da ideia. ”Um dia desses vocês vão se surpriendê, que eu vou vir aqui trabalhá com o Ratinho”, ameaçou, olhando para a plateia. Foi a senha para o início da segunda parte do show repulsivo, concebida para resgatar Fernando Haddad do buraco dos 3% nas pesquisas. 

“Por que você escolheu o Haddad?”, cochichou Ratinho. Close no ex-ministro da Educação, risonho na fila do gargarejo. “Acho que São Paulo precisa do Haddad”, comunicou o palanque ambulante. Outro close na salvação dos paulistanos. “Vem pra cá, Haddad”, ordenou Ratinho, que retomou o tema que o preocupa enquanto o candidato se ajeitava na poltrona: o que pode fazer um prefeito para melhorar a saúde? 

 “As coisas que dependem do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma, que é gerar emprego e distribuição de renda, isso está sendo feito”, declamou Haddad. Na maior cidade brasileira, ensinou, a saúde só não é de primeiro mundo porque o prefeito é do PSD e o governador é do PSDB. O padrinho aparteou o afilhado para jurar que nunca antes neste país houve um ministro da Educação tão competente. Quem construiu uma escola por dia é capaz de inaugurar um hospital por mês já no primeiro ano de governo. 

Liquidada a questão municipal, começou a sucessão presidencial. Lula será candidato em 2014?, passou a bola Ratinho. “A única hipótese de eu sê candidato é a Dilma não querê se candidatá, eu não vô deixá que um tucano dirija esse país”, devolveu Lula. “O Zé Serra tá ralado”, chutou Ratinho de bico. Só na prorrogação o apresentador pareceu lembrar que andou lendo alguma coisa sobre Lula e Gilmar Mendes. O que houve mesmo?, perguntou. 

“Quem inventou a história que prove a história”, cortou o lobista dos mensaleiros. Ratinho completou de canela: “”Quem gosta de você, gosta de você. Quem não gosta de você, não gosta de você. Quem é indiferente, vai ser indiferente”. Tradução: quem tem chefe não pode deixar de aplaudi-lo mesmo que apareça nu no Parque do Ibirapuera, com uma carabina engatilhada e avisando aos berros que vai liquidar a tiros a herança maldita legada por FHC. Lula, é verdade, não fez isso. Fez coisas piores. 

Num país sério, a dupla sairia algemada do SBT por determinação da Justiça eleitoral. Nestes trêfegos trópicos, o ex-presidente continua fazendo impunemente o que quer. A apresentação de Lula e Ratinho começou com todo mundo cantando o hino do Corinthians. Deveria terminar com a chegada de um batalhão da polícia. Como isto é o País do Carnaval, só não terminou com a entrada de um batalhão de mulatas por falha da produção.
Augusto Nunes

Está em curso uma operação para tentar desestabilizar Mendes e forçá-lo a se declarar impedido de julgar o mensalão.

Está em curso, e não chega a ser exatamente uma novidade, uma operação de desestabilização do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de uma ação ampla, que encontra eco até mesmo dentro do tribunal. O JEG não esconde o propósito, escancara-o em suas páginas financiadas com dinheiro público: querem que ele se declare impedido de participar do julgamento dos mensaleiros, na suposição — sem lastro na realidade! — de que estaria praticando prejulgamento. É uma falácia. Nada no histórico de votos do ministro no STF indica antipetismo militante. Ao contrário até: Mendes foi um dos que inocentaram — e deixei clara, então, a minha discordância — Palocci no caso da quebra do sigilo do caseiro, por exemplo. Por se tratar de questão de natureza criminal, entendeu que não poderia condenar sem a prova provada, a ordem explícita para que um subordinado executasse a tarefa. Como essa evidência documental não existia, optou, então, pela absolvição. A questão, claro!, tem mais meandros do que isso. Faço uma síntese. 

E por que agora todo esse barulho em relação ao mensalão em particular? Medo do suposto preconceito anti-PT? Uma ova! Medo das evidências que estão nos autos, isso sim! Os petistas não fazem segredo de que têm os “seus ministros” — aqueles cujos votos dão como favas contadas. Não listo aqui porque poderia apenas estar dando curso a uma difamação. O fato é que eles não escondem de ninguém que consideram que QUATRO VOTOS ESTÃO GARANTIDOS. 

Certos ou errados, os petistas avaliam que Mendes e Cezar Peluso votarão contra os mensaleiros. E acham que Ayres Britto pode seguir o mesmo caminho. Assim, Lula quer adiar o julgamento para 2013 porque estes dois últimos já não estariam na corte. Para inocentar a súcia, bastam 6 votos — no caso de o tribunal estar completo. 

Ganhar de goleada 
Lula pôs na cabeça que não basta vencer, não! Ele quer ganhar de goleada. Acha que uma vitória apertada, por um voto, deixaria no ar a suspeita de arranjo. Tem de ser um placar convincente. Um julgamento sem Peluso e Britto e com um Mendes impedido seria um sonho. É esse o pano de fundo dessa baixaria. A canalha tenta desmoralizar Mendes, mas está, na prática, é desmoralizando todo o Supremo. A cada vez que petistas dão como líquido e certo o voto de ao menos quatro ministros, tratam o tribunal como se fosse mera extensão ou franja do partido, dando a entender que passou a existir um critério para integrar a corte. Não por acaso, os setores mais extremistas do petismo tratam Joaquim Barbosa e Peluso como traidores e Britto como um possível ingrato. Mendes, por óbvio, está no radar desde sempre porque indicado para o tribunal por FHC. 

Trabalho sujo 
Os setores da imprensa que não dividem espaço no lixão financiado do lulo-petismo que dão curso às críticas a Gilmar Mendes — indo além da notícia, censurando o seu ato de coragem — estão contribuindo, na prática, para desmoralizar o Supremo. Engrossam a corrente daqueles que querem fazer do tribunal um quintal do Executivo, a exemplo do que se vê na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia ou na Nicarágua, esses notáveis exemplos de cultura democrática. 
Por Reinaldo Azevedo