terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os fascistas de esquerda da política e da imprensa querem censurar a oposição, o jornalismo independente e o debate. É parte da guerra cultural para impor a sua pauta. Isso tem história e teoria

 
Já recomendei o livro algumas vezes e volto a fazê-lo. Leiam “Fascismo de Esquerda” (Editora Record), do jornalista americano Jonah Goldberg. Ele evidencia como as esquerdas, nos EUA (lá, chamam-se “liberais” — não confundir com o “liberalismo” como doutrina do livre mercado), tentam cercear o debate, promovendo uma verdadeira guerra cultural — prática herdada de totalitarismos d’antanho — para silenciar o “inimigo”. Nos EUA, demonstra-o a campanha eleitoral em curso, essas forças são menos bem-sucedidas do que por aqui.
Li há pouco nos sites noticiosos que o presidente do PT, Rui Falcão, acusa o tucano José Serra de disseminar o “ódio” — nada menos! — na campanha eleitoral. O espantoso não é que diga isso, já que espero de Falcão rapinagens teóricas ainda mais grosseiras. O espantoso é que lhe deem trela e julguem que isso é notícia. Referindo-se ao julgamento do mensalão no Supremo, este senhor afirmou que tudo não passava de uma reação da “elite suja e reacionária”. Ele se referia apenas ao Poder Judiciário. Às vésperas da instalação da CPI do Cachoeira — da qual o PT e PMDB saíram correndo para não investigar a Delta e os “cachoeiras” de mais elevada estirpe que estão fora de Goiás —, o presidente do PT gravou um vídeo em que afirmou: “As bancadas do PT na Câmara e no Senado defendem uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”. Estrelas do seu partido estão por aí a pregar uma “reação” — QUAL SERÁ? — ao Supremo. Eis Falcão! Um homem sem ódio no coração!
Guerra de valoresVamos pensar um pouquinho. Quem é que se dedica já há anos — e cada vez com mais ênfase — a promover uma guerra de valores na sociedade entre “conservadores” e “progressistas”? Quem é que se empenha com dedicação a dividir a sociedade em vez de uni-la? Na ofensiva, o esquerdismo significa cotas raciais, integrar a cultura gay à cultura predominante, apagar da praça pública os símbolos do cristianismo e um sem-número de ambições explicitamente culturais. Isso que escrevi em negrito, caros leitores, é trecho do livro de Goldberg. Ele se refere aos EUA. Parece falar sobre o Brasil. Só troquei a palavra “liberalismo” (empregada pelo autor) por “esquerdismo” para não confundir os registros. Entre nós, “liberalismo” quer dizer necessariamente outra coisa.
Vejam o caso do tal kit gay. Não se trata, é evidente, de demonizar este ou aquele grupos ou de negar que possa haver manifestações de preconceito. Ocorre que, quando se escolhe fazer um kit como aquele, faz-se a opção por uma abordagem também política. Trata-se de uma escolha. Como tal, pode — e deve — estar submetida ao crivo crítico, às contraditas, aos argumentos contrários. Não para os “fascistas de esquerda”. Marcelo Coelho, articulista de Folha — de quem discordo quase sempre, mas em quem não tinha vislumbrado até agora o viés intolerante —, escreveu em seu blog o seguinte: “Se alguém acha errado isso, e julga poder tirar votos de Haddad falando do ‘kit gay’ sem ter visto os vídeos, está cometendo um ato de desumanidade e sordidez”. Logo, só é possível dar provas de humanidade e decência concordando com Coelho e com os defensores do kit gay.
Alguém poderia, julgando apressadamente que me pegou, observar: “Calma lá, Reinaldo! Ele está se referindo às pessoas que condenaram os filmes sem ver…”. Pois é. E se eu lhes disser que a coisa fica ainda pior? Coelho está tão certo de que não se pode pensar o contrário do que ele pensa e, ainda assim, ser humano e decente que não conta com a possibilidade de que alguém possa ver os filmes e reprová-los. Para ele, assistir aos vídeos implica necessariamente aprová-los, sob pena de a pessoa ser excomungada do mundo dos humanos e decentes.
Chamam a isso tolerância e democracia.
Quem é que está sempre no ataque quando o assunto é a guerra cultural? São os ditos “conservadores”? Acho que não… Quando, depois de aprovar cotas raciais obrigatórias nas universidades federais, a presidente Dilma demonstra a disposição de fazer o mesmo com o funcionalismo público, cumpre perguntar: é para unir a sociedade brasileira que ela o faz? Não é preciso ser muito esperto (bastam algumas sinapses do nível Massinha I de Lógica Elementar) para vislumbrar que o próprio conceito da representação democrática — um homem, um voto — passou a correr risco. Afinal, nada mais justo, então, do que exigir que a maior de todas as representações democráticas, o Congresso, passe a espelhar a dita composição racial da sociedade brasileira — como se raça existisse… O mesmo espírito de porco que seria tentado a me pegar acima poderia se manifestar de novo: “Ora, Reinaldo, se cada um votasse em alguém da sua cor, teríamos a relação um homem/um voto do mesmo modo”. Ainda que isso não implicasse questões bem mais complexas num sistema proporcional como o nosso, notem que a vontade do eleitor teria sido suprimida, uma vez que ele estaria obrigado a votar em alguém pertencente a seu grupo. Imaginem filas de negros para votar em urnas de candidatos negros; de brancos, em candidatos brancos e assim por diante…
Não ocorre aos fascistas de esquerda que aqueles a que chamam “conservadores”, “reacionários” ou “direitistas” têm um outro conteúdo e uma outra pauta, legitimados pela pluralidade democrática, para a luta por justiça, por exemplo. Em que cânone, ditado pelos céus, está escrito que o combate ao preconceito contra homossexuais, mulheres ou negros passa necessariamente pela agenda dos grupos militantes? Que determinação da natureza nos informa que a afirmação de identidade é o melhor caminho da integração, especialmente quando a concessão de um direito a uma dita minoria pode implicar a supressão de direitos que são universais — como a efetiva igualdade perante a lei, por exemplo?
Isso tem teoriaA cultura liberal brasileira é frágil — refiro-me ao liberalismo propriamente, aquele do livre mercado e dos direitos individuais. As vozes hegemônicas hoje da política são herdeiras, bem ou mal, do marxismo, ainda que possam estar distantes da teoria; em muitos casos, há mesmo ignorância de causa, repetindo conteúdos cuja origem ignoram. Os marxistas há muito desistiram do socialismo, como se sabe, mas não da perspectiva autoritária da engenharia social.
Se vocês recorrerem ao arquivo, encontrarão dezenas de textos em que trato de Gramsci, o mais importante teórico, na modernidade, da guerra cultural. Os espaços de debate, inclusive os da imprensa, foram sendo paulatinamente ocupados pelos militantes da tal “agenda progressista”. Chamam de diversidade e de progresso social a imposição de sua agenda.
De volta à religiãoO que mais mobiliza a reação de alguns boçais nas redações é o fato de a crítica ao kit gay — como era a crítica à descriminação do aborto — ter, sim, um fundamento religioso. E por que não poderia? “Porque o estado é laico”, poderia responder alguém. É verdade! Por laico, então está obrigado a tolerar as críticas dos religiosos — ou estaríamos falando de um estado fundamentalista ateu, que consideraria ilegítima qualquer restrição de natureza religiosa.
Note-se que a grita havida em 2010 contra as críticas que católicos dirigiam a Dilma por causa de sua opinião favorável ao aborto estava menos relacionada ao suposto direito de escolha da mulher do que ao fato de que a raiz da restrição era religiosa. Entenderam o ponto? Os esquerdistas pró-aborto estavam menos preocupados em garantir o que chamavam de “um direito da mulher” do que em calar a boca dos crentes. Fenômeno semelhante de vê agora com o kit gay. Querem saber? Esses fascistas de esquerda não estão nem aí para os direitos dos homossexuais. Eles querem mesmo é calar os cristãos — é isso que não toleram.
Mas chamam a isso democracia e tolerância.
E, nesse caso, é preciso, sim, recuperar um pouco da história. Reproduzo um trecho de “O Fascismo de Esquerda”. Goldberg lembra que Hitler era furiosamente anticristão. Leiam. Volto para encerrar.
(…)
Sob o poder progressista, o Deus cristão havia sido transformado num oficial ariano da SS tendo Hitler como seu braço direito. Os chamados pastores cristãos alemães pregavam que “assim como Jesus havia liberado a humanidade do pecado e do inferno, Hitler salva o Volk alemão da decadência”. Em abril de 1933, o Congresso Nazista de Cristãos Alemães deliberou que todas as igrejas deveriam catequizar que “Deus me criou como um alemão; o germanismo é uma dádiva de Deus. Deus quer que eu lute pela Alemanha. O serviço militar de forma alguma ofende a consciência cristã, mas é obediência a Deus”
Quando alguns bispos protestantes visitaram o Führe rpara registrar queixas, a fúria de Hitler chegou ao extremo. “O cristianismo desaparecerá da Alemanha assim como aconteceu na Rússia… A raça alemã existiu sem cristianismo durante milhares de anos… e continuará depois que o cristianismo tiver desaparecido… Precisamos nos acostumar com os ensinamentos de sangue e raça.” Quando os bispos fizeram objeções a apoiar os propósitos seculares do nazismo, e não apenas suas inovações religiosas, Hitler explodiu: “Vocês são traidores do Volk. Inimigos da Vaterland e destruidores da Alemanha”
Em 1935, foi abolida a prece obrigatória nas escolas e, em 1938, cânticos e peças de Natal foram totalmente proibidos. Em 1941, a instrução religiosa para crianças acima de 14 anos havia sido completamente abolida, e o jacobinismo reinava supremo. Uma canção da Juventude Hitlerista ecoava nos acampamentos:
Somos a alegre Juventude Hitlerista.
Não precisamos de virtudes cristãs,
Pois Adolf Hitler é nosso intercessor
E nosso redentor.
Nenhum padre, ninguém maléfico
Pode nos impedir de nos sentirmos
Como filhos de Hitler.
A nenhum cristo seguimos,
Mas a Horst Wessel!
Fora com incensos e pias de água benta!
EncerroO que vai acima faria muitos de nossos supostos militantes do laicismo babar de satisfação, não é mesmo? Afinal, estamos no país em que uma ministra de Estado (Marta Suplicy), que ganhou o cargo na boca da urna como paga por sua adesão a uma campanha eleitoral, decretou que Lula, que não tem vocação para Cristo, é o próprio Deus.
Os fascistas de esquerda estão assanhados. Ou você está com eles, ou eles decretam que você é desumano e sórdido. E nós sabemos o que eles fazem com desumanos e sórdidos, não é? O ataque organizado a cristãos, católicos e evangélicos, sob a pele de suposto progressismo e de amor à tolerância, é só obscurantismo e fascismo. De esquerda, sim! Como é, em essência, qualquer fascismo.
Texto originalmente publicado às 4h28
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mulher tem 500 orgasmos por dia com vibração de celular, catracas, carrinhos de compras e até entrevistas de emprego

 

Zara usa sacos de vegetais congelados para inibir a excitação
Zara usa sacos de vegetais congelados para inibir a excitação Foto: The Sun / Reprodução
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Enquanto para algumas ter orgasmo é algo de alto nível de dificuldade, para a inglesa Zara Richardson isso é tão fácil que virou um problema. Ela sofre de Síndrome de Excitação Sexual Persistente (PSAS), o que torna tarefas rotineiras, como fazer compras e aspirar a casa, atividades altamente excitantes, o que significa que ela pode ter até 500 orgasmos por dia.
Zara Richardson, de 30 anos, afirma que ter diversos orgasmos todos os dias não é o paraíso:
— As pessoas acham que eu devo estar em êxtase a cada dia, mas ter orgasmos constantemente está arruinando a minha vida — disse a inglesa ao jornal The Sun.

Zara pode ter até 500 orgasmos por dia
Zara pode ter até 500 orgasmos por dia Foto: Reprodução / The Sun

Ela não tem controle sobre o modo como o seu corpo se sente, o que afeta todos os aspectos da vida:
— Uma simples ação pode me induzir a ter um episódio (orgasmo); é um modo exaustivo para viver. Muitas vezes acontece quando eu subo as escadas, passo por redutores de velocidade e sempre quando meu telefone vibra no meu bolso.
Zara fica muito excitada no supermercado:
— Eu também tenho orgasmo pegando um alimento no supermercado, passando por portas giratórias e empurrando um carrinho de compras. Acontece até mesmo quando alguém se senta ao meu lado no sofá.
E assim é o dia inteiro para a inglesa:
— Eu acordo me sentindo excitada e volto para a cama me sentindo da mesma forma.

Zara pode ter uma orgasmo ao pegar um alimento no supermercado
Zara pode ter uma orgasmo ao pegar um alimento no supermercado Foto: Reprodução / The Sun
Ações comuns podem se tornar um pesadelo para Zara:
— Eu posso estar de pé numa fila do supermercado e sentir a PSAS começar. E não há nada que eu possa fazer para impedi-lo —contou a britânica.
Viajar é outra situação que pode acabar desconfortável para Zara:
—Viagens de trem são um pesadelo, pois o movimento pode desencadear um ataque.
Ela concluiu que a síndrome lhe trouxe tristeza:
— A PSAS me afastou do sexo e me trouxe depressão — disse Zara.
A doença também atrapalhou seu lado profissional:
— Restaurantes são um pesadelo quando fico um longo período sentada e as "dores" do orgasmo se acumulam. Eu estava numa entrevista de emprego e a sindrome veio.
A Síndrome de Excitação Sexual Persistente (PSAS) foi documentada pela primeira vez como um transtorno médico em 2001. Zara foi diagnosticada em 2010, depois de sentir-se constantemente excitada.

Situações rotineiras podem ser altamente excitantes para a inglesa
Situações rotineiras podem ser altamente excitantes para a inglesa Foto: Reprodução / The Sun

Ela conta que começou a se sentir excitada o tempo todo por conta da mudança de hormônios e mesmo depois de ter tido relações sexuais com o seu namorado na época, Rob, ela nunca se sentia satisfeita.
— O sentimento nunca vai embora. Tentei me distrair fazendo exercício, tomando banhos quentes ou assistindo a um filme deprimente, mas a sensação continuou. Depois de dois meses de sofrimento em silêncio, eu sabia que o que estava sentindo não era normal.

A vibração do celular também pode causar orgasmo em Zara
A vibração do celular também pode causar orgasmo em Zara Foto: Reprodução / The Sun
Foi então que ela procurou um médico
— Estava tendo até 500 orgasmos por dia. Isto estava arruinando a minha vida.
O médico receitou leves antidepressivos, analgésicos e anti-inflamatórios para os dias de crise de Zara. Ela também utiliza compressas quentes e frias para parar os orgasmos.
— Eu, às vezes, coloco um pacote de cenouras ou ervilhas congeladas envolto numa toalha sobre minhas partes, porque a frio me faz parar de querer orgasmos

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

MENSALÃO: Nota do PT que se solidariza com Dirceu — sem, covardemente, dizer isso às claras — é cínica, mentirosa e totalitária

Ricardi Setti

O PT não se emenda.

Não tem jeito.
Vejam o caso dessa reunião do alto comando do partido, em São Paulo.
Começa que teve a participação e, na prática, a condução do criminoso condenado pelo Supremo Tribunal Federal José Dirceu.
Em seguida, que apoiou inteiramente a tese do réu condenado segundo a qual “a melhor resposta” ao julgamento do Supremo — que está enviando para a cadeia ele e outros “cumpanheiros” — é a eleição do ex-ministro da Educação Fernando Haddad prefeito de São Paulo.
Me expliquem o que quer dizer isso!
Quer dizer que a decisão soberana do Supremo — no caso dele, Dirceu, por sonoros 8 votos a 2 em favor da condenação por corrupção ativa — precisa de uma “resposta”?
E por quê?
A decisão foi tomada por algum tribunal de países que Dirceu admira, como a Venezuela em que o coronel Chávez manda na Justiça?
Em que país Dirceu julga que vive? Na Cuba que visita sempre com prazer, e onde recebeu treinamento para uma guerrilha que nunca teve coragem de fazer?
E o que é que teria que ver uma eventual vitória de Haddad em São Paulo com a cadeia onde, se tudo correr bem, o ex-chefe da Casa Civil irá passar larga temporada?
O eleitorado estaria, por acaso, absolvendo os ladravazes do PT?
O sonho dos tucanos paulistas é trazer o mensalão para a campanha de José Serra contra Haddad. Dirceu está fazendo isso por eles.
Mas continuo.
Não bastasse esse bestialógico, o Diretório Nacional do PT, obviamente influenciado por Dirceu, lançou ao final da reunião uma daquelas notas vociferantes, com as tradicionais entrelinhas totalitárias e ameaçadoras de sempre, em que diz, a certa altura:
“Nosso desempenho nas eleições municipais ganha ainda maior significado, quando temos em conta que ele foi obtido em meio a uma intensa campanha, promovida pela oposição de direita e seus aliados na mídia, cujo objetivo explícito é criminalizar o PT.
Não é a primeira, nem será a última vez, que os setores conservadores demonstram sua intolerância; sua falta de vocação democrática; sua hipocrisia, os dois pesos e medidas com que abordam temas como a liberdade de comunicação, o financiamento das campanhas eleitorais, o funcionamento do Judiciário; sua incapacidade de conviver com a organização independente da classe trabalhadora brasileira.
Mas a voz do povo suplantou quem vaticinava a destruição do Partido dos Trabalhadores”
Comento, em seguida, alguns pontos dessa nota agressiva e mentirosa:
1. “Criminalizar o PT”
Quem criminalizou não o PT, mas ex-membros de sua alta cúpula dirigente, não foi “a oposição de direita e seus aliados na mídia”, mas o mais alto e respeitável tribunal do país.
Não custa lembrar, uma vez mais, com infinita paciência, que, além de tudo, dos 10 ministros que votaram, 7 estão no Supremo por indicação de governos petistas.
2. A “intolerância” dos “setores conservadores”
O que é a “intolerância” que os “progressistas” e “esquerdistas” do PT — aliados de Collor, Maluf, Sarney e Renan Calheiros — atribuem aos “setores conservadores”?
Onde está a intolerância — esta sim, apanágio do PT desde seu nascedouro?
Por acaso seria aplaudir a decisão do Supremo que a) atestou que existiu o mensalão, até então, para Lula et caterva, “uma farsa”; b) atestou que foi alimentado por dinheiro público; c) comprovou que se destinava a comprar o apoio de deputados no Congresso para o lulalato; d) comprovou, e decidiu de acordo, que Dirceu, pela posição que ocupava, cometeu, em diferentes ocasiões, o crime de corrupção ativa?
Pois então me incluam entre os “conservadores” e “intolerantes”.
3. Liberdade de comunicação
Que autoridade tem o PT para falar do assunto? Estão há anos tentando o “controle social da mídia” — que, sabemos desde o tristemente célebre Franklin Martins, é calar a boca da imprensa independente. Nem o ministro petista Paulo Bernardo, das Comunicações, apoiou ou apoia esses delírios, que claramente o partido quer recolocar em debate.
4. Funcionamento do Judiciário
O PT só gosta que o Judiciário funcione quando não é para colocar na cadeia seus figurões.
No que é, afinal, que os “setores conservadores” estão obstaculizando o funcionamento do Judiciário?
Quem, senão Lula, acusou o mensalão — depois de aceita a denúncia do Ministério Público pelo Supremo — de ser uma “farsa”?
5. ” Incapacidade de conviver com a organização independente da classe trabalhadora brasileira”
Não me façam rir. Estão falando com maria-vai-com-as-outras Paulinho da Força, que já foi adversário feroz de Lula, aderiu ao lulalato e agora, em São Paulo, resolveu apoiar o tucano José Serra?
Ou da CUT? Aí a piada é maior ainda, já que se trata da velha e conhecida correia de transmissão sindical do partido — o qual, uma vez no poder, vem sucessivamente premiando sindicalistas por sua instalação em postos nos quais estão preparados, principalmente, para embolsar os salários graúdos.
A nota do PT, que se solidariza com Dirceu sem, covardemente, assumir isso, é cínica, mentirosa e de tom totalitário. Também faltou coragem aos lulo-petistas para dizer às claras o que a nota só sugere: sua inconformidade com as decisões democráticas do Supremo.

MENSALÃO: Segundo Sardenberg, as declarações dos condenados Dirceu e Genoino dizem que eles lutaram pela democracia — mas as próprias declarações desqualificam a democracia



s.Comunista não, torneiro-mecânico. Da esquerda para a direita: o sindicalista Jair Meneguelli, ex-prefeito Marcelo Déda, ex-governador Olívio Dutra, o ex-deputado Paulo Delgado, Lula, Vladimir Palmeira e José Dirceu, em encontro do PT realizado em 1987, ano em que o partido começou a discutir possíveis alianças com outras agremiações (Foto: AE)
Comunista não, torneiro-mecânico. Da esquerda para a direita: Jair Meneguelli, Marcelo Déda, Olívio Dutra, Paulo Delgado, Lula, Vladimir Palmeira e José Dirceu, em encontro do PT realizado em 1987, ano em que o partido começou a discutir possíveis alianças com outras agremiações (Foto: AE)
Artigo publicado na seção País do jornal O Globo
IRONIA DA HISTÓRIA
Vamos falar francamente: os jovens da esquerda revolucionária dos anos 60 e 70 nunca lutaram pela democracia. Não, pelo menos, por esta que temos hoje e que vem sendo aperfeiçoada desde 1985.
Todos que participaram dos partidos, movimentos, vanguardas e alas daquela época sabem perfeitamente que se lutava pela derrubada do capitalismo e pela implantação aqui de um regime tipo cubano. E se não quiserem ou não acreditarem em depoimentos pessoais, basta consultar os documentos produzidos por aqueles grupos.
Poderão, então, verificar, que a única grande divergência entre eles estava no processo. Para alguns, a revolução comunista viria pela guerrilha a partir do campo, no modelo cubano. Para outros, o capitalismo seria derrubado pela classe operária urbana que se formava no Brasil em consequência do próprio desenvolvimento capitalista.
Derrubar o regime dos militares brasileiros não era uma finalidade em si. Aliás, alguns grupos achavam que a instauração de uma “democracia burguesa” seria contraproducente, pois criaria uma ilusão nas classes oprimidas. Estas poderiam se conformar com a busca “apenas” de salários, benefícios, casa própria, carro, etc., em vez de lutarem pelo socialismo.
Pois foi exatamente o que aconteceu. E, por dessas ironias da história, sob a condução e a liderança de Lula! Uma vez perguntaram a Lula, preso no Dops de São Paulo: você é comunista? E ele: sou torneiro-mecânico.
Uma frase que diz muito. De fato, o ex-presidente jamais pertenceu à esquerda revolucionária. Juntou-se com parte dela, deixou correr o discurso, mas seu comportamento dominante sempre foi o de líder sindical em busca de melhores condições para os trabalhadores da indústria. Líder político nacional, ampliou seu objetivo para melhorar a vida de todas as camadas mais pobres, não com revolução, mas com crédito consignado, salário mínimo e bolsa família, bens de consumo e moradia, churrasco e viagens. Tudo pelas classes médias.
Dirceu e Genoino: notas contraditórias, em que criticam a democracia pela qual juram que lutaram
José Dirceu e José Genoino: notas contraditórias, em que criticam a democracia pela qual juram que lutaram no passado. No fundo, é o velho discurso: a democracia é burguesa, uma farsa que só favorece os ricos
Mas por que estamos falando disso? Certamente, não é para uma cobrança tardia. É por causa do julgamento do mensalão, mais exatamente por causa das reações de José Dirceu, José Genoíno e tantos outros membros do PT.
Os dois ex-dirigentes condenados deram notas escritas, cujo conteúdo tem dois pontos contraditórios. De um lado, tentam passar uma ilusão, a de que lutavam pela democracia desde os anos 60.
De outro, desqualificam essa democracia ao dizer que a decisão do Supremo Tribunal Federal, poder central no regime democrático, foi um julgamento de exceção e de ódio ao PT, promovido por elites reacionárias que dominam a imprensa e a justiça. Eis o velho discurso: a democracia é burguesa, uma farsa que só favorece os ricos.
Ao mesmo tempo, dizem que a vida do povo, dos mais pobres, melhorou e muito sob o governo do PT. Ora, em qual ambiente o PT cresceu, o presidente Lula ganhou e governou? Nesta nossa democracia que, entre outras coisas, levou a este extraordinário momento: Lula e Dilma indicaram os juízes do STF que condenaram Genuíno e Dirceu.
O movimento estudantil dos anos 60 e 70 foi uma tragédia. Foram para a política os melhores rapazes e moças. E a política, por causa da ditadura local e da guerra fria global, e mais a ideologia esquerdista então dominante na intelectualidade e na academia, levou à luta armada.
Tratava-se de um tremendo engano político. Como acreditar que uma guerrilha dentro da floresta amazônica poderia terminar com a tomada do poder em Brasília? Estava claro que a nova classe operária, como os trabalhadores da indústria automobilística, com seu líder Lula, sequer pensavam em Cuba, mas sonhavam com o padrão de vida dos colegas de Detroit. E os sindicalistas, com posições no governo.
E assim, jovens idealistas e com o sentimento de dever, perderam a vida, foram massacrados em torturas, banidos pelo mundo, famílias arrasadas. É um milagre que tantos deles tenham conseguido recolocar de pé a vida e estejam aí prestando serviços ao país.
Mas não serve para nada tentar esconder essa história. Em vez de tentar mudar o passado, melhor seria uma revisão, uma crítica serena, favorecida pelo tempo passado. Mesmo porque, sem essa crítica, ocorrem as recaídas que, estas sim, podem perturbar o ambiente político.
Felizmente, a democracia, modelo clássico, de Ulysses, Tancredo, Montoro, venceu, não sem uma ajuda dos jovens dos anos 60 e 70

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Diário da Dilma: Malandra é a vaca que já nasce malhada para não fazer academia

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE OUTUBRO DA REVISTA PIAUÍ
1º de setembro ─ O que posso fazer se a educação pública no Brasil é essa desgraceira sem fim? Professor nenhum me ensinou a diferença entre “por que” e “porque”. Daí vem a imprensa me chamar de burronilda só porque/por que escrevi errado no bilhetinho. Eles acham o quê? Que posso ligar para o professor Antonio Candido toda vez que estiver com dúvida? Da minha caligrafia, nem um pio. Tão caprichadinha, tão esmerada.
 2 de setembro ─ Como diria o Zózimo, e esse FHC, hein? Um lobo em pele de tucano. Se fez todo de cavalheiro com aquele charme untuoso dele e agora me dá uma mordida dessas. Ele sabe muito bem que o bobo do Lula sobe nas tamancas toda vez que ele abre a boca. Já disse para o Lula resolver isso na análise. O fato é que quem paga o pato sou eu. Fui obrigada a dar uma resposta, menos mal que não cometi nenhum erro de ortografia.
Esse episódio todo é muito triste. Apesar de tudo, aquele raposão do FHC ainda tem o seu encanto. Ele nunca deixou de me chamar de presidenta. Ah, poder, és mesmo solitário.
3 de setembro ─ Pedi para a Ana de Hollanda fazer a primeira coisa útil da gestão dela: convencer o Chico a apoiar o Haddad. O bicho é pesado. Se até eu já ganhei uma eleição em cima do Serra!
4 de setembro ─ Gabrielzinho chegou. Veio passar o feriado com a vovó, veio? Veio passá? Qué bincá? Que pitchuco! E ainda dizem que não pode haver Rousseff fofo.
5 de setembro ─ Vinte minutos a mais de esteira esse mês. Já sinto a cintura mais afilada. Soube que a Cristina K. anda esquiando na Patagônia. Conheço a bisca: quer chegar à reunião da ONU com as pernocas em dia. Nem por nada Dilminha será desbancada. Vou desembarcar em Nova York assim meio etérea, uma sílfide tropical. Estou pensando em tecidos de voile, sempre em tons pastéis. Ousarei deixar os ombros de fora? O vestido da Michelle na convenção não me sai da cabeça.
6 de setembro ─ Cáspite! Chegou a conta de luz. Mamãe não para de usar o microondas, eu tenho exagerado um pouco no secador de cabelo e essa esteira consome mais energia do que a CSN. Malandra é a vaca que já nasce malhada para não fazer academia. Agora, as tarifas são escorchantes mesmo, o que me deixa num dilema terrível. O Lobão é indemitível.
7 de setembro ─ Independência. Sei. Só vou acreditar no dia em que o Lula largar do meu pé, o PMDB parar de pedir cargo e mamãe me der um pouco de espaço vital. Dilminha needs personal space!
Tem coisa mais jeca do que esse desfile? Parece uma quermesse. Não é à toa que a Ideli adora, ninguém casa com policial impunemente. E como venta em Brasília, meu Deus! O Kamura despejou duas caçambas de concreto para segurar o meu topete. Não sei como FHC fazia. Ele sempre teve um cabelo bem armado.
8 de setembro ─ “De noite, eu rondo a cidade/ a te procurar, sem te encontrar./ No meio de olhares, espio/ em todos os bares, Dilma, você não está.” Para de pensar nele, não faz bem. O homem está ocupado com a 11ª rodada do petróleo.
9 de setembro ─ Baixei as tarifas dos bancos, os juros do cartão de crédito e a conta de luz. Próximo passo: tirar mamãe do SPC. Quando a carroça anda é que as melancias se ajeitam.
10 de setembro ─ Indiquei o Teori Zavascki para a vaga do Peluso. Achei o nome gozado e o João Santana aprovou; segundo ele, minha única fragilidade é a percepção, injusta, de que não tenho senso de humor. Acontece que até o Álvaro Dias elogiou. Acho que fiz besteira.
Até agora, nada de Chico Buarque no horário eleitoral do Haddad. Estou de olho, irmã, estou de olho.
11 de setembro ─ Lá no estrangeiro, há onze anos, dois aviões atacaram as Torres Gêmeas. Aqui, uma moça burlou a segurança para gritar que queria casar comigo. Somos ou não somos um país amável?
Tive de nomear a Marta, não teve jeito! O Lula estava me deixando maluca. Além do quê, a Ana teve todas as chances do mundo. Em mais de dois anos de governo, ela não me conseguiu nem um mísero drinque com o irmão. A conclusão a que eu chego disso tudo é que São Paulo gosta mesmo é de um botox. Elegeu a Marta e agora quer o Russomanno…
12 de setembro ─ Que susto levei com o desmaio do Temer em Roma! Só me faltava essa! Depois me explicaram que ele andou mais de uma hora naquele calorão todo sem tirar o paletó. Vaidade, vaidade, teu nome é Michel. Tivesse colocado um chapeuzinho, pelo menos. Mas esconder aquela cabeleira? Nunca. Esse morre, mas não perde a pose.
13 de setembro ─ Recebi a visita do nadador paraolímpico Daniel Dias. Fui firme: ou ele e os coleguinhas se engajam para que as Paraolimpíadas de 2016 não sejam chamadas de “Paralimpíada”, ou cancelo tudo.
14 de setembro ─ Que rebu! A Ideli me acordou logo cedo, parecia que estava tendo uma hemoptise: “Sirigaita! Doidivanas! A rainha não merece! É o fim da monarquia! Blá-blá-blá!” Desde o primeiro dia que ela implica com a Kate. É inveja da silhueta e daqueles calcanhares bem torneados, finos. Eu fiquei com dó. A moça estava com o marido, num castelo tipo o de Caras, só que sem ninguém. Tinha direito à privacidade. Depois, ela é de outra geração e essas coisas são normais. Eu é que preciso me precaver. Convenci mamãe a interrompermos nossos banhos de sol na laje do Palácio. Vai que…
15 de setembro ─ Gente, que fuzuê é esse no Oriente Médio? A Gleisi diz que é tudo por causa de um filme sem graça que satiriza o Maomé. Imagina se o povo brasileiro reagisse assim a cada novo filme do Bruno Mazzeo…
16 de setembro ─ Lancei o Bolsa Medalha para ver se a gente desencanta nos Jogos Olímpicos. A Ideli, que é metida a espirituosa, pediu um Bolsa Chanel para as ministras.
18 de setembro ─ Minha Santa Rita do Coração Perpétuo, nem eu aguento mais Avenida Brasil! Que enrolação! Vou ter que falar com o marido da Gleisi e vamos rever a tal da regulamentação dos meios. Certa estava eu na juventude: “O povo não é bobo, fora Rede Globo!” Como se não bastasse o que fizeram com a Camila na novela das seis. Sei que o sobrenome é Pitanga, mas aquela cor não existe na natureza. Parece uma barra de chocolate amargo.
21 de setembro ─ Tadinho do Zé Dirceu. Mandei um bilhetinho para ele com uma frase que vovó adorava repetir: “Quem se faz de Redentor, sai crucificado.” Mandei em português, não em búlgaro.
22 de setembro ─ Chamei o Patriota e dei um tranco nele. Não quero saber daquele hotel Waldorf Astoria. Um palácio de ácaros! Entro e já começo a espirrar. Além disso, a comida é horrível! O marido de uma amiga minha, que é do mercado, me disse para ficar no St. Regis. É para lá que eu vou. E ainda quero ver se embarco sábado à noite e fujo para tomar um brunch no Balthazar. Delícia, delícia, delícia!
24 de setembro ─ Start spreading the news/ I am leaving today/ I want to be a part of it/ New York, New York!!! Amanhã me puseram no horário da tarde. Divino. Dá tempo de fazer o discurso e chispar para o Barneys. Quero ver uns fascinators e perguntar se eles já receberam o vestido da Michelle.
25 de setembro ─ Fiquei bem naqueles tons outonais. Disse lá as coisas que o Guido me mandou dizer e fui até a Macy’s comprar os presentes de mamãe. É mais barato que o Barneys e ela não percebe a diferença. Para a Ideli, eu levo um xampuzinho aqui do hotel mesmo.


A herança do carisma

Eliana Cardoso

Hoje me arrisco. Temo que os admiradores de Gandhi me rejeitem por lembrar palavras que gostariam de ver enterradas e esquecidas. 
Tanto no Brasil como na Índia, a imprensa é livre. O voto, limpo e honesto. Mas as campanhas eleitorais são custosas e sujas. Desvios populistas talvez expliquem como democracias vibrantes podem conviver com enormes disparidades. Calcula-se que 30% da população indiana sobrevive em pobreza abjeta, ao mesmo tempo que (atrás apenas da Rússia) a Índia ocupa o segundo lugar entre os países que têm os maiores números de bilionários no mundo. Parece que a desigualdade indiana se deve (em boa parte) ao sistema de castas. E é triste constatar que Gandhi - líder que ainda hoje inflama a imaginação e a admiração de muitos - sempre defendeu esse sistema.
Treinado como advogado britânico, depois de viver na África do Sul, onde foi importante líder comunitário, Gandhi voltou para a Índia, onde repensou o hinduísmo através do espiritualismo ocidental de sua época, enfatizando ideias como a reencarnação, o aperfeiçoamento pelo ascetismo e a fusão com o divino. Seu objetivo na vida? Alcançar o estado de perfeição em que o ciclo de renascimento chega ao fim e a alma se une a Deus. O caminho para a perfeição? A crucificação da carne. No sexo residia o perigo primeiro para a libertação final. Gandhi misturava o medo cristão do pecado com a fobia hinduísta de poluição. Aos 65 anos, uma ejaculação involuntária virou assunto para um comunicado angustiado ao público. Aos 77, testou a si mesmo dormindo nu com sua sobrinha-neta.
O extremismo de suas convicções não se limitava à cama. Enumerando suas crenças fundamentais, explicou que as máquinas representam um grande pecado. As ferrovias espalham a peste bubônica e aumentam a fome. Hospitais propagam o pecado. O camponês não precisa saber ler, pois o conhecimento das letras o tornaria descontente com sua sorte.
No seu tempo, o caminho da virtude exigia a expulsão da civilização ocidental da Índia e em 1920, usando seus dons excepcionais de energia e organização, Gandhi lançou uma campanha de não cooperação: renúncia de todos indianos às honrarias conferidas pelos britânicos e às posições no serviço público, na polícia e no exército, seguida pelo não pagamento de impostos. A campanha e o boicote à compra de bens estrangeiros eletrizaram o país. E em 1.º/2/1922 Gandhi anunciou que chegara a hora de iniciar o não pagamento de impostos. Quatro dias depois, a polícia de Chauri Chaura (no Estado de Uttar Pradesh) disparou contra manifestantes, matando três deles. A multidão contra-atacou e destruiu o local de refúgio dos policiais. Ao saber do ocorrido, Gandhi declarou um jejum de cinco dias e cancelou o movimento nacional.
Seu desgosto genuíno não parece ter determinado sua decisão, pois ele assumiria a postura contrária em 1942, ao declarar a jornalistas: "Se Deus quer destruir o mundo por meio da violência e me usar como seu instrumento, como posso impedir isso?" Parece que a razão para sua retirada súbita em 1922 estava ligada ao temor de que a revolta popular levasse a uma revolução socialista.
Do lado positivo, não nos podemos esquecer de que a imagem do líder semeou movimentos pacifistas ao redor do mundo e nele Aung San Suu Kyi encontrou inspiração para a revolta não violenta contra a ditadura de Mianmar.
Do lado negativo, precisamos lembrar a posição de Gandhi quanto ao sistema de castas. Embora condenando a ideia dos intocáveis, sempre defendeu e pregou a divisão da sociedade em quatro castas. Acreditando na transmigração e na reencarnação, afirmava que a natureza, sem nenhuma possibilidade de erro, faz as correções necessárias. Um brâmane que se comporta mal reencarna em divisão inferior: "Não há necessidade de ajustes nesta vida".
A bala de um assassino embalsamou Gandhi no papel de mártir e ainda hoje faltam à Índia políticos indianos que desafiem seus ensinamentos e condenem o sistema de castas. Converter um líder carismático em super-herói atrasa reformas benéficas ao progresso. O peronismo, na Argentina, é o exemplo mais próximo de idolatria política. Teremos sorte se o julgamento do mensalão vier a livrar a sociedade brasileira do lulismo.
* PH.D. PELO MIT,  É PROFESSORA TITULAR DA FGV-SÃO PAULO
SITE: WWW.ELIANACARDOSO.COM

sábado, 6 de outubro de 2012

Companheiro de quartos clandestinos de hotel de José Dirceu ataca o STF. Faz sentido!

É impressionante! José Sérgio Gabrielli é aquele rapaz que a presidente Dilma Rousseff teve de botar para correr da Petrobras tão logo pôde. Graça Foster, que o substituiu, está desconstruindo a sua gestão, considerada ruinosa pelo mercado — e pelos fatos. Pesquisem a respeito. Como prêmio de consolação, ele se tornou secretário de Planejamento da Bahia. Jaques Wagner quer fazê-lo seu sucessor.

Gabrielli, vocês devem se lembrar, era uma daquelas pessoas que se encontravam com José Dirceu em quartos de hotel — à socapa e à sorrelfa. Também foi aquele senhor que contou uma mentira escandalosa em 2010 ao afirmar que FHC tentara privatizar a empresa. Vale dizer: Gabrielli não tem limites.
E provou isso de novo! Ontem, acusou o STF de estar ameaçando o estado de direito. Na Folha, leio o seguinte trecho: “Ele exemplificou criticando a ‘teoria do domínio do fato’, usada para acusar o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de comandar o mensalão. Segundo Gabrielli, essa é uma condenação ‘assumidamente sem provas’”.
Uma correção na reportagem: a teoria do domínio do fato foi citada, mas Dirceu está sendo condenado em razão de suas ações quando ministro, que evidenciam a sua ligação com o esquema criminoso. NÃO ESTÁ SENDO CONDENADO SEGUNDO A TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO COISA NENHUMA!
Quanto à acusação de que o STF condena sem provas, feita pelos ex-maquiador da Petrobras, temos aí um casamento infeliz em que a ignorância instrui a militância e a militância dá voz ativa à ignorância. Petismo enfim!
Por Reinaldo Azevedo