quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

TODAS AS PESSOAS MORTAS PELAS ESQUERDAS - OS 19 ASSASSINADOS ANTES DO AI-5

O que é que os livros de história e boa parte da imprensa escondem de você, leitor? Apenas a verdade.

As esquerdas alegam que o Regime Militar, ao longo de 21 anos, matou 424 dos seus militantes. É um número provavelmente inflado. Mortos comprovados são 293 - os outros constam como “desaparecidos” e se dá de barato que tenham sido mortos por “agentes do regime”. Nessa conta, diga-se, estão quatro militantes da ALN-Molipo que foram mortos pelos próprios “companheiros”. Ela também inclui os que morreram de arma na mão no Araguaia - já lembro a lista total.
O que não se diz é que o terrorismo de esquerda matou nada menos de 119 pessoas, muitas delas sem qualquer vinculação com a luta política. Quase ninguém sabe disso. Também se consolidou uma outra brutal inverdade histórica, segundo a qual as ações armadas da esquerda só tiveram início depois do AI-5, de 13 de dezembro de 1968. É como se, antes disso, os esquerdistas tivessem se dedicado apenas à resistência pacífica.
Neste primeiro post sobre as vítimas dos terroristas de esquerda, listo apenas as pessoas mortas antes do AI-5: nada menos de 19. Em muitos casos, aparecem os nomes dos assassinos.
Se vocês forem procurar na lista dos indenizados com a Bolsa Ditadura, muitos homicidas estão lá, sendo beneficiados por sua “luta contra a ditadura”. Ou, então, suas respectivas famílias recebem o benefício, e o terrorista é alçado ao panteão dos heróis. Quem fez a lista dos assassinados pela esquerda é o grupo Terrorismo Nunca Mais. “Ah, lista feita pelo pessoal da direita não vale!!!” E a feita pela extrema esquerda? Vale? Ademais, estes fatos estão devidamente documentados . Seguem os nomes das 19 pessoas assassinadas antes do AI-5 e, sempre que possível, de seus algozes. Ao longo do dia, publicarei os outros 100 nomes.
Ah, sim: PARA AS VÍTIMAS DA ESQUERDA, NÃO HÁ INDENIZAÇÃO. Como vocês sabem, eles não têm nem mesmo direito à memória. Foram apagados da história pela Comissão da Mentira.

AS VÍTIMAS DAS ESQUERDAS ANTES DO AI-5

1 - 12/11/64 - Paulo Macena,  Vigia - RJ
Explosão de bomba deixada por uma organização comunista nunca identificada, em protesto contra a aprovação da Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a UBES. No Cine Bruni, Flamengo, com seis feridos graves e 1 morto
2 - 27/03/65- Carlos Argemiro Camargo, Sargento do Exército - Paraná
Emboscada de um grupo de militantes da Força Armada de Libertação Nacional (FALN), chefiado pelo ex-coronelJeffersom Cardim de Alencar Osorio. Camargo foi morto a tiros. Sua mulher estava grávida de sete meses.
3 - 25/07/66 - Edson Régis de Carvalho, Jornalista - PE
Explosão de bomba no Aeroporto Internacional de Guararapes, com 17 feridos e 2 mortos. Ver próximo nome.
4 - 25/07/66 - Nelson Gomes Fernandes, almirante - PE
Morto no mesmo atentado citado no item 3. Além das duas vítimas fatais, ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva. Além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda. Sebastião Tomaz de Aquino,  guarda civil, teve a perna direita amputada.
5 - 28/09/66 - Raimundo de Carvalho Andrade - Cabo da PM, GO
Morto durante uma tentativa de desocupação do Colégio Estadual Campinas, em Goiânia, que havia sido ocupado por estudantes de esquerda. O grupo de soldados convocado para a tarefa era formado por burocratas, cozinheiros etc. Estavam armados com balas de festim. Andrade, que era alfaiate da Polícia Militar, foi morto por uma bala de verdade disparada de dentro da escola.
6 - 24/11/67 - José Gonçalves Conceição (Zé Dico) - fazendeiro - SP
Morto por Edmur Péricles de Camargo, integrante da Ala Marighella, durante a invasão da fazenda Bandeirante, em Presidente Epitácio. Zé Dico foi trancado num quarto, torturado e, finalmente, morto com vários tiros. O filho do fazendeiro que tentara socorrer o pai foi baleado por Edmur com dois tiros nas costas.
7 - 15/12/67 - Osíris Motta Marcondes,  bancário - SP
Morto quando tentava impedir um assalto terrorista ao Banco Mercantil, do qual era o gerente.
8 - 10/01/68 - Agostinho Ferreira Lima - Marinha Mercante - Rio Negro/AM
No dia 06/12/67, a lancha da Marinha Mercante “Antônio Alberto” foi atacada por um grupo de nove terroristas, liderados  por Ricardo Alberto Aguado Gomes, “Dr. Ramon”, que, posteriormente, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN). Neste  ataque, Agostinho Ferreira Lima foi ferido gravemente, vindo a morrer no dia 10/01/68.
9 - 31/05/68 - Ailton de Oliveira,  guarda Penitenciário - RJ
O Movimento Armado Revolucionário (MAR) montou uma ação para libertar nove de seus membros que cumpriam pena na Penitenciária Lemos de Brito (RJ) e que, uma vez libertados, deveriam seguir para a região de Conceição de Jacareí, onde o MAR pretendia estabelecer o “embrião do foco guerrilheiro”. No dia 26/05/68, o estagiário Júlio César entregou à funcionária da penitenciária Natersa Passos, num pacote, três revólveres calibre 38. Às 17h30, teve início a fuga. Os terroristas foram surpreendidos pelos guardas penitenciários Ailton de Oliveira e Jorge Félix Barbosa. Foram feridos, e Ailton morreu no dia 31/05/68. Ainda ficou gravemente ferido o funcionário da Light João Dias Pereira, que se encontrava na calçada da penitenciária. O autor dos disparos que atingiram o guarda Ailton foi o terrorista Avelino BrioniCapitani
10 - 26/06/68-  Mário Kozel Filho - Soldado do Exército - SP
No dia 26/06/68, Kozel atua como sentinela do Quartel General do II Exército. Às 4h30, um tiro é disparado por um outro soldado contra uma camioneta que, desgovernada, tenta penetrar no quartel. Seu motorista saltara dela em movimento, após acelerá-la e direcioná-la para o portão do QG. O soldado Rufino, também sentinela, dispara 6 tiros contra o mesmo veículo, que, finalmente, bate na parede externa do quartel. Kozel sai do seu posto e corre em direção ao carro para ver se havia alguém no seu interior. Havia uma carga com 50 quilos de dinamite, que, segundos depois, explode. O corpo de Kozel é dilacerado. Os soldados João Fernandes, Luiz Roberto Julião e Edson Roberto Rufino ficam muito feridos. É mais um ato terrorista da organização chefiada por Lamarca, a VPR. Participaram do crime os terroristas Diógenes José de Carvalho Oliveira, Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egídio Fava, Onofre Pinto, Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antônio dos Santos, Dulce de Souza Maia, Renata Ferraz Guerra Andrade e José Ronaldo Tavares de Lima e Silva. Ah, sim: a família de Lamarca recebeu indenização. De Kozel, quase ninguém mais se lembra.
11 - 27/06/68 - Noel de Oliveira Ramos - civil - RJ
Morto com um tiro no coração em conflito na rua. Estudantes distribuíam, no Largo de São Francisco, panfletos a favor do governo e contra as agitações estudantis conduzidas por militantes comunistas. Gessé Barbosa de Souza, eletricista e militante da VPR, conhecido como “Juliano” ou “Julião”, infiltrado no movimento, tentou impedir a manifestação com uma arma. Os estudantes, em grande maioria, não se intimidaram e tentaram segurar Gessé que fugiu atirando, atingindo mortalmente Noel de Oliveira Ramos e ferindo o engraxate Olavo Siqueira.
12- 27/06/68 - Nelson de Barros - Sargento PM -  RJ
No dia 21/06/68, conhecida como a “Sexta-Feira Sangrenta”, realizou-se no Rio uma passeata contra o regime militar. Cerca de 10.000 pessoas ergueram barricadas, incendiaram carros, agrediram motoristas, saquearam lojas, atacaram a tiros a embaixada americana e as tropas da Polícia Militar. No fim da noite, pelo menos 10 mortos e centenas de feridos. Entre estes, estava o sargento da PM Nelson de Barros, que morreu no dia 27.
13 - 01/07/68 - Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen - major do Exército Alemão - RJ
Morto no Rio, onde fazia o Curso da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Assassinado na rua Engenheiro Duarte, Gávea, por ter sido confundido com o major boliviano Gary Prado, suposto matador de Che Guevara, que também cursava a mesma escola. Autores: Severino Viana Callou, João Lucas Alves e um terceiro não-identificado. Todos pertenciam à organização terrorista COLINA- Comando de Libertação Nacional.
14 - 07/09/68 - Eduardo Custódio de Souza - Soldado PM - SP
Morto com sete tiros por terroristas de uma organização não identificada quando de sentinela no DEOPS, em São Paulo.
15 - 20/09/68 - Antônio  Carlos  Jeffery - Soldado PM - SP
Morto a tiros quando de sentinela  no quartel da então Força Pública de São Paulo (atual PM) no Barro Branco. Organização terrorista que praticou o assassinato: Vanguarda Popular Revolucionária. Assassinos: Pedro Lobo de Oliveira, Onofre Pinto, Diógenes José Carvalho de Oliveira, atualmente conhecido como “Diógenes do PT”, ex-auxiliar de Olívio Dutra no Governo do RS.
16- 12/10/68 - Charles Rodney Chandler - Cap. do Exército dos Estados Unidos - SP
Herói na guerra com o Vietnã, veio ao Brasil para fazer o Curso de Sociologia e Política, na Fundação Álvares Penteado, em São Paulo/SP. No início de outubro de 68, um “Tribunal Revolucionário”, composto pelos dirigentes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Onofre Pinto (Augusto, Ribeiro, Ari), João Carlos KfouriQuartin de Morais (Maneco) e LadislasDowbor (Jamil), condenou o capitão Chandler à morte, porque ele “seria um agente da CIA”. Os levantamentos da rotina de vida do capitão foram realizados por Dulce de Souza Maia (Judite). Quando retirava seu carro das garagem para seguir para a Faculdade, Chandler foi assassinado com 14 tiros de metralhadora e vários tiros de revólver,  na frente da sua mulher, Joan,  e de seus 3 filhos. O grupo de execução era constituído pelos terroristas Pedro Lobo de Oliveira (Getúlio), Diógenes José de Carvalho Oliveira (Luis, Leonardo, Pedro) e Marco Antônio Bráz de Carvalho (Marquito).
17 - 24/10/68 - Luiz Carlos Augusto - civil - RJ
Morto, com 1 tiro, durante uma passeata estudantil.
18 - 25/10/68 - Wenceslau Ramalho Leite - civil - RJ
Morto, com quatro tiros de pistola Luger 9mm durante o roubo de seu carro, na avenida 28 de Setembro, Vila Isabel, RJ. Autores: Murilo Pinto da Silva (Cesar ou Miranda) e Fausto Machado Freire (Ruivo ou Wilson), ambos integrantes da organização terrorista COLINA (Comando de Libertação Nacional).

19 - 07/11/68 - Estanislau Ignácio Correia - Civil - SP
Morto pelos terroristas IoshitameFugimore, Oswaldo Antônio dos Santos e Pedro Lobo Oliveira, todos integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária(VPR), quando roubavam seu automóvel na esquina das ruas Carlos Norberto Souza Aranha e Jaime Fonseca Rodrigues, em São Paulo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A guerra está declarada


by fernaslm
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Com o juramento do Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, de lutar "sem descanso" até que “os corruptos e corruptores” resposáveis “pelo incêndio de grandes porporções que consome a Petrobras e convulsiona um país que não tolera mais a desfaçatez de alguns agentes públicos e maus empresários que precisam conhecer o cárcere” porque “a corrupção também sangra e mata”, seguida da ordem expressa de Dilma Rousseff ao seu constrangido ministro da Justiça, Jose Eduardo Cardoso, que ouvira praticamente calado o repto do mais alto representante do Ministério Público, para que convocasse toda a imprensa nacional e voltasse a público para desafia-lo, está oficialmente aberto o confronto final entre a lei e a ordem e a liberação geral do vale-tudo em que estamos embarcados e do qual, se confirmado, não haverá retorno.
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Janot entende perfeitamente com o que está lidando e qual a importância desta batalha:
“A resposta aos que assaltaram a Petrobrás será firme dentro e fora do País, e caberá aos procuradores que atuam na primeira instância do Judiciário propor ações penais e de improbidade contra todos aqueles que roubaram o orgulho dos brasileiros pela sua companhia. Aqui e alhures (EUA, Holanda...), a decisão é de ir fundo na responsabilização penal e civil daqueles que engendraram esse esquema. Não haverá descanso. A Procuradoria Geral da República age e o Ministério Público Federal fará com que todos os criminosos envolvidos no esquema respondam perante o Judiciário”.
Pois Dilma Rousseff fez questão de responder-lhe com um desafio direto, sustentando a diretoria conivente com o assalto à Petrobras pessoalmente nomeada por ela cuja demissão ele acabara de exigir.
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Rodrigo Janot foi responsável pela criação do grupo de procuradores que investigam o caso a partir da Justiça Federal do Parana e é quem tem a competência para pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de ação penal nos casos em que há envolvimento de políticos e outras "autoridades" com foro privilegiado.
Dilma Rousseff é conhecida pela permanente confusão que faz entre a sua pessoa e a institucionalidade do cargo que ocupa mas, a esta altura, isto não pode mais ser tido apenas como acidente. É exatamente essa a natureza do desafio do PT lança contra a “democracia burguesa” cujos rituais e valores o partido não tem nenhuma noção do que sejam e tem raiva de quem tenha, seja ele um cidadão comum, seja o mais alto representante da defensoria pública.
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A promessa de justiça do procurador Janot, para se consubstanciar, precisará, entretanto, materializar-se em ações de um processo cujo relator é Teori Zsavaski, o ministro da Suprema Corte onde deverão ser julgados os mandantes do assalto à Petrobras e à Nação. E todas as suas manifestações sobre o caso, até o momento, foram claramente enviesadas.
Alinha-se nesse mesmo exército a banda podre do Congresso Nacional onde, entretanto, uma oposição que parecia morta nos últimos 12 anos se tem mostrado mais aguerrida do que nunca. Foi lá que, agora ha pouco, sofreu a primeira baixa o exército do Brasil bandalho com a cassação de André Vargas, o eterno comparsa de Alberto Yousseff, por 349 votos contra 1 e 6 abstenções.
Quem decidirá esta guerra é o brasileiro das ruas. O Ministério Público só poderá derrotar o Brasil bandalho, que está solidamente plantado em todas as encruzilhadas do sistema que lhe podem garantir a impunidade, se todos nós formos às ruas tantas vezes quantas for necessário para ecoar a exigência de Justiça que Rodrigo Janot colocou nos termos exatos que esta calamidade pede.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Lula, Dilma e o petrolão

Marco Antonio Villa
Não há na história da República brasileira um escândalo da magnitude do petrolão. Mais ainda: não há na história mundial nenhuma empresa pública que tenha sofrido uma sangria de tal ordem. Ficamos cada dia mais estarrecidos com a amplitude do projeto criminoso de poder que controla o país desde 2003. Bilhões de reais foram desviados da Petrobras. Agora as investigações devem também alcançar o setor elétrico, as obras do PAC e aquelas vinculadas à Copa do Mundo. Ou seja, se já estamos enojados — aproveitando a expressão utilizada por Paulo Roberto Costa na acareação na CPMI da Petrobras, na semana passada — com o que foi revelado, o que nos aguarda? E quando soubermos da lista de parlamentares e ministros envolvidos?
O país está como aquele indivíduo em Pompeia, no ano 79 d.C., que caminhava tranquilamente nem imaginando que o Vesúvio entraria em erupção. O Congresso mantém sua rotina trocando votos por dinheiro, o que já não causa nenhuma estranheza. O governo não conseguiu nomear seu Ministério e o país está sem orçamento aprovado para 2015. E o Judiciário mantém o ramerrão de sempre: muito formalismo e pouca justiça.
A boa nova é que sociedade civil está se mobilizando. Diferentemente de 2006 e 2010, desta vez o espírito cívico se manteve. Manifestações nas ruas, reuniões, debates nas redes sociais têm marcado a conjuntura pós-eleitoral. É uma demonstração de interesse pelos destinos do país e que desagrada — e não poderia ser o contrário — aos marginais do poder. Mas o que chama a atenção é o silêncio de entidades que, em certa época, estiveram à frente na defesa do Estado Democrático de Direito. Uma delas é a Ordem dos Advogados do Brasil. Qual a razão da omissão? E os artistas? O silêncio tem alguma relação com os generosos patrocínios da Petrobras?
O petrolão atingiu em cheio o governo Dilma. Pesquisa Datafolha divulgada no último domingo mostra que 68% dos entrevistados consideram que a presidente tem responsabilidade no caso. Todas as evidências apresentadas até agora vinculam o maior esquema de corrupção da história ao PT, inclusive à campanha presidencial de 2010. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivo da empreiteira Toyo Setal, afirmou que pagou propina em dinheiro vivo, em remessas a contas no exterior e em doações oficiais ao PT, tudo, segundo ele, combinado com João Vaccari, tesoureiro do partido. Portanto, foram cometidos vários crimes eleitorais. Por que a Justiça Eleitoral está silenciosa? Mendonça Neto disse também que entregava dinheiro vivo a três emissários do PT que se apresentavam com alcunhas típicas de traficantes do Complexo do Alemão: Tigrão, Melancia e Eucalipto.
Alberto Youssef foi claro quando disse: “Não sou o mentor nem o chefe desse esquema. Sou apenas uma engrenagem desse assunto que ocorria na Petrobras. Tinha gente muito mais elevada acima disso, inclusive acima de Paulo Roberto Costa.” A afirmação permite, no mínimo, três perguntas:
1 – Como é possível um esquema dessas proporções sem que autoridades superiores tenham conhecimento ou até comandem essas operações?;
2 – Por que foi organizado este esquema e com quais objetivos?
3 – Como foi possível movimentar fortunas sem que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tomasse conhecimento?
Neste processo, duas pessoas têm enorme responsabilidade como representantes do Estado brasileiro. O primeiro é o ministro Teori Zavascki. Caberá a ele a responsabilidade de, inicialmente, ser no STF o responsável pelo processo. Na Ação Penal 470, infelizmente, o ministro acabou acatando a tese de um novo julgamento que levou à derrubada da condenação por formação de quadrilha da liderança petista. E, como ficou patente, o julgamento acabou desmoralizado e objeto de chacota. Já no caso do petrolão, é incompreensível a libertação de Renato Duque. O outro é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Quando assumiu a PGR — e participou da segunda parte do julgamento do mensalão — deixou nos brasileiros uma enorme saudade do seu antecessor, Roberto Gurgel. Teve uma atuação, no mínimo, pífia. Agora, segundo noticiado, teria se encontrado sigilosamente com representantes das empreiteiras envolvidas no escândalo para, sempre de acordo com a imprensa, evitar que o processo chegue aonde deve chegar, ao Palácio do Planalto.
É impossível acompanhar o escândalo sem questionar o papel de Luiz Inácio Lula da Silva. Afinal, a organização e a prática do esquema de corrupção tiveram inicio durante o seu longo período presidencial. Porém, até hoje, apesar da gravidade dos fatos, Lula se mantém em silêncio. Tudo indica que aguarda a revelação das provas em poder da Justiça para só daí — a contragosto — emitir uma opinião. Lula é um safo, como vimos durante o processo do mensalão. Tinha pleno conhecimento do petrolão — e disso não há qualquer dúvida. Nomeou a diretoria da Petrobras com o intuito inequívoco de organizar o maior caixa 2 da história republicana. Se no mensalão ele se salvou, desta vez vai ser muito difícil. Pela primeira vez neste país poderemos ter um ex-presidente não só indiciado, mas condenado pela Suprema Corte. Resta saber se o STF vai agir dentro da lei ou permanecerá um mero puxadinho do Palácio do Planalto, como em outras oportunidades.
Do outro lado do Atlântico, em Portugal, o ex-premiê José Sócrates continua detido suspeito de fraude fiscal e corrupção. Um dia Chico Buarque cantou — ironicamente — que o Brasil iria virar um imenso Portugal. Espero que ele tenha razão.

Se a presidente faz a mesma coisa como esperar que o prefeito seja cassado?

Como todos sabem, há um processo no TRE acusando o prefeito de Morro do Chapéu por fraude na prestação de contas da campanha a prefeito em 2012. O processo obteve uma liminar que foi muito comemorada pelo deputado José Carlos Araujo suspeito de participação no propinoduto da Petrobras. Temos a informação que o processo deveria ter sido julgado na última quinta feira. Deveria porque um dos advogados do prefeito entrou com um recurso jurídico adiando mais uma vez seu julgamento. É para isso que eles são pagos; procrastinar o mais possível os processos passíveis de punir os réus os quais defendem. É possível que o prefeito seja cassado? Dá para acreditar num país em que até a presidente Dilma é acusada de irregularidades na prestação de contas a presidente? Vejamos.

Uma empresa chamada Focal Confecção e Comunicação Visual recebeu a bolada de R$ 24 milhões da campanha. A Focal fica em São Bernardo, e um dos seus donos, no papel ao menos, é Elias Silva de Mattos, um rapaz que é motorista e que, até o ano passado, recebia R$ 2 mil por mês. Ele se tornou sócio em novembro do ano passado, com participação de R$ 3 mil na composição da empresa. A outra sócia é Carla Regina Cortegoso, com cota de R$ 27 mil.
Quando foi a  reação do motorista ao ser confrontado com essa estranha “sociedade”? Esta, prestem atenção:

“Eu sabia que ia virar transtorno na minha vida. Eu não posso dar entrevista, não estou preparado para falar. Eu não sou nada, vai lá conversar com eles”.

Agora vejam uma das irregularidades apontadas na prestação de contas do prefeito de Morro do Chapéu.

Os representados inicialmente informaram à Justiça Eleitoral que a Transportadora MF Ltda cedeu 05 (cinco) veículos modelo GOL Geração IV, ano 2012, placas OKM 0161, OKM 5370, OKL 6431, OKL 5271 e OKL 8837, todavia, verificou-se que os três últimos automóveis estavam licenciados em nome da empresária unipessoal Jerlane Bezerra Coelho Costa Ltda, inscrito no CNPJ sob o no 09.097.918/0001-75.
Ao esbarrarem na exigência de que os bens cedidos devem integrar o patrimônio do doador, resolveram retificar as declarações anteriormente prestadas, e passaram a sustentar que os veículos haviam sido cedidos por Jerlane Bezerra Coelho Costa Ltda.
Não satisfeitos, ao perceberam que a cessão dos veículos era completamente estranha ao ramo de atividade econômica de Jerlane Bezerra Coelho Costa Ltda;”comércio varejista de artigos de vestuários e acessórios”, alteraram novamente a versão apresentada, nesta última, a Transportadora foi outra vez apontada como doadora, não obstante o disposto no artigo 23, parágrafo único da Resolução no 23.376/2012, in verbis:
“Os bens e/ou serviço estimáveis em dinheiro doados por pessoas físicas e candidatos, devem constituir produto de seu próprio serviço, de suas atividades econômicas e, no caso dos bens permanentes, deverão integrar o patrimônio do doador.”
Ocorre que a Trasportadora MF Ltda não tem CNPJ, não possui nenhum veículo e nem endereço onde se poderia localizar a empresa. Sabemos até quem é seu “proprietário”.
Quer dizer, não há como justificar essa cessão, doação ou locação de veículos e é nisso que o prefeito está encalacrado. E é justamente por isso que o processo vai se arrastando no TRE até que se ache um desembargador que tope arquivar o processo em troca de uma gorda propina como já se tornou costume nesses tempos de petismo.

O exemplo deveria vir de cima. Mas se lá em cima a bandalheira corre solta e nada acontece, o que esperar aqui em baixo? É por isso que os prefeitos estão cada vez mais ousados na roubalheira. O TCM reprova as contas e a Câmara de Vereadores aprova. Há propina nesse caso? Como duvidar se depois da aprovação das contas do prefeito alguns vereadores aparecem com carros novos na praça? Essa é a triste situação dos municípios desse sertão sofrido e mais do que nunca, currais eleitorais dos novos coronéis encastelados no poder.  

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cinco anfíbios geniais venceram o campeonato mundial apesar do Brasil


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Guilherme Guido, Felipe Franca, Marcos Macedo e Cesar Cielo (4 x 100 medley)
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Etiene Medeiros, ouro e recorde mundial nos 50m de costas
O vencedor do campeonato mundial de natação em piscina curta não foi o Brasil. Foram cinco brasileiros: Etiene Medeiros, Guilherme Guido, Felipe França, Marcos Macedo e Cesar Cielo. As dez medalhas (sete de ouro, duas de prata e uma de bronze) conquistadas em Doha, no Catar, pertencem a esses anfíbios geniais. Eles triunfaram apesar do Brasil.
Além dos maiores nadadores do planeta, os cinco tiveram de derrotar o viveiro de doutores em futebol, um Ministério do Esporte rebaixado a curral do PCdoB, a inexistência de qualquer coisa parecida com política esportiva, cartolas que só descobrem grandes atletas já descobertos por outros países, a crônica escassez de verbas, centros de treinamento em decomposição, uma infraestrutura indigente e tantos outros frutos do casamento da inépcia lucrativa com o oportunismo.
Dilma Rousseff, para quem piscina curta é aquela em que o neto está aprendendo a nadar, não vai perder a chance de enrolar-se na bandeira do Brasil. Ela ainda acha que festejar façanhas alheias fará o povo esquecer que o país do Petrolão logo estará liderando o campeonato mundial da corrupção

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A burocratização das mulheres

Juveninho não consegue criar vínculo amoroso exclusivo com mulheres desprovidas de curiosidade intelectual autônoma.
No Rio de Janeiro, a maioria delas, mesmo quando o escuta com atenção, ou até quando lhe faz perguntas, nunca o faz pelo interesse pessoal no conteúdo efetivo de seu discurso ou, em outras palavras, pelo desejo genuíno de adquirir conhecimento, mas apenas pela satisfação imediata de ouvi-lo discorrer com inteligência e desenvoltura (e graça, diz Juveninho) sobre um tema qualquer. É como se estivessem pensando: “Que charmoso que ele é! Não vejo a hora de mostrar para as minhas amigas, junto com a bolsa e os sapatos que eu comprei!”
Há algumas providas de certo desejo, mas que transferem para Juveninho a função de transmitir-lhes conhecimento, acomodando-se em receber dele e somente dele a instrução que poderiam, também, buscar alhures, com uma autonomia que as faria decerto mais interessantes, ainda que Juveninho já soubesse tudo que elas viessem a aprender por conta própria. O problema, diz ele, não é a eventual incapacidade das moças de ensinar-lhe algo que não saiba, mas a absoluta ausência do senso de dever moral e amoroso de buscar saber, nem que seja só para enriquecer a conversa do casal. É como se estivessem pensando: “Agora que eu tenho um Juveninho para me ensinar tudo, posso cuidar só do cabelo, da pele e das miguxas longe dele.”
Não podem, diz Juveninho. Não se quiserem ter um Juveninho para chamar de seu. Poucas coisas, diz ele, são mais descartáveis do que uma mulher sem curiosidade; e, em matéria de descartar mulheres, Juveninho só não é uma sumidade porque, segundo os amigos, ele vai enrolando todas o quanto pode. Como poderia ele, afinal, vislumbrar um relacionamento longo com mulheres que lhe perguntam burocraticamente “como foi seu dia?” ou “trabalhando muito?” como quem bate um ponto na relação, sem a vontade de conhecer os pormenores e maiores da experiência laboral e seus assuntos? Como pode Juveninho namorar uma mulher para quem não apenas o trabalho é um simples modo de “ganhar a vida” desvencilhado de qualquer vocação autêntica (e nem mesmo usado para servir financeiramente a alguma), mas que é incapaz de conceber que alguém trabalhe por mais do que o dinheiro para aproveitar as férias?
Há mulheres para as quais falar do trabalho é mais entediante do que o próprio trabalho, de modo que, por pura projeção, elas não só imaginam que para o homem também o é, como creem que namorar é apenar sair junto para brincar no parquinho. Juveninho não gosta de dizer em público o que dirá no fim desta frase, e isto porque a patrulha politicamente correta desprovida do senso das nuances o acusaria de chamar mulheres de cachorras, mas o tipo mais comum de namorada na Disneylândia carioca, segundo Juveninho, é a do tipo poodle: aquela que está sempre esperando você levá-la para passear.
Tudo em profundidade, à exceção do sexo (em alguns casos, segundo Juveninho), parece a estas mulheres tremendamente aborrecido, sem contar os temas que, mesmo superficialmente, soam-lhe intragáveis, como, por exemplo, a política. Não que não seja, diz Juveninho, especialmente a política com “p” minúsculo, pequeno-partidária, que Juveninho também abomina porque, como dizia Joaquim Nabuco, “não só um mundo de coisas me parece superior a ela, como também minha curiosidade, o meu interesse, vai sempre para o ponto onde a ação do drama contemporâneo universal é mais complicada ou mais intensa”. Mas a incapacidade de enxergar o drama contemporâneo universal contido em acontecimentos de pano de fundo político – assim como esportivo, artístico, literário, cultural etc. – afunila as possibilidades de assimilação do conhecimento humano de tal forma que ninguém, segundo Juveninho, deveria se dar ao luxo de desprezar completamente aquilo que à primeira vista lhe parece chato.
Juveninho não despreza. Tudo, absolutamente tudo lhe interessa, e uma mulher capaz de discorrer sobre qualquer tema, seja a botânica, o balé, o jazz, a arquitetura ou a engenharia mecatrônica, é-lhe sempre uma companhia mais enriquecedora do que aquelas que, mesmo quando empenhadas em qualquer atividade profissional ou extracurricular, não demonstram saber dela mais do que o necessário para, bem ou mal, exercê-la. No Rio de Janeiro, ninguém quer saber de nada, diz ele, a não ser do que tem de bom no fim de semana, e o “de bom” significa geralmente uma festinha pop. A melhor forma de constranger uma carioca seria perguntar-lhe que livro ela está lendo, mas a maioria das cariocas, segundo Juveninho, nem sequer se constrange de não estar lendo coisa nenhuma. É como se a única autonomia que elas desejassem fosse, quando muito, a financeira; e Juveninho só não vai a outros estados conhecer e namorar seus casinhos virtuais, porque, segundo os amigos, morre de medo de avião.
Antigamente, diz ele, as mulheres que estudavam psicologia, letras, história, filosofia e outras ciências sociais e humanas tinham alguma curiosidade intelectual autônoma, de modo que talvez bastasse aos Juveninhos da época fazer plantão na saída desses cursos para encontrar um grande amor. Agora, com o predomínio da ideologia de esquerda nesses ambientes, quando Juveninho faz plantão na saída, tudo que encontra são ativistas incuráveis, dançarinas de forró, maconheiras ou, na melhor das hipóteses, nerds feinhas que ele jamais pegaria. Juveninho nega ter a dificuldade confessada por outros autores lisos, segundo ele, para conquistar as primeiras, e tampouco declina da tarefa de educá-las durante o processo; apenas lamenta que sejam tão avessas a aprender o que está fora de sua bolha acadêmica enfumaçada.
E o que sobra? Sobram as burocráticas estudantes ou profissionais de administração e direito, aparentemente duas modas entre as moças do seu tempo, que em geral, diz ele, escolheram o primeiro curso por não saber o que fazer e o segundo na esperança de passar em concurso público, trabalhar pouco e ganhar muito para se sustentar e “curtir a vida”. São tão raras as administradoras que buscaram na área apenas as ferramentas para concretizar o sonho de montar determinado negócio e as advogadas movidas pelo verdadeiro ideal da justiça, o qual supõe uma entrega na compreensão das coisas do mundo para muito além da especialidade, que Juveninho, assim de cabeça, não se lembra de ter conhecido nenhuma. De médicas e engenheiras, Juveninho nem fala, porque o orgulho que a maioria sente de seguir carreiras outrora mais restritas aos homens e já recheadas por eles de uma vaidade pueril, infunde-lhes tamanho ar de sabedoria que tudo o mais parecem tratar como uma grande brincadeira. Não que Juveninho de vez em quando, segundo os amigos, não brinque de médico com elas.
Para ele, no entanto, a consequência mais nefasta da cultura brasileira de ódio ao conhecimento é a burocratização das mulheres. Quando os amigos o acusam de fazer generalizações descabidas sobre as brasileiras ou cariocas, ele manda todos procurarem as ativistas de esquerda nos forrós universitários, dizendo que o discurso deles combina e a relação tem tudo para dar certo. Quando as amigas, mais compreensivas e capazes de refletir sem melindres, insistem em dizer que os homens não são diferentes das mulheres descritas por ele, que o problema é nacional etc., Juveninho responde sempre a mesma coisa:
“Ok, mas… de que me interessam os homens?”
Longe dos amigos, Juveninho reza todas as noites para que Nossa Senhora das Exceções lhe brinde com uma bela mulher que o ache charmoso, sim, mas que, provida de curiosidade intelectual autônoma, não tenha se esquecido de ser interessante também.
Juveninho pode até ser mala para muitos, porque alguém tem de sê-lo e ele adora; mas deixa claro que não veio ao mundo para ser bolsa nem sapato de mulher.
Felipe Moura Brasil 


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Como agem os prefeitos desse sertão nordestino



       O prefeito é eleito para gerir as verbas advindas dos governos estadual, federal e outros órgãos da administração pública, com honestidade e espírito público. Este tem como dever, estimular as manifestações culturais, zelar pelo progresso do município e ser fiel guardião da democracia. E os vereadores são eleitos para garantir que todos esses atos serão praticados pelo chefe do executivo municipal com inteira responsabilidade. Esses têm poderes amplos para cassar o mandato do prefeito que não esteja exercendo sua função com probidade administrativa..
   Contudo, o que se vê, notadamente no interior nordestino, é os prefeitos desrespeitarem abertamente todos os princípios que norteiam seus cargos. São inimigos do progresso, do desenvolvimento cultural e são ferozes adversários da democracia. Os recursos financeiros que deveriam ser aplicados em saúde, educação e obras básicas, servem apenas para aumentar seu patrimônio pessoal. Alguns passam de pobretões irrecuperáveis ao serem eleitos, a desfrutar de uma riqueza súbita, adquirindo fazendas, cabeças de gado, apartamentos na capital, mudando-se para uma casa luxuosa e trocando de carro como se troca de camisa. Alguns nem vergonha tem de transferir mulher e filhos para a capital, matriculando os meninos nos melhores colégios e submetendo suas esposas a uma recauchutagem geral para ver se as mesmas adquirem ares de primeira dama. É claro que todo esse investimento é feito com recursos surrupiados da educação, da saúde, dos transportes e obras públicas. Mas como garantir que todos esses recursos sejam transferidos para as suas mãos sem correr nenhum risco? Fácil: colocando gente  de confiança nas secretarias estratégicas para garantir que os recursos sejam manipulados com segurança. Sem esquecer do tesoureiro de absoluta confiança e o especialista em finanças públicas para garantir o acerto da contabilidade  junto ao Tribunal de Contas. Não é por  outra razão que o tesoureiro é sempre o melhor amigo do prefeito. 
Às vezes rouba-se muito e falta dinheiro para pagar o funcionalismo municipal e principalmente, aos fornecedores. Então acontece aquela praga tão bem conhecida por todos que lidam com prefeituras: atrasa-se os pagamentos. Os pequenos funcionários passam necessidades, (os secretários-parentes, contadores e tesoureiro tem seus salários pagos religiosamente em dia) e os comerciantes e empresários ficam a beira da falência. E quem chiar não vai receber nada durante meses. Se se tornar adversário então, nunca mais! É preciso dizer amém para todos seus atos  sob pena de perseguição feroz. Ninguém escapa: delegados e soldados de polícia, professores, diretores de escola, presidentes de sindicatos, comerciantes, empresários, presidentes de ligas esportivas, médicos, enfermeiras, vereadores adversários, jornais, emissoras de rádio, presidentes de associações comunitárias, até promotores públicos (tenta-se de tudo para “amaciar” o juiz eleitoral). Quem quiser entrar na folha de pagamento tem que se submeter. Saddam Hussein?  Besteira! Ninguém é pior do que prefeito de interior. Se não faz faxina étnica é porque não tem poderes para tanto.
Mas o que detém esse ditadorzinho é o avanço cultural. Nada pode lhe trazer maior ódio do que o esclarecimento da opinião pública. Por isso tem de se fiscalizar rigidamente as emissoras de rádio e o jornal local, se houver (o cargo de secretário de cultura é apenas decorativo). Oferece-se boas recompensas para colocá-los a seu serviço. Na emissora de rádio do cupincha do prefeito falará somente quem ele liberar e o jornal fará apenas elogios a sua profícua administração. Se por acaso esses órgãos de comunicação não quiserem se submeter, ficarão a pão e água. Para garantir a completa falência, todo comerciante e empresário que fizer anúncios nos mesmos, serão tirados da lista de fornecedores da prefeitura.
E os vereadores? Esses políticos eleitos para zelar pela boa administração? Vã esperança!  Quase todos são tomados pela cobiça e querem também desfrutar das mordomias. E tudo lhes é dado pelo prefeito desde que se comportem como aqueles macaquinhos: não ouvem, não falam e não vêem nada quando o assunto se refere a ele. Como “recompensa” ao prefeito camarada, aprovam uma emenda que dê a ele gordas diárias quando se desloca para a capital, e a metade da mesma, quando viaja para qualquer município. E o absurdo de tudo isso é que o prefeito viaja para a capital para visitar a família, que lá está residindo, e ganha quantas díárias ali permanecer. Se vai para alguma de suas fazendas, logicamente localizadas em municípios vizinhos, também ganha diária. Afinal, é muito fácil declarar que estava a serviço do município ao qual governa. E o prefeito, para garantir esse privilégio, adquire um novo prédio para a Câmara, com gabinetes particulares e telefone para todos os vereadores. E para esses vereadores submissos, além do salário, haverá sempre uma  outra fonte de recursos. A traição política é incentivada e a falta de caráter, recompensada. Mas nada traz maior dividendos do que as votações importantes como a eleição do presidente da Câmara e a aprovação da contas públicas ou o orçamento anual com a tão cobiçada verba de representação. Nessas ocasiões o prefeito chega a tirar do próprio bolso para garantir votação favorável.
E o povo, essa entidade fantasma que todos gostam de se arvorar como defensores? Pobre povo! Ninguém sofre tanto! Os comerciantes, empresários, delegados, polícias, jornalistas, radialistas, professores, diretores de escola, promotores públicos, tem lá suas fontes de recursos. Mas o povo não tem nada. Estão a mercê do prefeito e sua quadrilha. Quem não for correligionário morrerá de fome, não recebendo a cesta básica e o peixe da semana santa. Haverá somente a esperança de receber alguma coisa, em véspera de eleição, quando o dinheiro e a cesta básica correm soltos. Se alguém quiser vender alguma mercadoria na feira ou em qualquer local público, terá de pedir o aval da prefeitura. E não há como escapar, pois numa cidade pequena, todos sabem da vida de todos. Sabe-se quem é adversário, quem é correligionário, quem anda falando mal do prefeito, quem anda elogiando. As paredes tem ouvidos e os bares e pontos comerciais estão coalhados de puxa-sacos. A atmosfera é sufocante, contrária a manifestação do livre pensamento. Deste modo, o que se espera é apenas a manutenção do atraso secular e o crescimento da ignorância. Uma cidade-fantasma onde reina o silêncio dos mortos. Ou dos inocentes.