quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Comer peixe toda semana ajuda a evitar o Alzheimer


Consumo regular da carne está associado à proteção da saúde da massa cinzenta do cérebro, responsável pela cognição

Doenças degenerativas: com a morte dos neurônios, o cérebro entra em um processo que dá origem a doenças como o Alzheimer (Creatas Images/Thinkstock)
Pessoas que comem peixe cozido ou grelhado semanalmente apresentam redução nos riscos de desenvolvimento do transtorno cognitivo leve (TCL) ou mesmo o Alzheimer. As conclusões são de um estudo apresentado nesta quarta-feira durante o encontro anual da Sociedade Americana de Radiologia.

Massa cinzenta
Região do cérebro que possui o corpo das células nervosas. Inclui regiões do cérebro envolvidas no controle muscular, memória, emoções, fala e percepção sensorial, tais como ver e ouvir.
“Esse é o primeiro estudo a estabelecer uma relação direta entre o consumo de peixe, a estrutura cerebral e os riscos de Alzheimer”, diz Cyrus Raji, da Universidade de Pittsburgh. “Os resultados mostraram que pessoas que consomem peixe cozido ou grelhado ao menos uma vez na semana tinham uma melhor preservação da matéria cinzenta do cérebro. Isso foi visto em exames de ressonância magnética em áreas consideradas de risco para o Alzheimer.”

O Alzheimer é uma doença cerebral incurável e progressiva, que lentamente destrói a memória e as habilidades cognitivas. Em pessoas com transtorno cognitivo leve, a perda de memória também está presente, mas em uma menor extensão. Pacientes com a doença, frequentemente desenvolvem Alzheimer, sendo o TCL considerado um estágio intermediário entre o envelhecimento normal e a demência.

Dados – Para o estudo, foram selecionados 260 indivíduos cognitivamente normais. Informações sobre o consumo de peixe foram coletadas usando o Questionário Sobre Frequência Alimentar, do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos. Do total, 163 pacientes consumiam peixe semanalmente, a maioria apenas uma ou duas vezes por semana. Todos fizeram ressonância magnética no cérebro para que os pesquisadores pudessem avaliar o volume da massa cinzenta com o consumo de peixe semanal em 10 anos.

Os resultados foram então analisados para determinar se a preservação da massa cinzenta associada com o consumo de peixe reduzia os riscos para o Alzheimer. Foram controlados idade, gênero, escolaridade, raça, obesidade, atividade física e a presença ou não de apolipoproteína E4 (ApoE4) – gene que aumenta os riscos de desenvolvimento da doença.

O volume da massa cinzenta é crucial para a saúde do cérebro. Quando seu nível permanece elevado é um sinal de que a saúde do órgão está sendo mantida. Mas a redução de volume indica que as células cerebrais estão se encolhendo.

Os resultados mostraram que o consumo de peixe cozido ou grelhado toda semana estava positivamente associado com os maiores volumes de massa cinzenta em diversas áreas do cérebro. Os riscos para o desenvolvimento de TCL e Alzheimer em cinco anos foram reduzidos em quase cinco vezes. “O peixe cozido ou grelhado faz os neurônios mais fortes, tornando-os maiores e mais saudáveis”, diz Raji.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Revista aponta Wagner como pior governador entre oito avaliados


Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), é o melhor avaliado


O desempenho do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), ficou em último lugar em uma lista com oito comandates dos principais estados brasileiros que conseguiram superar a crise e atrair investimentos e ainda os que tiveram dificuldades em equilibrar finanças e conquistar empresas. O levantamento, divulgado na edição de novembro da Revista Voto, de Porto Alegre, utilizou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Movimento Brasil Competitivo e ainda a análise de líderes empresariais e de classe, além de cientistas políticos e econômicos. De acordo com a reportagem, o governo baiano, apesar das ações na área de educação, enfrenta uma grave crise financeira. "Mesmo assim, a Bahia tem o Polo Petroquímico de Camaçari. E os baianos estão recebendo investimentos ainda não anunciados na área de energia eólica", escreve o diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Erik Camarano. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), lidera o ranking. De acordo com Camarano, entre os estados da federação, Pernambuco será o que terá maior transformação do ponto de vista de investimentos.

“Pré-Sal do Sertão”: Eólicas podem transformar Bahia em grande potência energética

A francesa Alstom dá início nesta quarta-feira (30) à produção de aerogeradores no Polo Industrial de Camaçari, na região metropolitana de Salvador. A companhia inicia suas atividades após investimentos de R$ 50 milhões e será a segunda na Bahia a produzir maquinário para converter vento em energia elétrica. A espanhola Gamesa está instalada desde julho no Polo, depois de ter realizado investimento semelhante, e uma série de companhias demonstram interesse no estado. É o caso da americana GE Energy, que já assinou um protocolo de intenções com o governo da Bahia para se tornar a terceira a fabricar aerogeradores no estado, com investimento inicial projetado de R$ 45 milhões. Além dela, a dinamarquesa Vestas, a maior do mundo no setor, também negocia com o governo. E a Torrebras, subsidiária brasileira da espanhola Windar Renovables, quer ser a primeira fábrica de torres eólicas da Bahia.

Uma das principais características que diferenciam o maior estado nordestino dos demais, em especial os vizinhos de região, é que os melhores ventos para a geração de energia não são registrados no litoral, mas sim, na área mais pobre do território, o semi-árido. A região tem como vantagem a frequência dos ventos, que se tornam mais fortes em épocas de seca, período este que dura entre oito e dez meses por ano. Por conta disso, a produção da energia eólica no estado ganhou o apelido de “pré-sal do sertão” entre os mais entusiasmados. Inicialmente, o principal obstáculo para a disseminação da tecnologia pela Bahia era o custo de produção desse tipo de energia, porém, com o aumento no volume de contratos e a oferta cada vez maior de componentes para torres eólicas derrubaram os custos, fazendo com que o cenário melhorasse e tornasse a alternativa uma das mais baratas.

Entre 2009 e 2011, o governo federal realizou três leilões para a exploração de áreas. Desse total, 52 estão localizadas na Bahia, que concentra 20% do total de potencial energético comercializado no país, chegando a 1,4 mil megawatts (MW) dos 7 mil MW envolvidos nos leilões. O montante equivale a mais de 10% do total de energia produzida nas hidrelétricas e termelétricas no estado hoje, cerca de 11 mil MW. Ao todo, os investimentos confirmados pelas empresas na Bahia chegam a R$ 6 bilhões, porém a projeção é que alcance dez vezes esse montante nos próximos anos, tornando o estado o principal produtor desse tipo de energia no Brasil. Ao se considerar o potencial energético do tipo de tecnologia disponível, com o uso de torres de 100 m de altura no lugar das de 60 m, as mais comuns atualmente, por exemplo, chega a 29 mil MW. Isso equivale a mais de duas usinas de Itaipu, operando na capacidade máxima, ou 20% do potencial total de produção de energia eólica do país. Com informações do Estadão.

Em pedra dura

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo

O PT anda um pouquinho, recua um pouquinho, disfarça e volta a um assunto que lhe é especialmente caro: o poder do Estado de estabelecer algum tipo de controle sobre a imprensa.
Sexta-feira passada aconteceu mais uma reunião para o partido discutir a questão que tenta introduzir na agenda do País desde o início do primeiro mandato de Lula.
De lá para cá a abordagem do tema foi sendo adaptada, a fim de driblar resistências.
Hoje esse debate acontece sob a justificativa de que é necessário estabelecer "um novo marco regulatório para a mídia", mas em 2004 a mesma proposta foi apresentada ao País com sinceridade e nitidez.
Era preciso, na visão do partido que chegava ao poder, criar um órgão - o Conselho Federal de Jornalismo - para "orientar, disciplinar e fiscalizar" o trabalho dos meios de comunicação.
Na época, o PT ainda era estreante nas lides governamentais, não havia se iniciado com afinco na produção de escândalos em série e estava acostumado a ser paparicado por quase toda a grande imprensa da qual reclama, mas que até o caso Waldomiro Diniz dava ao partido e ao presidente Lula uma cobertura extremamente favorável.
Ao "presidente operário" tudo era permitido. Inclusive renegar o próprio discurso sem ser confrontado com rigor diante da contradição-mãe de chamar de herança maldita o legado do antecessor e, ao mesmo tempo, tirar dela o melhor proveito.
A partir dos tropeços do governo é que o cenário mudou. Mas não mudou no partido a ideia de exercer domínio sobre a grande imprensa, o único setor que lhe foge completamente ao controle. E é isso o que incomoda.
Por mais disfarçados que sejam os argumentos. Em artigo no jornal O Globo de ontem, o presidente do PT, Rui Falcão, lista alguns pontos que seriam alcançados pelo "marco regulatório".
Fala em "ferramentas eficazes de inclusão social e defesa da comunicação e cultura nacionais", na garantia do acesso universal à internet em banda larga, em mecanismos para "evitar que o poderio econômico dos grandes grupos de telefonia sufoque setores da mídia tradicional" e na ampliação de recursos para "grandes redes de radiodifusão pública e de telecomunicações".
Tudo muito decente. E vago. De substantivo mesmo, resta o resumo das intenções feito no seminário de sexta-feira pelo deputado cassado, réu do mensalão e dirigente do PT, José Dirceu: "Os proprietários de veículos de comunicação são contra nós, fazem campanha dia e noite contra nós. Só lamento que não haja um jornal de esquerda, que seja a favor do governo".
Há de todos os matizes no País todo: de esquerda, de direita, sem orientação, nos blogs, nos sites. Não falta espaço de comunicação em defesa do governo.
Mas há também os que exercem a crítica, e ao PT e sua pretensão à hegemonia desconforta essa convivência com o contraditório. Daí a insistência.
Vai levando. Crua e resumidamente, prevalece a seguinte visão no governo sobre o efeito das denúncias de corrupção na popularidade da presidente: enquanto a interpretação geral for a de que as demissões significam que Dilma é implacável, não há necessidade de bancar o risco de confrontação com a base mudando os critérios de ocupação de espaços.
E prossegue o raciocínio: como o noticiário de rádio e televisão favorece a essa conclusão, pois não se aprofunda na análise de que a presidente só demitiu por impossibilidade de não demitir, há margem para esticar a corda e evitar novas demissões.
Até que a reforma ministerial renove a imagem de uma Dilma ativa - e não reativa - face às deformações de origem nos critérios de composição da equipe de governo.
Resumo da ópera: quanto menos as pessoas alimentarem o hábito da leitura e quanto mais continuarem a se informar por meios cuja própria natureza remete à informação menos elaborada e desprovida de interpretação, melhor para o governo.
Embora seja bem pior para o desenvolvimento da massa crítica, sem a qual não se faz uma sociedade capaz de dialogar de igual para igual com o poder público.


Exército proibe cidades pequenas de comprar armas de fogo para guardas

As cidades pequenas estão conseguindo na Justiça o direito de adquirir armas para uso da Guarda Municipal, mas o Exército diz que é proibido. Em São Paulo, 35 cidades com menos de 50 mil moradores receberam autorização da Justiça para armar os guardas municipais. A liminar dá direito ao guarda de portar uma arma durante o horário de trabalho.

“Embora a Guarda Municipal tenha uma natureza preventiva, ela estando desarmada, como que ela vai coibir o criminoso? Não tem como enfrentar o criminoso. Por isso que o armamento é, na minha ótica, imprescindível”, afirma o juiz Jayme Walmer.

Mas o Exército, que autoriza a compra da munição e das armas, discorda da interpretação dos juízes. “As cidades com menos de 50 mil habitantes não têm autorização para adquirir armas nem munição”, afirma o major do Exército Alexandre Oliveira Moço.

O Exército leva em consideração o que está escrito no Estatuto do Desarmamento de 2003. Pela lei, só podem andar armados os guardas das cidades com população acima de 50 mil habitantes.

Os prefeitos dos pequenos municípios discordam: dizem que a Constituição Federal está sendo desrespeitada porque, neste caso, o estatuto dá tratamento diferenciado a cidades. Cabreúva, a 80 quilômetros de São Paulo, decidiu renovar o armamento de toda a Guarda Municipal. Mas esbarrou na proibição do Exército, mesmo tendo uma liminar.

“Graças a Deus, nos últimos anos, não havia a necessidade da guarda participar de qualquer ocorrência letal com o uso e disparo de arma de fogo. Ainda bem, porque não conseguimos comprar”, explica César Zarantonello, comandante da Guarda Municipal de Cabreúva.

Em Itupeva, foi a população que doou parte do armamento para a guarda da cidade. “Nós temos recebido doações de armas, de pessoas que se desfazem da arma, e acabam doando para a prefeitura”, afirma Ocimar Polli, prefeito de Itupeva.

Segundo a assessoria jurídica de Itupeva, das 18 armas, 7 foram doadas por moradores e registradas na Polícia Federal em nome da prefeitura. O Exército diz que isso é irregular: “Se ela não está na região metropolitana e não tem mais de 50 mil habitantes, essa doação não será autorizada. Qualquer doação que não seja da forma legal, estabelecida na lei, é irregular e o material pode ser apreendido”, explica o major Alexandre Oliveira Moço.

“Uma decisão transitada e julgada não pode ser questionada por quem quer que seja. Se o Exército está agindo assim, ele está afrontando a coisa julgada. E não poderia ser feito assim”, afirma o juiz Jayme Walmer. As informações são da TV Globo

sábado, 26 de novembro de 2011

Artista, malabarista, açougueiro e jornalista têm o direito de ter o miolo mole. Mas tem o dever democrático de agüentar a crítica.

No mundo inteiro, meus caros, celebridades, especialmente as ligadas ao showbiz e ao mundo das artes, vivem dando opiniões. E falam com ainda mais paixão sobre aquilo de que não entendem. No Brasil, por razões várias, esse traço é ainda mais acentuado. Conversava, na tarde de ontem, com um jornalista amigo, que atua em Brasília, um gigante da profissão, e concluímos que isso vem daquele tempo em que todos combatíamos a ditadura, e qualquer opinião que fosse “contra o regime valia a pena”. Assim, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, para citar três exemplos, digamos, icônicos, se confundiam com autoridades em todos os assuntos, até… música popular! Economia, política, filosofia, poesia, sociologia, relações internacionais, qualquer coisa. Caetano, se não me engano (pode ser apenas uma memória generosa e falsa que tenho dele), chegou a fazer blague de si mesmo, com sua mania de opinar sobre tudo. José Guilherme Merquior afirmou certa feita que ele era um “intelectual do miolo mole”, e o cantor concordou em parte, num exercício de auto-ironia. Bem, Caetano e Chico andam meio afastados das polêmicas; no lugar, há um tal Moron, Moroni ou algo assim. Não parei para ver quem é. Sigamos.

Artista pode opinar sobre temas que estão fora de seu ofício? Ora, claro quem sim! Também são cidadãos. Mas seria recomendável que não procurassem usar a “autoridade” ou apreço que conquistaram em sua profissão para conferir peso a tolices que pura e simplesmente ferem os fatos. As Organizações Globo divulgaram seus Princípios Editoriais, válidos para o jornalismo. Eles regulam, entre outras coisas, o comportamento dos jornalistas que trabalham para as empresas do grupo, que não devem, por exemplo, fazer campanhas políticas. É o correto. Ou a isenção estará comprometida. Artistas não são jornalistas, sei disso, mas como ignorar o fato de que a “autoridade” que supõem ter para se posicionar sobre o Código Florestal, a usina de Belo Monte ou os royalties do petróleo lhes foi conferida por uma marca — a Globo — de quem se espera aquele compromisso com a verdade? Um “Gota d’Água” com estrelas de outra casa seria solenemente ignorado. Não dá para fingir que a emissora não tem nada com isso. Talvez seja chegada a hora de estabelecer alguns “Princípios” também para os artistas contratados.

A Internet é um instrumento poderoso, e cá estamos nós — não é, leitores? — na labuta diária: esclarecendo, opinando, levando pancada, batendo de vez em quando, já que a turma “do lado de lá” é chegada a dar rasteira e voadora, e cumpre não se intimidar. Mas as chamadas redes sociais também são instrumentos de propagação da ignorância, do atraso, da vigarice intelectual. Se não estivermos sempre atentos, e vou evocar um jogo de palavras antigo, mas útil neste momento, a força do argumento acaba cedendo ao argumento da força. No caso da Internet, a “força se torna argumento” quando uma maioria relativa (vale dizer: a maioria dos que se expressam na rede) pode dizer ou aderir a uma tolice e, por mais errada que esteja, sufocar aqueles que discordam.

Foi o que aconteceu com o tal vídeo “Gota d’água”, estrelado pelos globais. A quantidade de bobagens, de mentiras, de simplificações e de parvoíces ditas ali é certamente recorde para um filmete de cinco minutos. Mas todos eles estão muito convictos, certos de que aderiram a uma boa causa e de que são os santos guerreiros protetores da natureza contra os dragões da maldade que querem destruir a floresta. O post que escrevi evidenciando algumas das bobagens gerou um baita sururu. Chegou a dar pau no sistema! Houve três ordens de reação: alguns que comungavam do meu ponto de vista ficaram contentes ao vê-lo expresso; outros tantos se surpreenderam porque não haviam se dado conta das tolices, e houve o terceiro grupo que, ao constatar a verdade sem o sutiã da mistificação, ficou ainda mais furioso — este preferiu me atacar e me acusar de querer censurar os atores. Eu não quero censurar ninguém! Ainda que ache que eles cometem uma espécie de “abuso de autoridade estética e ética”, já que usam aquilo de que entendem para sentenciar sobre o que não entendem, que falem! Mas que tenham a decência de ouvir o contraditório. Mais do que isso: cada um pode ter a opinião que quiser; mentir não pode!

Simplificação grosseira


O vídeo traz uma soma vergonhosa de mentiras e é de uma ligeireza absurdamente irresponsável. O Brasil não precisa de energia apenas para que os brasileiros “assistam à novela”, como afirma Marcos Palmeira — até parece que seu ofício principal é outro e que ele ganhou notoriedade por ser produtor de morango orgânico… Também não é para que uma loura lá, outra que não sei quem é, possa carregar as baterias do “iPhone, do iPod, do iPad, do iTudo”, como ela diz, fazendo-se de mais tonta do que provavelmente seja na vida real.

Sem energia, as indústrias têm de parar, e há desemprego em massa. Sem energia, os hospitais públicos têm de parar (os dos ricos contam com gerador), e os pobres ficarão com seus respectivos abdômenes abertos, nas salas de cirurgia. Sem energia, os investidores deixam o seu dinheiro no banco porque não vão se arriscar a ter um apagão pela frente. Sem energia, não há crescimento econômico, e a pobreza e a miséria se alastram, e os remediados ficam pobres.

A novela do Palmeira ou o “iTudo” da loura que se faz de louquinha são só a expressão doméstica e a privada do uso da energia. Belo Monte é uma questão que diz respeito ao planejamento estratégico — ela, as demais usinas em construção e outras tantas que terão de ser feitas. Essa gente, sem querer, expõe um aspecto que sempre apontei no ecologismo doidivanas, embora seja ricamente financiado por potentados econômicos estrangeiros: seu aspecto obscurantista.

Vocês acham mesmo que aqueles bacanas se ocuparam ao menos de ler a respeito? Tentaram se informar? Pensaram minimamente sobre o assunto? Nada! Ou não diriam aquela coisa estúpida: já que a usina vai gerar apenas um terço do seu potencial (na verdade, é mais, em torno de 40%), então não pode ser feita! Como se o Brasil pudesse abrir mão dos 40%. E não pode! E só será assim, como deixei claro, em razão das imposições ambientais. Perguntem à China, à Rússia ou à Índia, países emergentes como o Brasil, se buscariam ou não fazer a sua “Belo Monte” render o máximo… Eles, que não dão a menor bola para danos ambientais gigantescos (e não sugiro que o Brasil siga a trilha) o fariam ainda com mais gosto se o dano ambiental fosse, como seria o nosso ainda que se fizesse o grande reservatório, mínimo!

Que fique claro:


1 - O Brasil não precisa de energia elétrica só para satisfazer os chiliques da turma do “iTudo” e da novela;
2 - a usina não vai inundar terras indígenas;
3 - a usina não vai desalojar índios;
4 - a usina não vai mudar substancialmente o regime do rio Xingu;
5 - a inundação, como o demonstrado, é ridiculamente pequena; mais: parte dela já é inundada hoje no período das chuvas;
6 - a energia utilizada não será usada apenas pelos “grandes capitalistas”; é mentira! 70% será comprada pelas redistribuidoras, que venderão aos brasileiros, NÓS TODOS, que precisamos de energia, sim!;
7 - ainda que fosse energia apenas para empresas, é bom lembrar: elas geram empregos para os brasileiros, que, assim, se livram da pobreza; brasileiros que têm o direito de trabalhar, assim como aqueles atores da Globo;
8 - as populações ribeirinhas, não-índias, que serão desalojadas vivem hoje numa situação de extrema carência, de miséria; se esses atores querem ser úteis, deveriam se organizar para verificar se as condições de reassentamento serão mesmo adequadas. Mas isso dá trabalho.
9 - é impossível — APENAS ISTO: IMPOSSÍVEL — abrir mão das hidrelétricas em favor da energia eólica ou solar porque é técnica e financeiramente inviável;
10 - a crítica que poderia ser pertinente — o custo da usina aos cofres públicos — se perde na boçalidade à medida que os “artistas” não estão debatendo o peso excessivo do estado no empreendimento, mas tentando afirmar que tudo não passa de desperdício. É uma bobagem! UM PAÍS TEM A OBRIGAÇÃO DE FAZER INVESTIMENTOS EM INFRA-ESTRUTURA. Querem lutar contra uma bobagem? Combatam a estupidez do trem-bala. Mas sei: isso não chama a atenção do Sting ou do Leonardo DiCaprio…
11 - índios, senhores patetas, precisam, sim, de educação e antibióticos, como todos nós. A idéia de que eles vivem bem nas carências da mata é coisa de gente estúpida, desinformada ou cruel.

Perversidade dos bacanas
No texto em que fundi um pouco de política com memória, abordo a perversidade dos bacanas, que costumam ter uma visão um tanto turística da pobreza. E assim é também com a natureza. Essa gente vê o seu próprio país pelo filtro das celebridades preservacionistas americanas ou européias, devidamente financiadas por entidades que não têm qualquer compromisso com o desenvolvimento do Brasil. Não se trata de nenhum juízo conspiratório, não! Trata-se da coisa mais comezinha do mundo: interesse.

Já lhes falei, por exemplo, daquele estudo intitulado “Farms Here, Forests There”, feito nos EUA. Estava sendo divulgado por uma ONG chamada, imaginem!, “Union of Concerned Scientists”. Trata-se de uma “União de Cientistas Preocupados” com o meio ambiente, amiguinha dos nossos ambientalistas, como Marina Silva, por exemplo. Ora, quem é que deu dinheiro para o tal estudo “Fazendas aqui (nos EUA), Florestas lá (no mundo emergente, como o Brasil)? Os grandes agricultores americanos! Eu estou falando de fatos, não de teorias conspiratórias.

Essa gente pode ser boba o quanto quiser e falar as asnices que desejar. Mas têm de se expor à crítica e saber que asnices são. Eu não me oponho a que Maitê Proença tire o sutiã. Ao contrário: ainda que com poucas informações, não fornecidas pelo vídeo, eu sou é a favor. Mas não por causa de Belo Monte. Esse negócio de tirar sutiã em razão de causas ficou lá com Betty Friedan. Verdadeiramente contestador hoje é tirar o sutiã sem causa nenhuma. Só porque deu vontade.

Como vou esquecer de Vinicius, nesse caso?
(…)
Vós que levais tantas raças
Nos corpos firmes e crus:
Meninas, soltai as alças
Bicicletai seios nus!
No vosso rastro persiste
O mesmo eterno poeta
Um poeta - essa coisa triste
Escravizada à beleza
Que em vosso rastro persiste,
(…)
Por um mundo sem sutiã e de luz acesa!!!

Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Energia Eólica – Turbinas Estão Matando Sem Querer Milhares de Pássaros por Dia Alguns deles Ameaçados de Extinção na Califórnia

A Califórnia é dos estados americanos que tenta se livrar da dependência dos combustíveis fósseis com megas projetos tanto de energia solar, eólica como geotérmica.
Contudo uma nova ameaça nos céus está criando um mega desafio para o setor eólico californiano apesar dos órgãos estaduais não falem ou admitam o baita do problema.

Na realidade, a indústria de energia eólica é o componente que mais cresce no portfólio de energia verde deste estado americano.
Investidores estão colocando bilhões em fazendas eólicas para produção de eletricidade gerada pelos ventos.
Gigantes turbinas de energia eólicas são atualmente partes do paisagem de muitas rodovias do estado.
Contudo, os defensores dos animais selvagens dizem que o rápido desenvolvimento de energia eólica tem uma consequência inesperada: aves mortas, incluindo espécies protegidas como águias, gaviões e corujas.
“Os impactos cumulativos são enormes”, disse Shawn Smallwood, um dos poucos especialistas reconhecidos que estudam o impacto dos parques eólicos sobre as aves migratórias. “Não é concebível para mim não fazerem nada quando a indústria eólica pode reduzir grandemente as populações já ameaçadas de águia dourada, se não até eliminá-las.”
Energia Eólica: Califórnia Tem uma População de Cerca de 2.500 Águias Douradas
Califórnia tem uma população de cerca de 2.500 águias douradas (Aquila chrysaetos). As grandes fazendas eólicas do estado matam, em média, mais de 80 águias por ano. Enquanto isto, o estado tem como meta triplicar a capacidade eólica nos próximos anos no objetivo de se tornar o primeiro estado do país a gerar 33 por cento de sua eletricidade de fontes de energia renovável até 2020.
O condado de Kern identificou cerca de 91.000 hectares ao norte de Los Angeles como uma área privilegiada para projetos de energia eólica. Infelizmente, as colinas da região e as montanhas são campos de caça privilegiados para aves de rapina e um local de parada para as aves migratórias que viajam entre o Canadá o México.
As áreas de ventanias são bem apreciadas por aves de rapina e são também ideais para geração de energia eólica.
O especialista afirmou que não é contra a energia eólica – é uma forma viável de geração de energia – mas ela precisa ser desenvolvida com mais cuidado.
O caso em questão é que a Califórnia é conhecida pelas leis super exigentes de proteção do meio-ambiente, implementação de legislação radical sobre aquecimento global com muitos defensores-amantes radicais da natureza que até agora, incompreensivelmente, se matem bastante calados diantes do que está acontecendo com os pássaros.
Por exemplo, na área da baía de São Francisco na década de 1980 ativistas exigiram um planeta limpo na visão deles. O Estado respondeu com a criação do parque eólico Altamont Pass Wind Resource Area, o maior concetração de turbinas eólicas do mundo.
Neste parque quase 5 mil turbinas eólicas fornecem energia limpa e renovável para milhares de casas na área da Califórnia Bay.
Este parque eólico estudual aprovado e construído com recuros dos contribuintes em forma de créditos de imposto federal, mata anualmente 4.700 pássaros, entre eles 1.300 aves de rapina, das quais 70 águias douradas, de acordo com os relatórios biológicos gerados em nome dos proprietários.

Energia Eólica: Onde Estaríam os Ativistas do GreenPeace e Outros Grupos se Fosse uma Refinaria de Petróleo que Tivesse Matando Inintencional Esta Multitude de Pássaros?

Imaginem onde estaríam os ativistas do GreenPeace e outros similares super defensores do meio-ambiente se fosse, por exemplo, uma refinaria de petróleo ou uma usina nuclear que tivesse matando inintencional esta multitude de pássaros, o que estariam promovendo os ativistas defensores da natureza?
Alguns avanços como a substituição das pequenas turbinas mais velhas por novas mais altas com lâminas maiores cortou aproximadamente pela metade a morte acidental de algumas espécies em alguns locais.
Uma fator bastante peculiar é que os radicais defensores da natureza agora estão falando com o mesmo vocabulários dos desenvolvimentistas capitalistas cruéis como eles chamavam sempre.
Dizem que: “nós temos essa troca na sociedade, entre as coisas que precisam para funcionar uma economia e o fato de que nós queremos garantir que temos uma ambiente para as gerações futuras”.
“Na realidade muita gente está vendo a grande disparidade como são tratadas outras iniciativas energéticas como gás natural, carvão mineral e as fontes ditas não verdes.
“Os políticos liberais do estado estão na verdade, por um momento, dando um passe para a indústria eólica sem ligarem nada para a mortalidade dos pássaros ameaçados de extinção. Se alguém matar intencionalmente ou não uma águia destas, as penalidades incluindo multa e prisão são de grandes consequências”, afirmam especialistas.
Muito estão erguendo suas vozes e dizendo que é inconcebível que o Departamento de Proteção de Peixes e Vida Selvagem dos EUA (USFWS) que aplica e reforça os U.S. Endangered Species Act, the Bald and Golden Eagle Protection Act and the Migratory Bird Treaty Act, não tenha agido forte, como faz sempre em outras ocasiões.
Um claro exemplo é o que mostramos aqui em artigo anterior sobre a situação que os centenários agricultores do Vale de San Joaquim na California estão passando.
O USFWS para suprir água para um pequeno peixe , o delta smelt (hypomesus transpacificus, a.k.a.) toda a água para milhares de agricultores de um dos valeis mais férteis do mundo, foi abrutamente cortada deixando-os sem opção de trabalho.

Energia Eólica: ”Existe uma Hipocrisia Muito, Muito Grande Aqui”

“Existe uma hipocrisia muito, muito grande aqui”, disse um dos especialistas locais. “Se eu atirar em uma águia, é uma multa US $ 10.000 e um período de férias forçadas de um a cinco anos em uma prisão federal de minha escolha.”
Vejamos o que aconteceu em outras ocasiões em que aves foram mortas por outras atividades econômicas segundo dados divulgados na imprensa americana.
Em 2009, a Exxon se declarou culpada de causar a morte de cerca de 85 aves migratórias em cinco estados que entraram em contato com o petróleo bruto em tanques de resíduos a descoberto. A multa para a Exxon foi de US $ 600.000 dólares.
Da mesma forma, a PacifiCorp, uma distribuidora de eletricidade do estado de Oregon, levou uma multa US $ 10,5 milhões de dólares, mais restituição e melhorias em seus equipamentos, depois que 232 águias foram mortas eletrocutadas por baterem em linhas de energia em Wyoming.
E em 2005, o proprietário de uma laboratório de produção de alevinos foi condenado a seis meses de prisão domiciliar e pagar uma multa de US $65.000 dólares por atirar em uma águia que estava almoçando na parte descoberta de sua estação de reprodução de peixes.
Energia eólica geram 41.400 megawatts de eletricidade nos EUA. Até agora tudo que está sendo divulgado pela imprensa se refere somente a Califórnia. Acontece que este estado da costa oeste americana representa apenas uma fração desse total, sugerindo que o número de mortes de pássaros pelas turbinas é consideravelmente maior em todo o país.
O mais intrigante de tudo é que de acordo com registros do rigoroso USFWS não há registro do departamento ter autuado uma única empresa eólica sequer por violar uma das muitas leis que protegem as aves ameaçadas e/ou em perigo de extinção.
Nós promovemos e trabalhamos com energia limpa e renovável e consideramos energia eólica uma parte importante a ser desenvolvida e estimulada corretamente.
O que não entendemos é a radical diferença com que os ditos defensores da natureza e do antropogênico aquecimento global estão agindo ou não agindo no caso da mortalidade destes passáros na Califórnia.