quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Relatório da ONG Todos Pela Educação revela que maior parte das cidades está longe de ensinar o que deve a alunos em língua portuguesa e matemática

Nathalia Goulart


A língua portuguesa representa o maior desafio para alunos e professores no fim do primeiro

ciclo do ensino fundamental, que se encerra no 5º ano (antiga 4ª série). Já ao fim do segundo ciclo, que se encerra no 9º ano (antiga 8ª séria), é a matemática que se torna um obstáculo. É isso que conclui o movimento independente Todos Pela Educação, que estabelece metas de aprendizado para alunos de todos os 5.557 municípios brasileiros.
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De acordo com o relatório De Olho Nas Metas 2011, divulgado nesta terça-feira, em São Paulo, 52% das cidades do país não atingiram, em 2009, os objetivos determinados pelo Todos Pela Educação relativos ao desempenho de estudantes do 5º anos em língua portuguesa – as metas variam de cidade para cidade e levam em conta a situação prévia de cada uma delas. É uma péssima notícia, levando-se em conta que, em muitos casos, a meta já era modesta, como fazer com que os estudantes aprendessem ao menos parcela do que de fato deveriam.
Entre as 26 capitais, 18 municípios não atingiram suas metas, além do Distrito Federal. Em Maceió (AL), por exemplo, apenas 17% dos alunos do 5º ano detêm os conhecimentos mínimos esperados para esta etapa do ensino fundamental.
Já em matemática, 75,2% dos municípios brasileiros cumpriram as metas estabelecidas. Entre as capitais, todas evoluíram segundo o esperado. Contudo, mais uma vez é preciso considerar os dados com cautela. Macapá (AP), por exemplo, atingiu o objetivo para 2009, mas ele era modestíssimo: ali, só 13,2% dos estudantes detêm os conhecimentos mínimos esperados ao fim do 5º ano. Em Belo Horizonte, que também apresentou evolução satisfatória, pouco mais da metade (51%) ainda não sabe calcular adequadamente.
No fim do 9º ano, segundo ciclo do ensino fundamental, a situação é inversa: matemática é o bicho-papão dos estudantes. Mais da metade dos municípios, exatos 56,1%, incluindo 21 capitais e o Distrito Federal, não atingiu as metas previstas. Exemplos assustadores são Salvador (BA), onde apenas 5,4% dos estudantes do 9º ano dominam conhecimentos básicos na disciplina. Em Florianópolis (SC), que também não registrou avanço, só 16,7% dos alunos aprenderam o que deveriam ao fim do segundo ciclo do ensino fundamental.
Em língua portuguesa, 81,9% das cidades brasileiras ultrapassaram a meta imposta pelo Todos Pela Educação, incluindo todas as capitais e o Distrito Federal. Outra vez, os resultados, embora alcançados, chamam a atenção pela modéstia. Em Recife, 15,5% dos concluintes do ensino fundamental têm um aprendizado adequado à sua série.
Metodologia – Os dados por municípios divulgados nesta terça-feira analisam o desempenho dos estudantes do 5º e 9º anos do ensino fundamental com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2009, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). Esses dados são cruzados com as metas estabelecidas pelo Todos Pela Educação.
Se todos os municípios atingirem os objetivos propostos pelo movimento ao longo da década, em 2022, cerca de 70% de todos os estudantes brasileiros terão um aprendizado adequado ao seu estágio escolar. A julgar pela prévia divulgada nesta terça-feira, é difícil acreditar que isso vá acontecer.

Atenção, governo de SP! Os “companheiros” petistas têm de falar primeiro na Comissão do Senado! Questão de cronologia e gravidade!

Atenção, governo de São Paulo!

Cuidado com o que pode ser uma armadilha! Os petralhas querem convidar “todas as partes” envolvidas na desocupação do Pinheirinho para falar na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) fez a coisa certa e conseguiu convidar também protagonistas de eventos no Acre, no Piauí e na Bahia, que resultaram em três pessoas feridas gravemente — ficaram cegas de um olho em confronto com a PM — e fez aprovar ainda o convite para que se explique a reintegração de posse de uma área no Distrito Federal.

Ah, se sou eu…

Vamos ver. Eu duvido — e é a moral “deles” que me faz duvidar — que, caso ocorra a sessão sobre o Pinheirinho, as demais a ela se sigam. Trata-se apenas de um convite, de comparecimento não-obrigatório. Ora, o que recomenda o bom senso? Que se façam, então, os depoimentos ao menos da ordem em que se deram os fatos.

1 - Primeiro o Acre - Quem tem de falar primeiro são os representantes do governo do Acre. Têm de falar sobre a reintegração de posse de uma área na cidade de Brasiléia, ocorrida no dia 14 de julho de 2010. Dona Maria do Rosário, secretária nacional de Direitos Humanos, tem de explicar por que a sua pasta, que era ocupada por um companheiro seu à época, nunca se interessou pelo assunto. Uma bala de borracha deixou um índio cego de um olho. Dias depois, um dos líderes da invasão, em protesto na Prefeitura, foi atingido por uma pistola elétrica no pescoço. Caiu desmaiado. Onde estão os moradores da área invadida? Já receberam casas populares? Têm direito ao aluguel social? A corregedoria da polícia apura os abusos? Fizeram-se os boletins de ocorrência?

2 - Depois é a vez do Piauí - Ouvidas todas as pessoas sobre os eventos no Acre, é preciso seguir a ordem cronológica e ouvir as envolvidas nos episódios que resultaram na agressão ao estudante Hudson Silva, que também ficou cego de um olho, em Teresina, no Piauí. Ele protestava contra a elevação do preço da passagem de ônibus. O Acre é governado pelo PT; o Piauí, pela parceria PSB-PT. Assim como as esquerdas não se interessaram por um caso, também não se interessaram por outro. A apuração do que se deu no estado no dia 18 de janeiro tem precedência sobre o Pinheirinho porque a) aconteceu antes; b) teve efeitos mais graves, claro!

3 - Aí é preciso apurar o caso da Bahia - Ouvidos todos os lados ligados aos episódios do Acre e do Piauí, aí tem de ser a vez da Bahia — e isso não tem nada a ver com o terror ora vivido por lá. No dia 22 de janeiro, o mesmo da operação de reintegração de posse do Pinheirinho, em São Paulo, a PM da Bahia reprimiu um distúrbio acontecido durante num show do Olodum. A cozinheira Almerinda Santos das Neves também ficou cega de um olho. O padrão dos “companheiros” foi o mesmo. Nada de se interessar pelo seu caso. Até parece que, quando a polícia, sob a coordenação dos “progressistas”, fura o olho de alguém, o faz para promover, sei lá, justiça social…

4 - E que venha o Pinheirinho - E aí podem ser ouvidas, então, as pessoas envolvidas na desocupação de Pinheirinho, ocorrida no mesmo dia em que a baiana Almerinda perdia um olho. Por que, então, aquele caso vem primeiro? Ora, porque as conseqüências são mais graves.

5 - Finalmente, Distrito Federal - Ouvidas as personagens daqueles acontecimentos todos, chamem-se, então, representantes do governo distrital de Brasília, do governo federal e dos sem-teto para que falem sobre a desocupação da Fazenda Sálvia, no Distrito Federal, executada pelas polícias dos petistas Agnelo Queiroz e Dilma Rousseff. Autoridades do DF explicam, cheios de orgulho, a sua tática: combater a invasão tão logo ela ocorra, com a polícia, para que a Justiça não atrapalhe…

Encerro
Listo os eventos em ordem cronológica para expor, mais uma vez e sempre, a hipocrisia dessa gente. Preto, índio e pobre do Acre, do Piauí e da Bahia não são gente digna de nota, de afeto, de proteção, de solidariedade social??? Por que os petistas nunca se interessaram por eles e querem fazer de Pinheirinho o que não foi, a saber: UM MASSACRE?

Nada disso! Siga-se a ordem! Primeiro os sem-olho da repressão petista! E mesmo assim é preciso prudência: o governo tem maioria em todas essas comissões. Lamento! Ninguém quer apurar coisa nenhuma! E posso provar. Como?

O petista e negro Paulo Paim (PT-RS), autor do Estatuto da Igualdade Racial, é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Não se mexeu para apurar as circunstâncias em que um índio e dois negros, todos pobres, perderam um olho. Por que não? Teria sido essa a sua reação se tais eventos trágicos tivessem acontecido num governo do PSDB ou do DEM? Não só se apontaria a “violência contra os pobres” como se falaria, sem hesitação, em racismo.

Alguém duvida?

Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O sofá da sogra


Ao ver esse lindo e original sofá, chamado de sofá da sogra e que agora dou o nome de sofá do castigo, sugeri a um blog local que o adotasse para premiar as pessoas ou entidades que, diante de alguma patacoada praticada, merecesse dar uma sentada nele. Mas como essa turma vive do arroz e feijão, abdicando da ousadia (e ousadia é que não nos falta), resolvemos adotá-lo. E quem vai ser o premiado desta semana? Aquela turma que edita aquele blog repugnante o qual se esmera em enlamear a honra alheia por trás de nomes falsos, já que ainda não tiveram coragem de sair do armário (e estou falando de modo literal) merecem esse sofá hors concours. Nunca leio aquela nojeira (o que se poderia esperar dessa turma?) e só sei do que falam pela boca dos outros. Podem me odiar à vontade meninas, podem tentar me esculhambar, voces não acharão nada. Como voces não tem argumentos para responder as minhas postagens relatando as lambanças do PT, voces ficam aí me chingando. Sei quem são voces.Querem tirar uma prova? Tentem.

O que voces merecem é dar uma sentada neste sofá e ficar aí pelo menos uma hora. Vai ser ruim para voces já que o instrumento de trabalho vai ficar temporiamente inabilitado. Tenham paciência e vê se voces se comportem daqui pra frente. Se não já sabe.

Toca Raul!

Os bastidores do documentário sobre as aventuras e desventuras de um dos artistas mais importantes (e malucos) da música brasileira

POR REGINA ZAPPA

Paulo Coelho acende as velas de um castiçal na mesa de jantar. “Raul é lenda, então por que contar a história?”, pergunta. O interior de sua casa em Genebra é clean. Ele está vestido de preto e começa a falar com tranquilidade sobre o antigo parceiro, com quem escreveu alguns clássicos do rock nacional, como Gita, Al Capone, Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás e Como Vovó Já Dizia, entre outros. Nesse momento aparece uma mosca. Paulo espanta o inseto e comenta: “Engraçado, aqui não tem mosca”. Ele continua a conversar e é interrompido novamente pelo zumbido do bicho, que voa em torno dele. Ele sorri. “É o Raul, não vou matar.”

Para Walter Carvalho, diretor de Raul – O início, o Fim e o Meio, cuja estreia está prevista para este mês, existe sempre uma alma generosa que protege os documentaristas e, de vez em quando, dá a eles um presente. “A mosca apareceu na hora da entrevista, em cima do Paulo, perturbando a conversa. Na hora, rimos e achamos curioso, mas depois, na montagem, vimos que era incrível que ela aparecesse”, conta.

O inusitado vem do fato de que Raul imortalizou o inseto no baioque – a junção de rock com baião que ele inventou – Mosca na Sopa: “Eu sou a mosca que pousou em sua sopa / Eu sou a mosca que pintou pra lhe abusar”, dizia o refrão. O documentário sobre Raulzito joga luz sobre um gênio que influenciou várias gerações com sua obra ácida, criativa e vigorosa e uma atitude irreverente e livre diante da vida. Walter é um dos diretores de fotografia mais premiados do país. Atuou em 70 filmes para cinema e TV, como Central do Brasil e Lavoura Arcaica. Na direção, assinou Cazuza e Budapeste. “Até para quem gosta e conhece bem o Raul, há enormes surpresas”, garante. O filme percorre épocas e movimentos distintos: a bossa nova, a ditadura, a abertura política, o rock brasileiro, o tropicalismo, os festivais. A assinatura de Walter se percebe desde o início, com a voz em off de Raul e imagens dele comendo peixe no Nordeste, em seguida emendando no sertão da Bahia e cortando para um deserto na Califórnia onde se veem Peter Fonda e Dennis Hopper em Sem Destino.

Uma das razões de o jovem produtor de São Paulo, Denis Feijão, ter encarado a empreitada é a paixão pelo artista, a mesma que move seus fãs inveterados, muitos dos quais ganham a vida como sósias. Embora contemporâneo de Raul, Walter não conhecia a fundo a história do personagem central. “Se ele fosse vivo teria 66 anos. Eu tenho 64. Somos da pós-contracultura, que vem no rastro dos beatniks”, diz. “Quando li que Raul viu mais de 20 vezes o filme Balada Sangrenta, com Elvis Presley, fiquei mexido. Eu próprio assisti pelo menos dez vezes.” Elvis era o elo que faltava entre eles. No filme, pode-se ouvir o roqueiro aos 9 anos fazendo uma imitação de Presley em gravação doméstica. Walter Carvalho também levantava a gola da camisa, fazia um topete no cabelo e fingia tocar guitarra quando garoto.

Raul Seixas nasceu em 1945, em Salvador, filho da classe média: o pai era engenheiro da estrada de ferro e a mãe, dona de casa. Ainda cedo criou com os amigos o Elvis Rock Clube. Daí para a formação do primeiro grupo foi um passo: era o Relâmpagos do Rock, que virou pouco depois Raulzito e Seus Panteras. Esse tipo de conjunto de quatro componentes se espalhou, curiosamente, pelo Nordeste. Em 1968, gravou no Rio seu primeiro disco, com Os Panteras, um estrondoso fracasso. Sua carreira só deslanchou quando inscreveu Let Me Sing, Let Me Sing no Festival Internacional da Canção de 1972. No ano seguinte, lançou o clássico Krig-Ha Bandolo, que continha o hino Metamorfose Ambulante e a canção Ouro de Tolo. Tinha formado com Paulo Coelho uma parceria produtiva. Paulo era hippie e apresentou o amigo a Euclides Lacerda, da Ordem dos Templários do Oriente, sociedade secreta antirreligiosa e cheia de rituais satânicos, baseada nos ensinamentos do ocultista inglês do século 19 Aleister Crowley. Seu lema, adotado pelos jovens discípulos: “Faz o que queres que há de ser tudo da lei”.


Paulo admite uma competição entre os dois e revela que foi ele quem apresentou as drogas ao colega. O produtor André Midani chora ao se lembrar de Raul, e o crítico musical Tárik de Souza afirma ter sido ele o precursor do rap no país. “Raul era vômito”, afirma um Pedro Bial totalmente tiete, que viu 17 vezes o show do ídolo no teatro Tereza Raquel. Caetano Veloso aparece cantando Ouro de Tolo. Os fãs e imitadores surgem reunidos em torno de lembranças marcantes. Foram ao todo 94 pessoas entrevistadas e 400 horas de filmagens. As imagens do próprio Raul são incríveis. “Verdade absoluta não existe, minha música só abre as portas para as liberdades individuais”, diz ele, a certa altura.

Mas os momentos mais reveladores estão reservados para as ex-mulheres e as três filhas. A filha Simone, que foi levada para os Estados Unidos pela mãe, a americana Edith Wisner, aos 4 anos, e nunca mais viu o pai, se emociona. Glória Vaquer fala ao lado da filha Scarlet e do neto de Raul, Dakota, muito parecido com o avô, aliás. Os três vivem no Texas. Lena Coutinho, sua última companheira, gravou sua participação em Washington, onde vive, e admitiu, referindo-se ao alcoolismo: “Perdi a batalha”. Há ainda as ex-companheiras Kika Seixas (com a filha deles,Vivian) e Tânia Mena Barreto. Todas abrem o coração e lamentam a trajetória tumultuada pelas drogas e pela bebida.
O auge de Raul Seixas se deu entre 1973 e 1979. A partir daí, viria a decadência. Morreu só em seu apartamento, em agosto de 1989, aos 44 anos. Seu corpo foi encontrado pela empregada Dalva – que, no filme, desmaia ao voltar ao local. Tinha acabado de fazer uma turnê de 50 apresentações. Para Walter Carvalho, ele morreu de amor. Amor pela menina Edith, por quem se apaixonou na adolescência e que o abandonou quando soube que Glória estava grávida dele. Além disso, ela não teria aguentado a vida que ele escolheu. “Foi o amor que o acompanhou sempre”, afirma Walter. “Ele enveredou pelo caminho da boemia, perdeu o controle e, quando quis voltar, já não tinha mais forças e nem para onde. Sua vida tem uma carga criativa e irreverente, mas também melancólica, que passa por essa ruptura que ele não recupera. Alguma coisa se perdeu no tempo e no espaço.”

Bala de borracha? A culpa é o PSDB, não é isso? Ou o jeito petista de enfrentar os conflitos.

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Foto de Paulo Maldos exibindo sorridente uma bala de borracha com a qual foi supostamente atingido no conflito de Pinheirinho

Foto de Raul Spinassé, da Agência A Tarde/AE.



Este rapaz negro é uma dos manifestantes que entraram em confronto com forças de segurança federais em frente à Assembléia Legislativa da Bahia. Levou um tiro de bala de borracha no rosto. Não estou certo, mas acho que não há sede de um Poder Legislativo — municipal, estadual ou federal — cercada pelo Exército desde o fim da ditadura. Se não me engano, a última vez se deu no governo Figueiredo, quando se declarou “estado de emergência” no Distrito Federal.

O PT sempre contribuiu para inovar a democracia.

De novo: eu não apóio greve de gente armada.
Quem apoiava era Lula.
Quem apoiava era Jaques Wagner!

Por que este silêncio do Carvalho???

Acima, vocês vêem um manifestante sofrendo as conseqüências do jeito petista de fazer as coisas. Como é mesmo a fala de Gilberto, o Carvalho, sobre o Pinheirinho? Relembro:
“É uma questão de método que se utiliza quando há um problema. Ou você parte para o método democrático de ouvir e resolver no diálogo ou vai para o enfrentamento armado sem levar em conta a necessidade de respeitar a dignidade daquelas pessoas.”

Acima, há um ferido real no conflito. Agora comparem a sua imagem com a do tal Paulo Maldos, assessor pessoal de Carvalho, que estava fazendo proselitismo no Pinheirinho e diz ter recebido uma bala de borracha. Não fez BO nem quis fazer exame de corpo de delito. Saiu por aí exibindo as balas como um troféu. Às gargalhadas.

Encerro
E aí?

Imaginem se o PSDB ou DEM estivesse no poder em Brasília ou na Bahia. O Frei Davi, daquela ONG Educafro, diria que, em meio a tanta gente, os racistas decidiram dar um tiro na cara logo de um negro. Mas este negro não será protegido por Frei Davi. Afinal, ele está do lado errado da força…

Sim, o segredo de aborrecer é dizer tudo. E não há a menor possibilidade de que eu não diga.


Reinaldo Azevedo

O PT que privatiza – Partido chega aonde estavam os tucanos, mas 15 anos depois;

Infraero como sócia de consórcios é só uma vela para o atraso

Eu sou a favor de privatização até de escolinha de jardim da infância, desde que bem-feita. Dilma Rousseff não só é uma notória, como chamar?, retardadora de parcerias com a iniciativa privada como tem em sua carreira um estrondoso insucesso. O seu genial “modelo” de privatização de estradas federais, que levou Elio Gaspari a flertar com a poesia épica, deu com os burros nos buracos. Escrevi bastante a respeito já. Há muita coisa em arquivo. O resumo é este: antes, o usuário enfrentava buracos sem pagar pedágio; agora, enfrenta-os pagando. Bem baratinho!

O setor de aeroportos estava sob o controle de Dilma quando era chefe da Casa Civil. O caos se instalou, e nada de a privatização sair. Saiu. Mas de um jeito, de novo, meio esquisito. Vamos ver. Eu não sou especialista em privatizações, economista, financista ou o que seja. Sou apenas alguém que cuida de alguns aspectos lógicos dos processos. E costumo flagrar algumas incongruências, não devidamente respondidas pelos especialistas. Antes que entre no mérito, uma nota de ironia.

Que coisa, não? Uma das críticas que os petistas, especialmente a sua facção petralha, faziam às privatizações do governo FHC era o financiamento do BNDES. “Então o próprio estado brasileiro vai financiar o capital estrangeiro?”, indagavam, com aquela inteligência peculiar, esquecendo-se que um dos papéis de um banco de fomento é mesmo esse — desde que seja devidamente remunerado. Transformaram a participação do BNDES nas privatizações um crime, o que ajudou a compor a mitologia vigarista da dita “privataria”. Agora, vemos o organismo a financiar nada menos de 80% da operação. Ah, desta vez, estamos diante de uma autêntica obra-prima.

A Folha traz um pequeno e preciso texto na edição desta terça. Leiam. Volto em seguida.
*
Pesos-pesados da administração de aeroportos globais, como os de Cingapura, Frankfurt e Zurique, foram derrotados ontem no leilão dos aeroportos brasileiros de Cumbica, Viracopos e Brasília. Quem levou foram operadores da África e da América Latina, que não administram nenhum dos 30 maiores aeroportos do mundo. Os três grupos vencedores pagarão R$ 24,5 bilhões pela concessão, 347% mais que o lance mínimo. O BNDES financia 80% desse investimento. As concessões serão de 20 anos (Cumbica), 25 anos (Brasília) e 30 anos (Viracopos). A estatal Infraero manterá participação de 49%. Os consórcios são obrigados a manter um investimento mínimo (e mais concentrado) até a Copa-14. A Anac (Agência Nacional de Avião Civil) disse que controlará o reajuste das tarifas.

Os vencedores de Cumbica foram o consórcio formado por 90% da Invepar (sociedade entre a construtora OAS e fundos de pensão Previ, Funcef e Petros) e 10% da sul-africana Acsa. “O fato de ser um país emergente não diminui ninguém porque, senão, teríamos de ter o complexo de vira-lata eterno. Não temos vergonha de ser emergentes”, afirmou o ministro da Aviação Civil, Wagner Bittencourt. “São atores perfeitamente possíveis de ganhar e ganharam. Pena que os outros não tenham tido tanta ambição.” O maior aeroporto brasileiro, em Guarulhos, com 30 milhões de passageiros/ano, terá como operadora a Acsa, que trabalha, há quase dez anos, com nove unidades da África do Sul, entre elas a de Johannesburgo e a da Cidade do Cabo. Juntas, recebem 35 milhões de passageiros/ano.

Embora o aeroporto de Johannesburgo seja elogiado pela beleza, o país não primou pela excelência na Copa-10. Jatos executivos lotaram os pátios e voos comerciais tiveram de ser desviados. Houve caso de aviões vindos da Europa que tiveram de retornar em pleno voo. Viracopos, em Campinas, será operado pela Egis, consultoria francesa que administra 11 aeroportos na África (Argélia, Congo, Gabão) e na Polinésia, além do terceiro aeroporto de Paris, o Beauvais, a 55 km da capital francesa. Juntos, têm 13 milhões de passageiros ao ano (menos que Congonhas, que recebe 16,7 milhões). A Egis tem 10% do consórcio, em sociedade com a Triunfo (45%) e a UTC (45%).

Vencedores do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal, o consórcio formado pela Infravix (construtora Engevix) e pelo operador aeroportuário argentino Corporación América, foi o mais agressivo no leilão, levando Brasília com 675% de ágio. Com 40 aeroportos na América do Sul e na Armênia, dos quais 33 na Argentina, a empresa tem uma história conturbada em seu país. Venceu o leilão de privatização nos anos 90 pagando ágio elevadíssimo, mas não conseguiu honrar contratos. Com dívidas de US$ 600 milhões e atrasos no cronograma de investimentos, o grupo conseguiu, em 2007, renegociar o contrato, trocando a dívida por uma participação de 20% do Estado. Com a “reestatização”, deixou de pagar a outorga em troca de um porcentual das receitas para o governo.

Voltei
Como se vê, ninguém tem experiência compatível com o desafio. Vai dar certo? Tomara! Ou estamos lascados. Gigantes não costumam abrir mão de bons negócios, assim, por nada. Essa conversa do ministro sobre “vira-lata” é só bobagem retórica para tentar transformar inexperiência num elemento de exultação.

O “modelo tucano”, como diriam os petistas, também contemplava a participação dos fundos de pensão (todos dominados pelo PT, note-se) e o financiamento do BNDES. Mas não tinha o governo como sócio — como terá o modelo Dilma, por intermédio da incompetente Infraero. A estatal publica em seu site um longo questionário com perguntas e respostas. Uma delas é esta:
Como fica a situação dos funcionários da Infraero que trabalham nos aeroportos concedidos, eles serão demitidos?
Não. Os empregados não serão demitidos. Aqueles que não quiserem trabalhar nas concessionárias, a seu critério, poderão continuar na Infraero. O governo e os sindicatos estão negociando uma ampla rede de benefícios e garantias aos trabalhadores da empresa de modo que o processo seja vantajoso para todos.

Huuummm… Se a nova administradora do aeroporto não quiser trabalhar com o funcionário “x”, ele fica na Infraero, certo? Mas fazendo exatamente o quê? Nesse caso, quem paga o seu salário? Não será certamente a nova empresa formada pelos investidores e pela estatal. Eu estou enganado, ou, no modelo de privatização do PT, a Infraero, na prática, ficou com todo o passivo trabalhista?

A manutenção de 49% das ações nas mãos da estatal é só o PT acendendo uma vela para o atraso, para marcar a diferença — para pior — na comparação com os tucanos. É claro que as empresas que venceram a disputa poderiam ter oferecido muito mais se soubessem que ficariam com 100% dos rendimentos — não apenas com 51%. De todo modo, notem que o “modelo tucano” não entrega a empresas privadas a administração de um patrimônio público, que é o que vai acontecer no “modelo petista”. Afinal, aqueles 49% que pertencem à Infraero estarão sob gestão privada. Eu dou graças aos céus por isso, confesso. Mas e as esquerdas sempre tão zelosas?

Fim de uma vigarice histórica
O PT venceu três eleições fazendo terrorismo com as privatizações. Em 2002, conseguiu convencer amplas camadas do eleitorado de que as formidavelmente bem-sucedidas privatizações da Telebras e da Vale eram um mal para o país. Em 2006 e 2010, acusou seus adversários de quererem privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Era só terrorismo eleitoral.

Agora, dado o desastre em que se encontra a infraestrutura aeroportuária brasileira, o partido não teve saída e resolveu fazer o óbvio, chegando aonde estavam os adversários que tanto demonizaram, só que com quase 15 anos de atraso. Não obstante, alguns franjas verdadeiramente criminosas do governismo ainda insistem em criar, ora vejam!, a “CPI da Privataria”… É patético!

A privatização dos aeroportos, que é bem-vinda, também é a evidência de uma fraude: a do discurso petista. Vamos torcer para que os aspectos deletérios da operação, como essa Infraero no meio da pista, não comprometam a sua eficiência. Porque seremos nós, como sempre, a pagar o pato.

Por Reinaldo Azevedo

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Na parte secreta da conversa em Havana, qual destes conselhos Dilma Rousseff ouviu de Fidel Castro?

o Prender todos os oposicionistas
o Deportar Fernando Henrique Cardoso
o Exportar Lula para a Venezuela
o Instituir o mandato presidencial de 50 anos
o Trocar o terninho por um modelito Adidas
o Confinar José Sarney no Amapá
o Casar com Hugo Chávez
o Invadir os Estados Unidos