terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Galvão Bueno torna-se sócio da Miolo

Início do conteúdoNarrador esportivo será o quinto acionista da empresa produtora e exportadora de vinhos finos do Brasil

Elder Ogliari, da Agência Estado

PORTO ALEGRE - O narrador esportivo Galvão Bueno tornou-se sócio do Miolo Wine Group, um dos maiores produtores e exportadores de vinhos finos do Brasil. A inclusão do quinto acionista da empresa das famílias Miolo, Benedetti, Tecchio e Randon foi divulgada em nota distribuída à imprensa nesta segunda-feira. As partes não informaram o porcentual de cada uma delas no negócio.
A parceria de Bueno com a Miolo começou em 2009 com a vinificação, pela empresa, do espumante Bueno Cuvée Prestige e do assemblage Bueno Paralelo 31, elaborados com as uvas cultivadas pelo narrador em Candiota, na Campanha Gaúcha, próxima da fronteira com o Uruguai.
"Tenho a certeza de que ele (Bueno) virá para fortalecer ainda mais nosso projeto de vinhos de qualidade e terá uma contribuição fundamental na construção da imagem e notoriedade que conquistamos até hoje", diz Adriano Miolo, superintendente do grupo. Sem dar detalhes da associação, a empresa afirma que o ingresso do narrador vai ajudá-la a expandir os negócios e atingir a meta de atingir o faturamento de R$ 500 milhões em 2020, ano em que também quer destinar 30% de sua produção ao mercado internacional. O Miolo Wine Group elabora mais de 100 rótulos produzidos em sete projetos vitivinícolas no Brasil.

Dilma lançará 'pacote de bondades' para prefeitos

DE BRASÍLIA

Para aliviar o caixa dos municípios, a presidente Dilma Rousseff encomendou à área econômica uma proposta de "encontro de contas" para cidades que têm dívidas com o INSS e, ao mesmo tempo, créditos federais a receber.
Se aprovada, a medida fará parte de um pacote de bondades de Dilma a mais de 5.500 prefeitos recém-eleitos --que serão recebidos na próxima semana em Brasília.
No evento, será lançado ainda um programa federal para ajudá-los a cumprir a Lei de Acesso à Informação.
Segundo a Folha apurou, o pacote de bondades deve incluir ainda recursos adicionais em diversas áreas, entre elas o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que pode receber acréscimo de R$ 28 bilhões, conforme cifra discutida ontem em reunião de Dilma com dez ministros.
O "encontro de contas" é uma das principais demandas dos prefeitos. Eles pedem que o governo, no lugar de descontar as dívidas municipais com o INSS do repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), faça isso após abater dessa dívida os créditos federais que as prefeituras têm a receber.
Para os prefeitos, a dívida com o INSS é descontada antecipadamente, enquanto créditos devidos pela União não chegam a tempo.
Segundo a CNM (Confederação Nacional dos Municípios), as dívidas da União com os municípios chegava a R$ 31 bilhões em 2010, ante débito de R$ 22,5 bilhões dos municípios com o INSS.
LEI DE ACESSO
No encontro, a Controladoria-Geral da União (CGU) vai lançar um plano (incluindo aulas e cessão do software e-SIC) para auxiliar Estados e municípios a cumprir a Lei de Acesso à Informação --em vigor desde maio de 2012, mas amplamente desrespeitada. "A situação das cidades é a mais delicada", diz Jorge Hage, ministro da CGU. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Deputado baiano também contrata empresa-fantasma

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
 
Favorito para presidir a Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN) não é o único parlamentar do PMDB que repassa mensalmente recursos públicos para empresas de fachada ligadas a um ex-assessor do partido. O deputado baiano Lúcio Vieira Lima, irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, destinou 110 700 reais de sua verba indenizatória para as empresas Global Transportes e Executiva, ambas registradas em nome de laranjas. 
A última edição de VEJA mostrou que Henrique Eduardo Alves paga 8 300 reais por mês de verba indenizatória a uma empresa fantasma que, no papel, aluga carros executivos à serviço do gabinete do deputado. Após a reportagem, Alves afirmou que vai investigar as irregularidades.
Desde que assumiu o mandato, há dois anos, Lúcio Vieira Lima repassou 64 900 reais à Global e 45 800 reais à Executiva. Por trás das duas empresas está César Cunha, conhecido ex-assessor do PMDB.
Lúcio Vieira Lima diz que César Cunha foi motorista do seu irmão. Hoje, Geddel é vice-pesidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. O deputado diz que a situação legal da empresa contratada por ele não é de sua responsabilidade: “Ele apresenta a nota eu dou à Câmara. Cabe à Câmara analisar. Para mim, ela presta o serviço, o carro está sempre à minha disposição”, disse o parlamentar ao site de VEJA. Ele afirmou também que o contrato será mantido: “Vou continuar alugando da Global, a não ser que a Câmara informe que essa empresa não está mais autorizada”.
A cota para o exercício da atividade parlamentar, que era conhecida como verba indenizatória, disponibiliza cerca de 30 000 reais por mês para gastos relativos aos mandato dos deputados. Por exemplo: passagens aéreas, contas de telefone, aluguel de carros e combustível. No caso de Henrique Eduardo Alves e Lúcio Vieira Lima, parte desses recursos foram transferidos mensalmente para empresas de fachada.
Suspeita
Reportagem publicada pela última edição de VEJA mostra que a Global Transportes, que recebe 8 300 reais por mês do gabinete de Alves, registrou endereço numa casa na periferia de Brasília. A vendedora Viviane dos Santos, que oficialmente é dona da empresa, disse que nunca soube do contrato com o deputado – e confirmou ter emprestado seu nome para uma tia, responsável pela locação dos veículos. Kelen Gomes, a tia, tentou explicar: “Nós arrumamos carros com terceiros e os alugamos”. A Global é ligada a César Cunha, ex-assessor do PMDB que já forneceu notas fiscais a Henrique Eduardo Alves, por meio de outra empresa de fachada, a Executiva. Desde 2009, o gabinete do deputado repassou às companhias de Cunha um total de 357 000 reais.
O deputado ajudou a aumentar a confusão: primeiro disse que, quando está em Brasília, utiliza carro próprio. Depois, corrigiu-se afirmando que o carro que usa na capital federal é alugado, sim, mas ele não se lembra nem mesmo do modelo. Por fim, mandou que um funcionário de seu gabinete, Wellington Costa, desse explicações. “Você acha que eu cuido disso?”, reagiu Alves. O funcionário, porém, admitiu: “Talvez o deputado não se lembre, mas foi ele quem mandou contratar essa empresa”.
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Diário da Dilma: Quem não dança balalaica que cuide do samovar


PUBLICADO DA EDIÇÃO DE JANEIRO DA REVISTA PIAUÍ
Dilma é a figura de bege com um gorro na cabeça e um xale no pescoço
1º DE DEZEMBRO ─ Sentei ao lado do José Maria Marin no sorteio da Copa das Confederações. Não consegui tirar os olhos daquele acaju. Não sabia que aquilo era possível. O cozinheiro errou no sorteio. No sorteio! Nem para tirar a bolinha da cuia certa nós prestamos! Que são Pedro Canísio nos proteja em 2014.
2 DE DEZEMBRO ─ Nada de caças franceses, americanos ou suecos. Vou comprar esses aviões da Webjet que estão em promoção.
3 DE DEZEMBRO ─ Fui ao Maranhão inaugurar um porto e adivinha quem estava lá. Him! E ainda levou a filha governadora a tiracolo. Fizeram questão de me entregar a Ordem dos Timbiras, achei simpático. Como não dão ponto sem nó, já pedi para liberarem uns dois ou três cargos comissionados. Aprendi: quem mora em São Luís é ludovicense. Vou jogar na cara do Patriota.
4 DE DEZEMBRO ─Ideli ficou irritadíssima quando soube que a princesa está grávida. “É uma arrivista!”, gritava pelos corredores do Planalto, de dedo espetado no ar. Nem contra o caseiro do Palocci ela destilou tanto veneno.
Nem dei trela, pois estou me sentindo avó de novo. Pedi para o Patriota mandar uma caixa de tamarindo para a Kate. É ótimo para enjoo de gravidez! Ele fez cara de pouco caso e eu tive de recorrer a um “Meu querido”. Ele disse que ia mandar. Quero ver!
5 DE DEZEMBRO ─ Gleisi me soprou que a tendência do verão é o cabelo quente: strawberry blonde e rose blonde. Imagina se o Palocci me daria uma informação dessas! Santa hora em que estourou aquele escândalo da consultoria.
Apesar da friagem desse palácio, fiquei triste com a morte do Niemeyer.
6 DE DEZEMBRO ─ Facada pelas costas. Sei. De tantas que diz ter levado, se ainda está de pé é porque já deixou o gênero humano e entrou para a categoria dos queijos suíços.
7 DE DEZEMBRO ─ Depois de mais um Pibinho, tive vontade de mandar o Mantega de volta para a Itália. É sempre a mesma cantilena: “Mês que vem vamos bombar mais que a China.” Baita tró-ló-ló. Crescemos menos que o Peru! O Peru! E agora não dá nem para mandar embora. Aquela revista inglesa ─ como é o nome mesmo? ─ veio fazendo um estardalhaço, querendo ensinar o Pai-Nosso ao vigário. Terei de engolir o Guido mais um tempo em nome da soberania nacional.
8 DE DEZEMBRO ─ Vou ter uma conversa delicada com a Ideli. Sei que ela não estudou em colégio de freira, foi gorda, é de Santa Catarina, casada com um PM, mas precisa moderar a linguagem! De onde foi que ela tirou que dei “chapuletada” no Aécio?! Isso é linguagem? Eu lá sou mulher de dar chapuletada? Que coisa mais disgusting! Imagina minha cara diante do Patriota!
9 DE DEZEMBRO ─ Aquela Regina Casé é uma bola! Morri de rir com ela! Esqueci o nome do programa. A Helena me mandou uma cópia e achei ótimo. O horário é que é ruim.
10 DE DEZEMBRO ─ Eu aqui na Cidade Luz, em pleno Le Bristol, e tendo que almoçar com o Lula! O homem falou três horas seguidas! Até cochilei entre a salada e os queijos. Não pude nem dar uma chegadinha no Bon Marché, o magazine das elegantes, sem aquele monte de brasileiro das Galeries Lafayette. Na verdade, meu plano mesmo era dar um pulo no La Vallée, aquele outlet maravilhoso!! Queria comprar uma gravata para o Lobão e um casaco melhor, para levar para a Rússia. Fica para a próxima.
Ai, que saia justa! Encontrei a Marisa Letícia! Só faltei perguntar receita de cuscuz paulista. Falei pelos cotovelos sobre o nada, fugindo do assunto. Senti que ela está uma arara! São Bernardo deve estar uma Síria.
11 DE DEZEMBRO ─ Aproveitei que o Lula largou do meu pé um instante e mandei comprar o último exemplar do Canard Enchaîné. O jornal continua engraçado, mas falem o que quiserem, nunca mais foi o mesmo desde que pararam de publicar o Diário de Carla Bruni. Que classe, que elegância! Somos muito parecidas, tanto assim que tirei dali minha inspiração.
Menina, que sucesso eu fiz em Paris! Estava ótima, solta, firme, elegante!
12 DE DEZEMBRO ─ Ai que vontade de demitir o Lula. Isso a Economist (lembrei) não sugere!
13 de DEZEMBRO ─ A gente não tem sossego nem para viajar. Esse vai e vem dos royalties me encheu o pacová. Falei que ia vetar, vetei, mas se querem derrubar o veto, me diz, o que eu posso fazer? Ah, vão lamber sabão!
Enquanto escrevo isso, o presidente da República é José Sarney. Os maias sabiam de tudo. (Os índios, não a família do livro.)
14 DE DEZEMBRO ─ Fiz 65 anos! Quem diria! Presidenta do Brasil, avó, festejando na Rússia meu aniversário. Confesso que senti um pouquinho de dor no peito pela falta dele. É uma pena que o Moreno não aguente tanto frio. Aliás, que friaca! A gente fica com aquele nariz vermelho, a orelha gelando…
No túmulo do Lênin, me voltou tudo. De pé, ó vítimas da fome! / De pé, famélicos da terra! Me deu vontade de ir para Jersey e roubar o cofre do Maluf.
O Putin é bem legal, apesar do que di-zem dele. Vamos ver se fechamos uma parceria. Ah, o comunismo é tão elegante!
Que dificuldade colocar um gorro com esse cabelo armado.
15 DE DEZEMBRO ─ Para lavar a égua, anunciei 800 novos aeroportos de uma vez só. Em cada biboca do país vai ter um. A senhora mora em Ouricuri e quer ir para Bodocó? Pois não, basta tocar o jegue para o aeroporto no fim da rua. Quero ver alguém falar em caos aéreo. Como me disse o Vladimir, quem não dança balalaica que fique cuidando do samovar.
16 DE DEZEMBRO ─ Haddad me ligou para dizer que Maluf não tem nem nunca teve cofre em Jersey.
17 DE DEZEMBRO ─ Lembrete: não despedir o Patriota. As viagens estão melhorando.
18 DE DEZEMBRO ─ Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece. O Marcos Valério abriu a boca de novo, o Freud reviveu das catacumbas, o fantasma do Celso Daniel está assombrando mais uma vez, annus horribilis, diria a rainha da Inglaterra.
19 DE DEZEMBRO ─ Finalmente! Soube que na terceira temporada de The Killing, Sarah Lund largou aquele suéter de matar!
21 DE DEZEMBRO ─ Vetei o Fim do Mundo.
23 DE DEZEMBRO ─ Em Paris, comprei uma bela água de colônia para o Lobão. Vamos ver se ele para de encharcar o rosto com Aqua Velva. Eu diria que é o único defeito dele, a imperfeição que o torna humano.
25 DE DEZEMBRO ─ Gabrielzinho ganhou presentes demais neste Natal: o Sarney lhe deu duas concessões de tevê, um pessoal louro mandou entregar três miniaturas de caça sueco e o Temer enviou um embrulhinho fofo com um emprego público vitalício dentro. Esse menino vai ficar muito mimado. Mas é tão bochechudinho!
29 DE DEZEMBRO ─ Impressionante como minhas manhãs rendem quando o Merval tira férias. Aquelas colunas me tomam 40 minutos. No mínimo.
A casquinha do pão engorda tanto quanto o miolo!
30 DE DEZEMBRO ─ Mamãe e titia pensam que a história da Rose é novela. Como não gostam de Salve Jorge, transformaram o bafafá em seriado. Acompanham todos os jornais e ainda querem detalhes. Conto o mínimo possível porque minha tia é íntima da manicure, conta tudo para ela.
31 DE DEZEMBRO ─ Festa boa de Réveillon tem que tocar Tim Maia. Depois do segundo frozen de abacaxi, fico agitadíssima. Fux arrasou cantando Vale Tudo e Um Dia de Domingo. Só não engatou Acenda o Farol porque o Dirceu e o Rui Falcão apareceram de machadinha na mão e ele teve que sair pelos fundos.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Atraso em obras deixa geradoras de energia eólica paralisadas no NE


NELSON BARROS NETO

DE SALVADOR
RENATA MOURA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM NATAL

Problemas de estrutura e atrasos em obras federais estão impedindo a operação de usinas eólicas, afetando investimentos e onerando os custos do setor no Brasil.
Hoje, por exemplo, há 26 parques eólicos prontos no Rio Grande do Norte e na Bahia, mas todos estão fora de operação porque o governo federal ainda não instalou linhas de transmissão para levar a energia produzida ao consumidor. Esses parques ociosos têm um total de 622 MW de potência instalada.
Se esses parques estivessem em operação, a energia deles (289 MW na BA e 333 MW no RN) seria capaz de iluminar o Rio Grande do Norte inteiro ou Salvador (BA), terceira maior cidade do país.
Outro exemplo: essa quantidade de energia ociosa equivale à potência da termelétrica de Uruguaiana (RS), que produz pouco mais de 600 MW com uma energia mais poluente e mais cara.
PREJUÍZO
Além do desperdício de energia, a paralisia custa caro. A cada mês, desde julho, o governo federal é obrigado a repassar R$ 33,6 milhões para compensar o prejuízo das empresas que colocaram R$ 1,2 bilhão naquele que seria o maior complexo eólico da América Latina, na região de Caetité (BA).
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estima que o ônus da ociosidade para a população alcançará os R$ 440 milhões até setembro, quando os parques devem, enfim, conseguir operar.
A responsabilidade pelas linhas de transmissão, para conectar as eólicas ao sistema nacional, é da estatal Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), do grupo Eletrobras.
Os atrasos chegam a um ano e meio.
"Não podemos dizer que os problemas de hoje são normais, mas não são irreversíveis. E todo setor que cresce de forma acelerada enfrenta gargalos de infraestrutura", diz Elbia Melo, presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica).
O cenário só não é pior porque seis parques no Ceará (186 MW), com conclusão prevista para 2012, atrasaram as obras. Caso estivessem prontos, elevariam as despesas do governo com compensações aos investidores.
CUSTO SUBESTIMADO
Uma das críticas ao governo federal é que, nos leilões a partir de 2009, vencidos pela Chesf, o Ministério de Minas e Energia subestimou o custo da construção das linhas de transmissão em locais de difícil acesso.
Procurado por três dias, o ministério não respondeu à reportagem.
Já a Chesf aponta entraves de licenciamento ambiental e do patrimônio histórico (os trajetos das linhas cruzam sítios arqueológicos).
A empresa, porém, entrou com o pedido de licenciamento em Caetité poucos meses da entrega dos parques.
A seção baiana do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente negam dificuldades.
"Nossa área virou um Judas no Sábado de Aleluia. Todo problema de construção recai sobre o meio ambiente", diz o secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler.
Editoria de Arte/Folhapress
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

‘A política, segundo Tim Maia’, um artigo de Nelson Motta

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEXTA-FEIRA
NELSON MOTTA

Sempre que perguntada, a maioria da população brasileira tem se manifestado contra a liberação do aborto, da maconha e do casamento gay, e a favor da pena de morte e da maioridade penal aos 16 anos. Sem dúvida são posições conservadoras, ou “de direita”, como diz o Zé Dirceu, e, no entanto, são esses que elegem os governos e as maiorias parlamentares ditas “de esquerda” hoje no Brasil. Como harmonizar o conservadorismo na vida real com o progressismo na política?
Talvez Tim Maia tivesse razão quando dizia que, “no Brasil, não só as putas gozam, os cafetões são ciumentos e os traficantes são viciados, os pobres são de direita”. Uma ingratidão com a esquerda que lhes dá o melhor de si e luta pelo seu bem estar. Mas tanto a maioria dos velhos pobres como dos novos, da antiga classe média careta e da nova mais careta ainda, e, claro, as elites, acreditam em Deus, na família e nos valores tradicionais, e rejeitam ideias progressistas. Discutir, apenas discutir as suas crenças, é considerado suicídio eleitoral.
Quando Abraham Lincoln, em 1862, promulgou a Homestead Law, a lei da reforma agrária nos Estados Unidos, assegurando a cada cidadão o direito de requerer uma propriedade de até 4 mil metros quadrados de terra do Estado, pagando 1 dólar e 25 centavos, criou milhões de pequenos proprietários rurais ─ que deram origem às grandes maiorias conservadoras de hoje, que ganharam sua bolsa-terra e não querem mudar mais nada. Uma ação politicamente progressista gerou milhões de novos reacionários.
Um século e meio depois, no Brasil, a nossa “nova classe média”, que tem casa, carro, crédito, viaja de avião e é eleitoralmente decisiva, parece ser ainda mais conservadora do que a “velha”. A ascensão social exige segurança e instituições sólidas, quer conservar o que conquistou e reage a mudanças que ameacem suas conquistas. Como Tim Maia, querem sossego.
Então por que não param de falar em esquerda e direita como se fosse de futebol e tentam entender o que está acontecendo? Como disse o ex-comunista Ferreira Gullar, “no meu tempo ser de esquerda dava cadeia, hoje dá emprego”.

A manchete do Diário do Comércio é uma aula de jornalismo: Chávez Presidente (mas o corpo permanece em Cuba)



O Diário do Comércio precisou de apenas oito palavras e dois parênteses para produzir nesta sexta-feira uma manchete irretocável, proporcionar uma aula de jornalismo independente e desmoralizar o tedioso desfile de enfemismos promovido pelos concorrentes para mascarar os fatos. Criativa, refinadamente irônica e, sobretudo, verdadeira, a manchete da publicação dirigida por Moisés Rabinovici escancarou as tapeações que têm povoado o alto das primeiras páginas da grande imprensa. Segundo o noticiário de quase todos os jornais, a Venezuela é uma democracia às voltas com complicações constitucionais passageiras. O Diário do Comércio  acaba de avisar que, depois da sagração de Hugo I, nasceu um reino governado por um moribundo. Simples assim.
É sempre animador constatar que ainda há vida inteligente nas redações do Brasil.