quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TCU vai julgar consórcio da Siemens em caso de superfaturamento na BA


Tribunal aponta superfaturamento de R$ 166 milhões no metrô do Salvador.Consórcio diz que não há ilegalidade; Siemens também nega irregularidade.
 
Mariana Oliveira Do G1, em Brasília

Um processo no qual um consórcio integrado pela empresa alemã Siemens é suspeito de superfaturar em R$ 166 milhões a obra do metrô de Salvador aguarda julgamento no Tribunal de Contas da União (TCU). Além da Siemens, fazem parte do consórcio as construtoras Camargo Correia e Andrade Gutierrez. O TCU informou que o caso irá ao plenário assim que analisar as defesas de todas as empresas envolvidas – até agora, somente uma parte delas entregou.
A obra do metrô de Salvador já dura mais de 13 anos. Em valores corrigidos, o suposto superfaturamento alcança R$ 400 milhões, segundo o tribunal. No fim do ano passado, o TCU determinou que a Siemens recolhesse os valores corrigidos aos cofres públicos ou apresentasse defesa.
A empresa e o consórcio Metrosal, do qual faz parte, negam a acusação de superfaturamento e irregularidades na licitação do metrô de Salvador (abaixo, leia mais sobre a versão das empresas).
A Divisão de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal na Bahia também quer saber se houve conluio entre empresas nas licitações do metrô de Salvador, a exemplo do cartel delatado pela alemã Siemens às autoridades antitruste brasileiras nas licitações para aquisição de equipamento ferroviário e para a construção e manutenção de linhas metroviárias em São Paulo e Distrito Federal."
Trecho de nota do Ministério Público Federal na Bahia
A Siemens está no centro de uma investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre formação de cartel nas obras do Metrô de São Paulo e do Distrito Federal e firmou um acordo de delação com o conselho sobre a suposta fraude. Nesta terça, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que processará a empresa devido ao suposto cartel.
Em Salvador, além da Siemens, foram apontadas por envolvimento no suposto esquema de superfaturamento as outras duas empresas que formam o consórcio Metrosal, responsável pela construção: as construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Também são suspeitos ex-dirigentes da Companhia de Transportes de Salvador (CTS) e da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), vinculada ao Ministério das Cidades.
Depois de analisar todas as defesas, o relator do processo no TCU, ministro Augusto Sherman, enviará o caso para deliberação do plenário do tribunal. O plenário decidirá se condena as empresas e determina que recolham os valores. Caso as empresas não paguem no prazo, serão acionadas na Justiça, segundo o TCU.
Empresas negam
No processo, o consórcio Metrosal nega superfaturamento e afirma que não houve irregularidades na licitação.
Os quantitativos utilizados correspondem à realidade da obra e não foram indevidamente majorados."
Consórcio Metrosal, em defesa no processo no TCU
Nos documentos que integram o processo, o consórcio contesta informações sobre irregularidades na área técnica. Especifica que, ao contrário do que diz o TCU, o projeto básico apresenta todos os itens da obra que, segundo o tribunal, foram incluídos depois por meio de aditivos. São detalhes como tipos de revestimento e espessura das escavações.
"Os quantitativos utilizados correspondem à realidade da obra e não foram indevidamente majorados", afirma o consórcio em sua defesa no processo.
Ao G1, a Siemens afirmou que "nunca foi apurada irregularidade" na atuação da empresa no Metrô de Salvador.
"A auditoria do TCU é sobre o escopo civil, não se relacionando à participação da Siemens no Metrô de Salvador, que esteve limitada aos sistemas de energia. Nunca foi apurada irregularidade alguma relacionada ao escopo de fornecimento da Siemens", afirmou a assessoria da empresa.
A CTS, que há poucos meses está sob gestão do governo do estado, informou que realiza um processo de seleção para empresa que vai auditar as obras.
"A CTS está finalizando um processo licitatório para realizar a auditoria física das obras, que deve durar 60 dias. Até esse prazo ser cumprido, não vamos nos pronunciar sobre o período de no qual a empresa estava sob gestão municipal."
O G1 procurou a CBTU, também apontada por envolvimento na suposta fraude, mas não obteve resposta.
O que o TCU verificou
Conforme o processo do TCU, o convênio para a obra foi firmado em 1998 e o contrato assinado entre a CTS e a Metrosal no ano seguinte, no valor de R$ 358 milhões, que envolveria recursos federais, estaduais e municipais. A partir de 2001, a obra passou a receber de fato recursos federais e ser fiscalizada pelo TCU.
Em 2006, uma auditoria revelou ausência de planilhas orcamentárias, "impedindo a adequada avaliação da compatibilidade de preços". A suposta fraude foi verificada no trecho Lapa-Pirajá. A partir daí, o TCU instaurou uma tomada de contas especial em 2009 para reaver os valores.
No fim de 2012, no julgamento da tomada de contas, o tribunal constatou o superfaturamento e afirmou que a obra foi contratada com valor 113,7% acima do mercado e, portanto, os envolvidos teriam de devolver R$ 166.043.599,40 aos cofres públicos (preços de maio de 1999) com correção monetária. O valor atualizado atinge R$ 400 milhões, conforme a assessoria do TCU. Os ministros determinaram que a CTS não aceite certificado de conclusão da obra até o fim da apuração dos fatos.
Para o ministro relator do processo, "as deficiências constatadas, apesar de percebidas por gestores da CTS não foram corrigidas e conduziram à contratação das obras a preços excessivamente elevados e à necessidade de um grande número de modificações".
Sobre as modificações, o TCU entendeu que elas foram criadas por meios de aditivos "que não apenas repetiram e expandiram os elevados preços originalmente contratados, mas também extrapolaram os limites legal de alteração do valor contratual".
No último dia 17 de julho, o plenário do TCU decidiu manter suspensas as obras do Metrô de Salvador e obrigou que as empresas aumentem o valor das garantias para "assegurar o resultado da apuração em curso no TCU acerca de eventual dano ao erário". O consórcio de Siemenes, Camargo e Andrade ofereceu R$ 61 milhões de garantia, mas o TCU pediu R$ 115 milhões em garantias.

Ministério Público
Além da apuração do TCU, o Ministério Público Federal da Bahia também investiga os fatos na área criminal. Há cerca de um mês, o procurador Vladimir Aras enviou ofício à Siemens para saber se a empresa tem interesse em colaborar com as investigações.
"A Divisão de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal na Bahia também quer saber se houve conluio entre empresas nas licitações do metrô de Salvador, a exemplo do cartel delatado pela alemã Siemens às autoridades antitruste brasileiras nas licitações para aquisição de equipamento ferroviário e para a construção e manutenção de linhas metroviárias em São Paulo e Distrito Federal", diz nota do MPF.
Há ainda processo judicial sobre a fraude, investigada pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia. O MP denunciou empresários, mas a ação foi paralisada porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as provas da operação. O MP recorreu, mas ainda não há decisão final.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

SP precisa aprender com o governo do PT como se faz – Estatais federais comemoram contratos de R$ 244 milhões e R$ 172 milhões celebrados com um só consórcio (Alstom-CAF), que não teve concorrentes

Há coisas que realmente não têm preço, não é? Ou têm! E custam caro!  Na coletiva, o governador Geraldo Alckmin (ver post) anunciou que, em maio, a CPTM, empresa de trens urbanos do Estado de são Paulo, cancelou uma licitação porque compareceu apenas um consórcio para fornecer trens. Já a estatal federal Trensurb, que responde pelo metrô de Porto Alegre, como informei, não teve esse problema. Fez uma licitação para 15 trens de quatro carros cada um, orçada em R$ 243,75 milhões. Quantos consórcios apareceram? APENAS UM, o FrotaPOA, formado por quem? Pela Alstom e pela CAF.
E vejam que coisa bonita! A estatal federal — cuja chefe, então, em último caso, é mesmo a presidente Dilma Rousseff — ainda se orgulha do feito. Tanto é assim que, em sua página na Internet, exalta o feito, como revela a imagem abaixo.
Também a Alstom, em seu site, comemora o feito.
Muito bem! Esse mesmo consórcio “venceu” a licitação em Belo Horizonte, um contrato de “mais de R$ 171,9 milhões”, como informa a também estatal federal CBTU. E foi o único mais uma vez. Mas, agora, quem lidera com os cerca de 90% é a CAF, cabendo à Alstom os outros 10%. A CBTU também glorifica a si mesma.
 
Encerro
Nããão! É claro que não estou aqui a acusar irregularidades. Não sei de nada. O que sei é que, em São Paulo, ao se apresentar um único consórcio para a compra de trens, a licitação foi cancelada. As duas estatais federais, a Trensurb e a CBTU, não veem mal nenhum nisso. Celebram contratos, respectivamente, de R$ 243, 75 milhões e R$ 171,9 milhões com o mesmo consórcio, que não teve de concorrer com ninguém. Como existe uma espécie de fraternidade universal entre essas empresas, no primeiro, uma fica com 90%, e a outra, com 10%; no segundo, invertem-se as porcentagens.
Mas por favor, gente! Façam como o Cade de José Eduardo Cardozo, o garboso da Justiça: não suspeitem jamais de que isso possa ser cartel. Como se vê, o governo de São Paulo precisa aprender com o governo federal, do PT, como é que se estimulam a concorrência e o preço mais baixo…
Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Revoltados e atrasados

Vocês chegaram tarde, meus caros revolucionários. Se o bolso dói, é porque o estrago já é grande

GUILHERME FIUZA

O melhor diagnóstico até agora sobre as manifestações de rua veio do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. Ele disse que as revoltas são estaduais e municipais. Não deixa de ser um alívio. Quem quiser ficar a salvo da confusão, já sabe: refugie-se no Brasil federal. Nada de ficar vagando pelo Brasil estadual e municipal, porque esse anda muito perigoso, cheio de gente insatisfeita e nervosa. No Brasil federal não, está tudo tranquilo.
Por sorte, Dilma Rousseff também está no Brasil federal, portanto a salvo do tumulto. Desse lugar calmo, sem culpa, ela disse que o que os manifestantes querem é o que o governo quer. São praticamente almas gêmeas. “Meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. Está empenhado e comprometido com a transformação social”, informou Dilma. Disse que passeata é uma coisa normal, que ela mesma já fez muito. Parecia prestes a botar uma mochila nas costas e ir para a Avenida Paulista fazer a transformação social.
E mostrou sua visão de estadista: “Esta mensagem direta das ruas contempla o valor intrínseco da democracia”. Às vezes, Dilma exagera na erudição. Vai acabar deixando Luís de Camões encabulado. Ela já explicara que o combate à inflação é “um valor em si”, demonstrando conhecimento profundo sobre as coisas da vida e seus valores intrínsecos. “Esta mensagem direta das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público”, afirmou Dilma, praticamente uma porta-voz dos revoltosos contra tudo isso que aí está.
Olhando para o circo, só há uma conclusão possível: os revoltosos – os do passe livre, os dos 20 centavos, os do Ocupem Wall Street sucursal brasuca, os do turismo cívico e os do civismo vândalo – merecem Dilma. Repetindo: os revoltosos merecem Dilma. Mais que isso: são cúmplices dela, pois estavam sentadinhos em casa, enquanto a grande líder mulher brasileira perpetrava suas obras completas de explosão das finanças públicas – a céu aberto, para quem quisesse ver. Agora a inflação dói no bolso? Tarde demais, meus queridos justiceiros.
Essa “presidenta”, que vive lá na calmaria do Brasil federal com seus 40 ministérios (contando o do marketing, de João Santana, o único essencial), presidiu, entre outras festas, a distribuição de dinheiro público para o milagre da multiplicação de estádios da Copa. Em São Paulo, numa jogada comandada por Lula e seus amigos empreiteiros (que ele representa no exterior), o histórico Morumbi foi mandado para escanteio. Em seu lugar, surgiu o Itaquerão, novinho em folha, presente do ex-presidente ao seu clube do coração. Um mimo de R$ 1 bilhão. Sabem de onde vem esse dinheiro, bravos manifestantes?
Exato: dos vossos bolsos. E onde estavam vocês quando nos esgoelávamos, aqui da imprensa, sobre essa gastança populista, protegida por índices lunáticos de aprovação da “presidenta”, e avisávamos que a conta chegaria? Vocês não leem jornal?
Onde estavam vocês, quando a CPI do Cachoeira – com revelações da imprensa – estourou o esquema da Delta, empreiteira campeã de obras superfaturadas do PAC? Vocês sabiam que mais esse ralo de dinheiro público do governo popular ficou impune porque a CPI foi asfixiada por Dilma e sua turma? Por que vocês não saíram às ruas para gritar contra esse golpe?
Onde estavam vocês quando a “faxineira” asfixiou a CPI do Dnit e a investigação do maior foco parasitário de um governo que – no seu primeiro ano! – teve de demitir sete ministros suspeitos? Vocês não desconfiaram de nada? Vocês não leram que o dinheiro de vocês escoava para ONGs de fachada em convênios fantasmas? Vocês não viram essa praga, espalhada por vários ministérios do governo popular, apesar de a imprensa esfregar o escândalo na cara do Brasil? Vocês não notaram que a tecnologia do mensalão, a privatização partidária do dinheiro público, nunca saiu de cena, de Dirceu a Rosemary?
Vocês chegaram tarde, meus caros revolucionários. Quando o bolso dói, é porque o estrago nas contas públicas já é grande. Bem, antes tarde do que nunca. Mas prestem atenção: entendam logo o que vocês estão fazendo nas ruas, senão suas passeatas em breve estarão no mesmo museu dos escândalos que vocês não viram

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A bilionária ponte baiana


Fonte: Wikipedia
Deu no VALOR: Bahia planeja ponte bilionária ligando Salvador a Itaparica
Discretamente, o governo baiano costura um acordo em Brasília para emplacar aquele que tem tudo para ser um dos projetos de logística mais caros e polêmicos do país. Está em negociações avançadas no Ministério do Planejamento um aporte que pode chegar até a R$ 4 bilhões para ajudar o governo do Estado a erguer uma ponte de 12 quilômetros entre Salvador e a Ilha de Itaparica. A ponte seria a segunda maior da América Latina, só inferior à Rio-Niterói. Com obras complementares, o investimento necessário foi calculado pelo governo baiano em R$ 7,3 bilhões.
[...]
O aporte do governo federal colocado na mesa de negociação varia entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. O ministério deu sinal verde para que a transação avance. Nos próximos dias, o governo baiano pretende selar o acordo com o aval do Ministério dos Transportes, em um encontro com o ministro da pasta e ex-governador da Bahia, César Borges. Ao entrar para a lista vip do PAC, a ponte baiana passará a contar com repasses diretos de recursos federais. De quebra, ficará protegida de eventuais contingenciamentos de Orçamento da União.
Toda a operação está sendo coordenada diretamente pelo ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que é atual secretário de Planejamento do governo da Bahia e pré-candidato do PT para disputar o governo do Estado nas eleições do ano que vem. Em entrevista ao Valor, Gabrielli confirmou as negociações com o governo federal e adiantou que pretende licitar a obra o mais rápido possível. Na últimas semanas, o governo baiano lançou uma série de editais para contratação de estudos de engenharia, viabilidade econômica e ambiental. Parte das empresas que farão esses estudos já foi contratada (ver texto abaixo). “É um projeto primordial para o nosso Estado. Estamos trabalhando para licitar a obra já no primeiro trimestre do ano que vem”, disse Gabrielli.
Só os estudos do projeto já custaram, até agora, quase R$ 100 milhões! O Ministério Público avisou que já está atento ao empreendimento, e que vai investigá-lo. Sempre que se junta bilhões de reais e governo na mesma frase, o bolso do “contribuinte” costuma ser o maior perdedor.
Chama a atenção também, claro, o fato de ser um estado sob gestão do PT. Será que um governo de oposição contaria com o mesmo tipo de tratamento? Quando o governo federal concentra tanto poder e recursos assim, esse tipo de risco de favorecimento é constante e ameaça a democracia e o sistema federalista.
Por fim, Sérgio Gabrielli, para quem não lembra, foi o presidente da Petrobras durante o governo Lula, o mesmo responsável pela grande deterioração no quadro financeiro da empresa, pelo pífio crescimento de sua produção, por operações contábeis entre a estatal e o governo federal que levantaram enormes suspeitas e afugentaram vários investidores estrangeiros e nacionais, e, ainda, pela compra da refinaria em Pasadena, na Califórnia, por valor bilionário que hoje não vale praticamente mais nada!
É um currículo de causar inveja… aos incompetentes que perdem seus cargos no setor privado! Porque no setor público, pelo visto, a incompetência é premiada. Pergunto ao leitor: você confiaria bilhões aos cuidados de Sérgio Gabrielli?
As cifras bilionárias dos petrodólares devem ter influenciado sua mente também. Octavio Paz, o Prêmio Nobel de Literatura mexicano, foi no alvo quando disse em O Ogro Filantrópico:
Por um lado, o Estado mexicano é um caso, uma variedade de um fenômeno universal e ameaçador: o câncer do estatismo; por outro, será o administrador da nossa iminente e inesperada riqueza petrolífera: estará preparado para isso? Seus antecedentes são negativos: o Estado mexicano padece, como enfermidades crônicas, da rapacidade e da venalidade dos funcionários. [...] O mais perigoso, porém, não é a corrupção, e sim as tentações faraônicas da alta burocracia, contagiada pela mania planificadora do nosso século. [...] Como poderemos nós, os mexicanos, supervisionar e vigiar um Estado cada vez mais forte e rico? Como evitaremos a proliferação dos projetos gigantescos e ruinosos, filhos da megalomania de tecnocratas bêbados de cifras e de estatísticas? [...] Nos últimos 50 anos temos assistido com raiva impotente à destruição de nossa cidade, e de nada nos valeram as críticas nem as queixas: teremos mais sorte com nosso petróleo do que com nossas ruas e monumentos?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

SURPRESA NA BAHIA: Jaques Wagner escolhe candidato à sua sucessão — e NÃO é o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli


Rui Costa, secretário da Casa Civil, escolhido para sucessão de Jaques Wagner (Foto: Manu Dias / Jornal Grande Bahia)
Rui Costa, secretário da Casa Civil: é ele quem vai disputar a sucessão de Jaques Wagner (Foto: Manu Dias / Jornal Grande Bahia)

Surpresa, surpresa! O candidato tirado do bolso do colete pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), NÃO é o secretário de Planejamento, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras durante sete anos, até o final de 2012, e responsável pela pesada herança que a atual presidente da estatal, Graça Foster, vem carregando.
Gabrielli, no cargo, fez de tudo para aparecer diante do eleitorado, sobretudo quando ameaçou publicamente, mal depois de assumir o cargo, o então prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM), adversário político do governador, de morrer à míngua por falta de recursos se não se submetesse à “liderança” e à “condução” do governo petista.
Também é titular de um programa de rádio supostamente “popular”.
Wagner, porém, preferiu escolher outro candidato, ex-sindicalista como ele, como vocês podem ver abaixo.
Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA
CANDIDATO DEFINIDO
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), escolheu o candidato à sua sucessão: será o secretário da Casa Civil, Rui Costa.
Também petista, Costa foi colega de Jaques no movimento sindical.
O governador deve se candidatar a deputado.

O suposto “desvio de verbas da saúde” praticado por Aécio Neves quando governador de Minas

 
Aécio Neves: acusação nada tem com ladroagem -- e nem sequer foi julgada. O senador vê "viés político" no processo (Foto: Pedro França / Agência Senado)

Tenho recebido vários supostos “comentários” — excetuado um ou outro, os demais com todas as características de enviados por militantes petistas — que insistem em perguntar por que razão o blog não trata de um suposto “desvio” de 4,3 bilhões de reais de recursos da saúde praticado pelo atual senador Aécio Neves (PSDB) quando governador de Minas Gerais (2003-2010).
Fazem supor que Aécio, como governador, “desviou” dinheiro público.
Seria, portanto, ladrão.
Acho necessário, por isso mesmo, explicar o que está havendo.
O que há é algo a que estão sujeitos quaisquer ex-governantes: a uma ação de iniciativa do Ministério Público de Minas, tendo à frente a promotora Josely Ramos Pontes, que questiona, junto à Justiça, os critérios dos investimentos em saúde feitos por Aécio como governador.
O principal ponto do processo é impugnar que sejam considerados investimentos em saúde, além do dinheiro dos cofres estaduais aplicados no setor, os recursos próprios aplicados pela estatal Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em saneamento.
Além disso, a promotora levanta a possibilidade de que hajam sido transferidos fundos do Tesouro de Minas para a Copasa, o que não seria legal. A Advocacia-Geral da União, que defende perante a Justiça os ex-governadores, já apresentou provas de que não houve transferência de dinheiro — a única forma de o Tesouro de um Estado injetar recursos numa empresa pública é via aumento de capital, o que não ocorreu, segundo a Comissão de Valores Mobiliários, que fiscaliza empresas com capital em bolsa, como é o caso da Copasa.
Foram apresentados também documentos de auditorias realizadas pela própria empresa e por empresas especializadas independentes corroborando que não houve injeção de dinheiro.
MP estadual também processou Itamar pelo mesmo motivo
Diga-se de passagem que não se trata de uma “acusação” apenas contra Aécio. A mesma integrante do Ministério Público mineiro, junto com dois colegas, já havia movido ação semelhante contra o ex-governador e ex-presidente Itamar Franco, falecido em 2011.
De todo modo, a promotora pretende que a Justiça enquadre Aécio por improbidade administrativa (lei nº 8.429, de 1992).
Itamar Franco: o ex-presidente, de reputação ilibada, sofreu o mesmo tipo de processo por seu governo em Minas (Foto: Agência Senado)
Tanto Aécio como o ex-presidente Itamar — cujo processo foi extinto por sua morte, em 2011 — estariam enquadrados na legislação porque teriam deixado de seguir conduta obrigatória, não investindo em saúde os percentuais do Orçamento estadual previstos em lei, mesmo que não tenha havido prejuízo ao Tesouro. Para a promotora, ocorreu um dano moral.
“A acusação é apenas de um suposto desvio de finalidade na utilização dos recursos”, disse Aécio ao blog. “Não existe nenhum centavo desaparecido de nenhum lugar”. Ademais, acrescenta o senador, “os valores referem-se a investimentos em saneamento feitos nas regiões mais pobres do Estado. ( pequenas comunidades dos vales do Jequitinhonha e Mucuri ), o que ajudou a salvar a vida de milhares de crianças pobres”.
O senador considera que o processo tem “claro viés político”.

Governo Lula fez coisa parecida, e foi considerada legal

Se a tese defendida pela promotora valesse, até o governo federal lulopetista teria problemas, uma vez que, durante o lulalato, recursos do programa Fome Zero foram declarados como investimentos em saúde e aceitos sem problemas pelo Tribunal de Contas da União. Vários Estados brasileiros procederam da mesma forma, inclusive Estados com governadores petistas, como o Rio Grande do Sul, com Tarso Genro.
Os percentuais dos orçamentos da União, dos Estados e municípios foram estabelecidos no ano 2000 pela emenda constitucional número 29, aprovada pelo Congresso. Houve, porém, uma grande disputa política pela regulamentação da emenda que se estendeu até no ano passado.
Enquanto a emenda não foi regulamentada, ficou cabendo aos tribunais de contas dos Estados decidir o que podia ou não ser classificado como investimento em saúde. No caso mineiro — como, aliás, nos dos demais Estados na mesma situação –, o Tribunal de Contas considerou regular a conduta do governo. Em Minas, o Tribunal “recomendou”, porém, que se diminuíssem os valores investidos pela estatal de saneamento.
Mas não resta dúvida de que, tecnicamente, Aécio é réu de um processo, o que é muito diferente de considerá-lo ladrão, criminoso ou responsável por improbidade administrativa. No começo do mês passado, julgando ação impetrada pela Advocacia-Geral da União, o Tribunal de Justiça de Minas, em decisão não definitiva, analisou os pressupostos técnicos para a existência da ação e considerou que, sim, eles existem e o processo pode seguir adiante.
Não houve, contudo, nenhuma decisão sobre o mérito da questão.
A campanha em curso na web acusando Aécio de crimes é orquestrada por gente, sobretudo do PT, que quer de toda forma atingir o candidato do PSDB a presidente em 2014. Mas até críticos duríssimos do partido e dos tucanos vêm mostrando que se trata de mentira

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Reynaldo-BH: Os adoradores dos bandidos de estimação ficam eufóricos quando imaginam que todo brasileiro é ladrão

REYNALDO ROCHA

“O homem infeliz procura consolo mesclando e misturando as suas penas com as penas de outro.” (Milan Kundera).

Chega a ser surreal a incontida alegria de petralhas, milicianos e militontos com o caso da Siemens envolvendo o governo de São Paulo, objeto de reportagem da Folha de S. Paulo.
Lembra-me o pedófilo que, levado à delegacia por estuprar uma criança de 5 anos, lá descobre outro que estuprou uma de 10. Extasiado, grita: “Somos iguais! Não estou só!”
Não vou analisar os fatos da Siemens, que me parecem dignos de credibilidade, mas a euforia incontida dos ladrões de outra gangue.
Eles, os militontos petralhas, não mostraram a mesma satisfação com a CONDENAÇÂO ─ e não investigação inicial ─ que colocou na cadeia José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha et caterva. Não ficaram tão contentes com as provas irrefutáveis contra Lula sobre o uso de NOSSO dinheiro para bancar a amante Rosemary Noronha! Nem se espantaram quando a OI Telecomunicações pagou R$ 5 milhões ao Lulinha para tornar-se sócia minoritária de uma empresa sem clientes, inovação, produto ou passado.
Não vi enxurradas de posts no Facebook e outras redes quando se descobriu que Antonio Palocci era proprietário do apartamento de R$ 6 milhões onde morava e de outro, calculado em R% 11 milhões. que nem estava à venda ou alugado. Fechado, servia de “reserva técnica”, com uma taxa de condomínio mensal de R$ 4,8 mil.
Fernando Pimentel ganhou R$ 2 milhões para dar consultoria a uma fábrica de tubaína no interior de Pernambuco que foi à falência sem que o conselheiro desse as caras por lá.
São apenas alguns dos incontáveis exemplos.
Estamos em algum campeonato nacional de ladroagem?
Não tenho bandido de estimação. Não obedeço à ordem unida de nenhuma quadrilha. Se morasse num morro deste país abandonado, não protegeria marginais, como acontece tristemente em nossas favelas. Não cultuo marginais. E não preciso de mais ninguém que queira entender isto comigo! Sinto que somos muitos.
A histeria incontrolável dos seguidores de bandido é tão cega que não conseguem, mesmo tateando, entender que o recado é: ¨”VIU? Não são só os nossos que são ladrões! Os SEUS também!”
Erraram, idiotas! Não temos os “nossos”. E vocês demonstram que TAMBÉM não os têm: VOCÊS é que são deles! Assumidamente, declaradamente, sem vergonha e sem medo.
Não sei desenhar! Se algum dos opositores (integrantes dessa oposição quase oficial sem coragem que não diz a que veio) for preso por corrupção, ficarei FELIZ! Tanto como fiquei com a condenação de José  Dirceu e ficarei mais ainda quando cruzar o portão de entrada do presídio.
Lugar de BANDIDO é na cadeia! Simples assim. Se for do PCC, Amigo dos Amigos, Comando Vermelho ou qualquer outra associação, que cumpram PENA na mesma pocilga!
Sei que os adoradores do Escadinha (do Comando Vermelho) vibram quando um outro (como o Beira-Mar do AMA) é preso! Soltam foguetes!
Hoje escuto os rojões da petralhada que perdeu a vergonha, a decência, o rumo e o senso de ridículo! (Não há UMA análise sobre O QUE FOI FEITO! Com repúdio e exigência de punição! Basta imaginar QUEM fez!
O ladrão A será absolvido porque descobriram o ladrão B? Celebrem, lulopetistas adoradores da Era de Mediocridade e incentivadores da apologia da ignorância, da mentira e da desfaçatez.
Mas tentem entender, no meio da bacanal que promovem, que alguém roubou vocês! E a nós! Que tal exigir que sejam punidos?
É absurda a festa pela suposta equalização de bandidos. Que riem juntos do uso que fazem dos OTÁRIOS!
Me incluam fora disto. É só o que eu exijo!

“A desonestidade só se consola com a desonestidade dos outros.” Henri Montherlant